Benigno Papelo

"O principal receio para o Governo de Moçambique é que os bancos locais tenham alguma dessa dívida resultante de um empréstimo sindicado", disse Robert Besseling em declarações à Lusa, na sequência do acordo anunciado na sexta-feira entre os credores da dívida soberana e o Governo de Moçambique. "O panorama é muito diferente para os 1,2 mil milhões de dólares em empréstimos sindicados envolvendo a Proindicus e a Mozambique Asset Management (MAM), considerou o analista, explicando que "uma anulação desses empréstimos tornaria os valores nulos e potencialmente pode desencadear uma crise bancária no país". O setor bancário, continuou, "já está sob grande pressão", exemplificando com "a paragem no funcionamento dos pagamentos com cartões bancários, o que levantou receios de uma corrida aos bancos para levantar dinheiro". Além disto, o Governo "está a tentar fechar um acordo de 2 mil milhões de dólares de financiamento para a Empresa Nacional de Hidrocarbonetos (ENH), que requer uma garantia soberana". O risco de a ENH "falir é baixo, mas sempre acrescenta mais 2 mil milhões de dólares em garantias soberanas ao já de si significativo peso da dívida", conclui o analista. Na sexta-feira, o Governo moçambicano e uma maioria de detentores dos títulos (‘eurobonds') da empresa pública Ematum anunciaram um acordo, segundo o qual a reestruturação da dívida deve ser implementada no prazo de três meses. "O Ministério [da Economia e Finanças] e os membros do Grupo Global de Obrigacionistas de Moçambique (GGMB) esperam que a reestruturação seja implementada (…) o mais tardar até 01 de setembro de 2019, ou mais cedo, se for viável", lê-se num comunicado daquele ministério. A implementação deverá ser feita "por meio de uma solicitação de consentimento e troca formal em relação às obrigações, as quais o Ministério pretende lançar o mais breve possível", acrescenta. O GGMB tem 60% dos 726,5 milhões de dólares de valor total de títulos de dívida da Ematum, sendo fundos geridos ou assessorados pelas firmas Farallon Capital Europe, Greylock Capital Management, Mangart Capital Advisors e Pharo Management. "O Ministério e o GGMB concordaram em dar início imediato aos trabalhos de boa fé com seus respetivos assessores para chegar a um acordo sobre a documentação mutuamente aceitável e à implementação da reestruturação proposta", acrescenta o comunicado. No entanto, algumas aprovações "somente serão obtidas" após a aceitação formal da reestruturação "pelos detentores de pelo menos 75% do capital em dívida das Obrigações". Os portadores vão ser convidados a trocar os atuais títulos por uma nova série com maturidade a 15 de setembro de 2031. O valor da nova emissão é de 900 milhões de dólares e, segundo o novo acordo, já não inclui instrumentos de valorização (VRI - Value Recovery Instruments) indexados às futuras receitas de gás natural das áreas de exploração 01 e 04, no Norte de Moçambique - previstos numa primeira versão anunciada em novembro. O gás natural vai começar a ser explorado na bacia do Rovuma a partir de 2022 e prevê receitas avultadas para o Estado. Propõe-se uma taxa de juro anual de 5% até 15 de setembro de 2023 e de 9% posteriormente até à data de maturidade, em 2031. O resgate prevê oito prestações semestrais iguais de 112,5 milhões de dólares cada em 15 de março e 15 de setembro dos anos 2028, 2029, 2030 e 2031. Além das novas obrigações, na data de conclusão da reestruturação, Moçambique fará um pagamento em dinheiro aos obrigacionistas elegíveis até um total de 40 milhões de dólares, composto por uma taxa de consentimento e um pagamento por troca. O Ministério da Economia e Finanças moçambicano é assessorado pelas firmas Lazard Frères e White & Case, agindo respetivamente como consultores financeiros e legais. Os atuais títulos da Ematum venceriam em 2023 com uma taxa de 10,5%, mas o Estado deixou-os cair em incumprimento ('default'). As investigações judiciais implicam a empresa pública de pesca de atum no escândalo financeiro das dívidas ocultas do Estado moçambicano, que ascendem a 2,2 mil milhões de dólares e incluem ainda as empresas estatais Proindicus e MAM.
