Jotamo Cossa: de Xinavane para o Mundo


Nos últimos 15 anos os jovens foram convocados para o empreendedorismo. A palavra de ordem, principalmente no primeiro mandato do antigo Presidente da República, Armando Guebuza, era incentivar a juventude criar emprego, no lugar de procurar.

Belizario Cumbe (texto)

Neste contexto, muitas histórias de sucesso, que vale a pena contar, emergiram, uma delas é a de Manuel Jotamo Cossa, um jovem de 33 anos de idade, natural da localidade de Xinavane, distrito da Manhiça, província de Maputo. Filho de mãe, comerciante, e pai, técnico industrial, Jotamo Cossa aceitou o nosso convite para contar o seu percurso no mundo dos negócios.

O ENREDO DE UMA HISTÓRIA DE SUCESSO

Jotamo Cossa conta que deixou a sua terra natal, Xinavane, aos 14 anos de idade, em 1999, rumo à capital do país, Maputo, com o objectivo de prosseguir com os estudos. Na Escola Secundária Noroeste Dois frequentou da sétima até a décima classe. Mais tarde viria a concluir a 12 a na Escola Secundária de Laulane.

O sonho de frequentar o ensino superior ficou adiado, uma vez que não passou no exame de admissão, na Universidade Eduardo Mondlane. Porém, promete que em 2020 está marcado o regresso à escola para frequentar o custo de Gestão de Redes e Sistemas Informáticos.

O primeiro contacto com os negócios, conta Jotamo, deu-se no mercado da Malanga, na banca da sua onde vendia produtos alimentares, maioritariamente, adquiridos da África do Sul. "Ficava muito tempo na banca a ajudar a descarregar os produtos e a vender, mas aos domingos eu assumia o estabelecimento uma vez que a minha mãe tinha que ir a igreja" acrescentou. Entretanto, alguns anos depois, um infortúnio obrigou a mãe do Jotamo Cossa a fechar o estabelecimento e procurar novas oportunidades de negócios no Zimbábwe, onde chegava a ficar seis meses.

Em 2007, com o objectivo de se ocupar, Jotamo foi ao mercado Estrela Vermelha trabalhar na banca de um tio que trazia roupa da África do Sul e recebia, mensalmente, 600 meticais. Porém, a dada altura combinou com o seu parente que no lugar de um pagamento mensal, preferia deixar o dinheiro acumular durante um ano uma vez que pretendia adquirir um terreno para construir uma casa com o objectivo de arrenda-la.

Mas, infelizmente, passado o tempo combinado, o tio não conseguiu honrar com a promessa. Jotamo abandonou o emprego e tomou a primeira iniciativa empreendedora da sua vida. Começou a vender chapéus com a estampa da bandeira nacional com a marca MJC (Manuel Jotamo Cossa).

"Nesta altura eu já conhecia muitos artistas nacionais por isso a divulgação da marca foi fácil e lembro-me que durante o Fama Show (programa de talentos da STV), Nelson Nhanchungue lançou um chapéu para a plateia e a partir daí passei a ser bastante solicitado" revelou.

Mas como o mercado é feito de oportunidades, com o crescimento da indústria gráfica no país o negócio ficou menos atractivo e em 2009 veio a grande aposta e Jotamo Cossa se estabeleceu como referência na área tecnológica.

O primeiro telemóvel que Jotamo Cossa vendeu, foi para a directora de uma escola na cidade de Maputo que gostou do celular que o jovem empreendedor havia adquirido numa loja da Nokia na África do Sul, para usar.

"Aí me apercebi que havia um mercado fértil por isso voltei a África do Sul para comprar mais celulares e as encomendas não paravam de crescer, uma vez que fornecia produto de boa qualidade" disse.

Dois anos depois veio o momento mais importante no percurso de Jotamo, quando conheceu o dr. Azinheira (pai da vice-ministra da Juventude e Desportos, Ana Flávia Azinheira).

“O dr. Azinheira fez encomenda de telemóveis para si e para algumas pessoas próximas. Ele incentivou-me bastante e ajudou em ideias que foram uteis para os meus negócios. El foi um pai para mim”.v

Hoje, Jotamo é responsável por 90% dos telemóveis comercializados no mercado nacional e 50% do total de computadores. Fornece, igualmente, grandes quantidades de televisores.

Além de lojas espalhadas pelo país, o empreendedor conta com a colaboração de 50 jovens que revendem os seus produtos.

Há cinco anos, criou a empresa 60 Segundos Investimentos, virado para o sector imobiliário. Por via desta empresa, possui casa e um lodge, em Xinavane, para além de um condomínio na praia de Bilene.