O Nasdaq fabricado na China

O STAR Market é o mais recente índice da bolsa de Shanghai e tanto constitui uma plataforma de financiamento para as ‘startups’ tecnológicas e científicas chinesas, como é ainda um escudo de proteção da tecnologia chinesa contra os ataques norte-americanos. No primeiro dia de negociação, que aconteceu esta segunda-feira, 25 empresas estavam cotadas no novo índice chinês, mas os pedidos de registo já vão em 148. Longe vão os tempos em que o rótulo ‘fabricado na China’ pressuponha um produto de qualidade duvidosa. A China, ao longo das últimas décadas, tem investido no desenvolvimento científico e tecnológico, estando atualmente na linha da frente em diversos campos, como na inteligência artificial, relegando o grande rival norte-americano para planos inferiores. Na indústria tecnológica, as empresas chinesas também têm dado cartas. A Huawei, por exemplo, conseguiu saltar para o pódio das marcas de smartphones mais vendidas no planeta. Além disso, no comércio eletrónico, a Alibaba tornou-se num monstro que rivaliza com a Amazon (embora a empresa norte-americana tenha uma pegada mais internacional do que a empresa chinesa). E na área das FinTech, o selo made in China também tem estado na vanguarda da inovação com a criação dos bancos sem balcões onde até já se utilizam dados biométricos, como o sorriso, para fazer pagamentos. Só o Webank, o banco digital da Tencent, tem cerca de 100 milhões de clientes, mas não tem nenhum balcão. O potencial tecnológico da China foi agora canalizado para a bolsa. Esta segunda-feira marcou o início do mais recente índice bolsista da bolsa de Shanghai, o Sci-Tech innovAtion boaRd, mais conhecido por STAR Market, uma espécie de cópia do índice tecnológico norte-americano, o Nasdaq. Composto por 25 empresas tecnológicas, que atuam em diversos setores, desde a fabricação de chips, passando pela biotecnologia até à inteligência artificial, o dia de estreia do STAR Market foi um autêntico frenesim, com valorizações, de alguns títulos , de 520%. É mais do que provável que, nos próximos meses, mais empresas ligadas à ciência e à tecnologia integrem o STAR Market, uma vez 148 companhias fizeram pedidos de registo para negociar neste índice, pretendendo angariar, no acumulado, 128,8 mil milhões de reminbis (16,7 mil milhões de euros ao câmbio atual). Anunciado há menos de um ano pelo presidente do Partido Comunista chinês, Xi Jinping, o STAR Market não é apenas mais um entre os vários índices que existem em Shanghai. É uma plataforma de investimento para potenciar as startups chinesas, que irá promover o crescimento económico através do financiamento à inovação tecnológica, substituindo a despesa em infraestruturas, noticia o “South China Morning Post”, um diário chinês. Mas mais. No contexto da guerra comercial entre os Estados Unidos e a China, o STAR Market assume-se como um escudo protetor da indústria tecnológica chinesa que tem sofrido golpes duros dos norte-americanos. Como o golpe desferido em maio, quando o presidente dos EUA, Donald Trump, assinou uma ordem executiva que proibiu a utilização de equipamentos produzidos pela Huawei, que tem investido na rede do 5G. STAR Market: índice mais aberto que a bolsa de Shanghai As regras que regem o STAR Market são mais suaves do que as que regulam a bolsa de Shanghai. Através de um sistema de pedido de registo para a oferta pública de venda, as empresas têm de especificar, no prospecto, os ganhos e as operações. Depois, o regulador de Shanghai estuda os documentos fornecidos e deixará o mercado avaliar as empresas, livremente. Diferente é o processo para a dispersão de capital na bolsa de Shanghai. Neste caso, o regulador obriga as empresas a fornecerem informações sobre como é que vão manter os resultados financeiros a que se propõem depois de entrar em bolsa, sendo que o regulador também pode ter uma palavra a dizer sobre o preço-alvo dos títulos. Além disso, as empresas que pretendem integrar o STAR Market não necessitam de apresentar lucros se alocarem pelo menos 15% das receitas para as áreas de investigação e desenvolvimento ou se tiverem medicamentos ou outros produtos tecnológicos em desenvolvimento avançado. Já a bolsa de Shangai exige que as empresas tenham lucros nos dois anos que antecedem a entrada na bolsa. Também no campo da negociação as regras no STAR Market são menos limitativas do que as da bolsa de Shanghai. No novo índice, os títulos podem ser negociados livremente, durante os cinco primeiros dias de negociação. Mas a partir do sexto dia as empresas só poderão negociar até 20%. Na bolsa de Shanghai, as empresas cotadas podem negociar até 44% das ações desde o primeiro dia no mercado, sendo que o respectivo preço apenas pode variar 10%. A flutuação dos títulos cotados no STAR Market tem limites menos restritivos, podendo subir ou descer até 30%, altura em que o regulador impõe uma suspensão à negociação do título durante dez minutos. Na bolsa de Shanghai, o regulador suspende a negociação dos títulos por um dia que subirem ou descerem 10%.
Ler 33 vezes
Avalie este item
(0 votos)

About Author