A empresa Electricidade de Moçambique, EDM, sofreu um prejuízo de mais de três milhões de dólares, desde o início deste mês, devido ao roubo de fusíveis, na cidade de Maputo. Só nos últimos quatro dias, foram vandalizados cerca de quarenta armários de distribuição de energia da EDM, na capital do país. A informação foi prestada esta terça-feira, em Maputo, pelo porta-voz da Eletricidade de Moçambique, Emílio Litsure. Emílio Litsure diz que na madrugada desta terça-feira, três indivíduos foram detidos, por alegado furto e sabotagem de um transformador de média tensão. Litsure apela aos cidadãos a colaborarem com a EDM e com as autoridades policiais para a neutralização de malfeitores.
A especulação sobre o impacto da guerra comercial está a aumentar, com os investidores a recearem uma recessão económica e cortes nas taxas de juro, factores que estão a pressionar o setor financeiro e o dólar. Já as obrigações sobem, com os juros a renovarem mínimos. Os mercados em números PSI-20 desceu 1,16% para 4.985,36 pontos Stoxx 600 subiu 0,39% para 370,49 pontos S&P 500 valoriza 0,14% para 2.755,81 pontos "Yield" a 10 anos de Portugal recua 4,9 pontos base para 0,752% Euro aprecia 0,31% para 1,1204 dólares Petróleo recua 0,45% para 61,71 dólares por barril, em Londres Bolsas aliviam das quedas de maio Maio foi um mês negro para as bolsas mundiais, com quedas pronunciadas. O mês de junho ainda arrancou com pessimismo, mas no final da sessão as bolsas europeias fecharam com subidas, num claro alívio de pressão e a seguir a tendência dos principais índices bolsistas americanos, que também iniciaram o dia com ganhos moderados. A guerra comercial tem sido o principal motivo de desestabilização dos investidores, que receiam um impacto elevado na evolução da economia mundial e nas políticas monetárias. Já há mesmo bancos de investimento a preverem que a Fed reduza mais do que uma vez os juros dos EUA este ano. Este ambiente chegou a provocar uma queda acentuada do índice Stoxx600 para a banca, que desceu para o valor mais baixo desde 2 de janeiro. Ainda assim, no fecho, o Stoxx600, índice que agrega as 600 maiores cotadas europeias, fechou a subir 0,39% para 370,49 pontos. A bolsa nacional não conseguiu acompanhar a evolução positiva, terminando o dia com uma queda superior a 1%, numa sessão marcada pela descida acentuada da Mota-Engil, que perdeu mais de 8,5% esta sessão. Segundo os analistas do BPI, no comentário de fecho, a queda é "explicada em parte pelo facto de nas últimas sessões não ter refletido na íntegra a queda do preço do petróleo, bem como pela sua exposição ao mercado mexicano". Investidores refugiam-se nas obrigações e juros atingem novos mínimos Os receios em torno da guerra comercial e do seu impacto no crescimento económico global têm levado os investidores a fugirem dos ativos de maior risco e a reforçarem a aposta em ativos de refúgio, como o dólar, o ouro e a dívida soberana. Esse movimento tem levado à subida das obrigações e consequente queda dos juros, e levou as yields para novos mínimos históricos na sessão de hoje. Foi o caso da Alemanha, Portugal e Espanha. Em Portugal, os juros a dez anos desceram 4,9 pontos base para 0,752% depois de terem chegado a tocar num novo mínimo de sempre, nos 0,7439%. No caso das bunds alemãs, a yield tocou no mínimo de -0,2198%, e em Espanha os juros desceram para 0,689%, o nível mais baixo de sempre. A contribuir para esta queda das yields está ainda a expectativa de que a inflação vai permanecer baixa e que os bancos centrais vão adotar uma postura mais expansionista. Os analistas já antecipam mesmo que a Reserva Federal vai cortar os juros duas vezes este ano, revertendo o movimento de subida que iniciou em 2015. Dólar cai com especulação de corte de juros A especulação sobre medidas que terão de ser implementadas pela Reserva Federal (Fed) dos EUA para ajudar a economia americana, num contexto de guerra comercial, está a aumentar. O JPMorgan estima mesmo que a Fed vá reverter a subida dos juros nos Estados Unidos e anunciar duas descidas este ano: uma em setembro e outra em dezembro. Este cenário está a penalizar o dólar contra as principais moedas. O euro sobe, assim, 0,31% para 1,1204 dólares. Petróleo oscila entre ganhos e perdas Os preços do petróleo seguem sem uma tendência definida, subindo no mercado norte-americano e caindo em Londres. A pesar na negociação continuam os receios de que a guerra comercial entre os EUA e a China afete o crescimento económico mundial, o que terá consequências no consumo desta matéria-prima. O barril do Brent, negociado em Londres e referência para Portugal, desce 0,45% para 61,71 dólares. Já o West Texas Intermediate (WTI), transacionado em Nova Iorque, aprecia 0,09% para 53,53 dólares. Ouro sobe mais de 1% O ouro está a servir de refúgio aos investidores, que receiam que o atual contexto acabe por ditar a redução de juros nos EUA. Isto porque a especulação de que a guerra comercial vai ditar uma contração da economia mundial está a aumentar. O ouro aprecia 1,07% para 1.322,49 dólares por onça.
As duas entidades referem que a descoberta foi feita no projeto de exploração Agidigbo, que contém recursos entre 300 e 400 milhões de barris de petróleo leve. A Agência Nacional de Petróleo, Gás e Biocombustíveis (ANPG) de Angola e a petrolífera italiana ENI anunciaram hoje a quinta descoberta de petróleo no Bloco 15/06, nas águas profundas de Angola. Em comunicado, as duas entidades referem que a descoberta foi feita no projeto de exploração Agidigbo, que contém recursos entre 300 e 400 milhões de barris de petróleo leve. O poço Agidigbo-1 NFW, perfurado pela sonda West Gemini a uma profundidade de água de 275 metros, está localizado 10 quilómetros a sudeste das instalações East Hub, do mesmo bloco, e atingiu a profundidade total de 3.800 metros. “Para se aferir todo o potencial da descoberta no Agidigbo está já projetada uma campanha de avaliação para o início de 2020”, indica-se no comunicado conjunto. A ANPG e o Grupo Empreiteiro do Bloco 15/06, composto pela ENI (operadora, 36,8421% do capital), pela Sonangol P&P (36,8421%) e pela SSI Fifteen Limited (26,3158%), garante-se no comunicado, “continuarão a trabalhar para acelerar o seu desenvolvimento de forma técnica e profissionalmente em linha com o que de melhor se faz em todo o mundo, económica e ambientalmente sustentável”. Trata-se da quinta descoberta de petróleo nas águas profundas no Bloco 15/06, com a última anunciada em 14 de maio passado, em Ndungu, estimada em 250 milhões de barris, depois das efetuadas em Kalimba, Afoxé e Agogo. O poço de Ndungi-1 NFW está localizado a poucos quilómetros do centro da ENI na área e foi perfurado a uma profundidade de 1.076 metros, a que se seguiu uma pesquisa até aos 4.050 metros, onde o crude foi encontrado. O resultado da recolha intensiva de dados indica que poderá obter-se uma capacidade de produção de 10.000 barris por dia. Localizado a cerca de dois quilómetros do campo de Mpungi, o novo poço pode ver a sua produção acelerada face à proximidade do sistema de produção que a petrolífera mantém na zona. Os cinco poços, juntos, contêm uma capacidade estimada em 1.800 milhões de barris de petróleo, embora a ENI tenha já ressalvado que, com estudos mais aprofundados, a previsão possa aumentar. Angola é um parceiro estratégico da ENI para o crescimento da petrolífera italiana, que opera no país desde 1980 e que mantém, atualmente, uma produção diária de cerca de 150.000 barris de crude ou equivalente. A ENI, que opera também no Bloco Norte do offshore de Cabinda, tem dois outros projetos em desenvolvimento no Bloco 15/06. Em 15 de março último, em Milão, o presidente executivo da petrolífera italiana ENI, Cláudio Descalzi, salientou que Angola é “um grande exemplo do modelo de exploração e de aplicação da tecnologia”, salientando que os poços Kalima, Afoxé e Agogo podem entrar em produção em três anos. O campo Kalimba foi descoberto em junho do ano passado a sudeste do Bloco 15/06, e pode ter até 300 milhões de barris de óleo leve, ao passo que o Afoxé foi encontrado já em dezembro, na mesma zona, e pode ter até 200 milhões de barris. O de Agogo foi descoberto aem13 de março deste ano e tem uma capacidade estimada entre os 450 e os 650 milhões de barris. A nível mundial, a petrolífera italiana espera aumentar a produção em 3,5% por ano durante os próximos três anos, apontando como meta a neutralidade das emissões de carbono resultante das suas atividades até 2030.
O ambiente de correção que marcou a semana passada aparenta continuar em Wall Street perante o escalar das tensões comerciais. As FANG (Facebook, Amazon, Netflix e Google) penalizaram o Nasdaq 100. As ações da Alphabet tombaram mais de 6% e por arrasto as ações do Facebook também levaram uma forte queda de mais de 7%. Isto porque há informações que a Federal Trade Commission poderá analisar as suas práticas de negócios e como elas afetam a concorrência digital. Estas performances arrastaram a bolsa dos Estados Unidos. A imprensa internacional – Wall Street Journal (WSJ) – noticiou que a Google, detida pela Alphabet, poderá ser alvo de uma investigação por parte do Departamento de Justiça norte-americano (DoJ). E diz ainda que a Amazon (a cair quase 5%) vai ser alvo de maior escrutínio por parte do DoJ e da Federal Trade Commission. Os reguladores têm apertado a vigilância a grandes tecnológicas por uso de posição dominante. As FANG (Facebook, Amazon, Netflix e Google) penalizaram assim o Nasdaq 100. Com isto o Nasdaq caiu mais do 2% e arrastou o conjunto do mercado. O índice tecnológico perdeu 1,61% para 7.333,02 pontos. O Dow Jones fechou em alta ligeira nos 0,02% para 24.819,78 pontos. Ao passo que o S&P 500 perdeu 0,28% para 2.744,45 pontos. A guerra tarifária dominou o sentimento num dia em que surgiram dados da atividade terciária nos EUA. Em Wall Street houve uma primeira reação negativa aos dados de atividade na indústria, com o ISM a recuar dos 52,8 para os 52,1. O ISM Industria nos EUA cai para os 52,1 em maio, quando se estimava 53. No que se refere ao escalar das tensões comerciais, o Goldman Sachs vê uma probabilidade de 60% dos EUA aplicarem tarifas alfandegárias de 10% nos 300 mil milhões de dólares de produtos importados da China. Já os JP Morgan e Morgan Stanley não esperam um acordo entre as duas nações. O mercado tem a reunião do G20 no Japão (28 e 29 de junho) como o grande evento a seguir nas conversações comerciais EUA/ China. Na frente empresarial, a Centene Corp, no ramo da assistência médica, tombava mais de 8% depois da Humana ter referido que não tem interesse numa potencial aquisição. Já a californiana Amgen, bio-farmacêutica, disparou quase 4% com o sucesso de um teste de um medicamento. A Apple tinha para hoje agendada a WWDC (Apple Worldwide Developers Conference) onde se espera que divulgue o iOS 13. A marcar a sessão dos mercados esteve ainda a recuperação dos preços do petróleo desde os mínimos da sessão, isto depois da Arábia Saudita se ter mostrado confiante de que a OPEP e os seus aliados vão tomar decisões para equilibrar o mercado petrolífero para além de junho. O crude West Texas caiu 1,85% para 57,72 dólares e o Brent, referência na Europa, deslizou 2,87% para 67,46 dólares. Os investidores estarão a observar tudo o que o presidente dos EUA tem a dizer, numa visita oficial ao Reino Unido, tanto sobre as tensões com a China e México como sobre o Brexit. Recorde-se que Trump é um firme defensor do Brexit sem acordo e durante os três dias permanecerá no Reino Unido. O presidente dos EUA tem na agenda encontrar-se com Borish Johnson e Nigel Farage, também defensores desta opção.
Aqui e acolá os pesos pesados da tecnologia em Wall Street tinham já sentido algumas picadas por parte dos reguladores, sendo a mais concreta a investigação da Federal Trade Commission ao Facebook devido ao escândalo da Cambridge Analytica que se prevê custe $5 biliões à empresa co-fundada por Mark Zuckerberg, dos quais $3 biliões foram já deduzidos dos lucros apresentados no primeiro trimestre desde ano. Ontem no entanto e aparentemente, houve uma acção concertada entre a Federal Trade Commission e o Justice Department contra o “clube do trilião”, Amazon, Apple e Google, mais o Facebook. Com efeito ambas as instituições dispararam processos de intenções contra todas elas levando o sector das comunicações do S&P500 para uma queda de -2.79%, ao mesmo tempo que o Nasdaq afundou -1,6%, para entrar em território de correcção, ou seja a perder mais de 10% desde os máximos históricos atingidos no final de Abril. Seja a FTC a investigar o Facebook, sobre como as suas práticas influenciaram a competição no mundo digital, ou o Justice Department que irá lançar uma investigação à Google e que recebeu jurisdição para olhar mais de perto para as práticas da Apple, ou ambas as entidades terem acordado que a FTC irá agora supervisionar a Amazon, foram bicadas sentidas arduamente pelas empresas visadas e que levantaram o espectro da ameaça, agora mais realista, que a senadora Elizabeth Warren referiu há uns meses sobre quebrar o enorme poder que estes gigantes detém no mercado, separando-os em companhias diferentes. Na ajuda aos Bears esteve o dado económico ISM Manufacturing relativo aos EUA, que revelou uma desaceleração da actividade manufactureira para mínimos de Outubro de 2016, contudo tal não foi suficiente para impedir que o sector dos materiais tivesse averbado uma forte subida de 3.42%, devido à valorização de 11,5% nos títulos da Dupont´s, após a empresa ter feito um spin off da sua unidade agrícola Corteva. Nos índices o dia foi atípico com o Dow Jones a registar um ganho de 0.02%, enquanto que o S&P500 cedeu -0.28%, com destaque para uma forte procura por activos refúgio que puxou pelas utilities, imobiliárias e retalhistas de produtos essenciais. Nas matérias primas a segurança também teve clientes, com o Ouro a valorizar mais 1,3% para os $1,328 por onça, enquanto que no mercado cambial o Yen adicionou 0.2% ao seu valor para os 108.07, num dia em que a moeda única brilhou ao subir 0.7%, terminando nos $1.124 O gráfico de hoje é do Nasdaq, o time-frame é Mensal Este mês será muito importante para aferir se o índice tecnológico Nasdaq irá efectivar um duplo topo de longo prazo, o que a suceder poderá significar o fim do Bull market em Wall Street, que leva já dez anos.
O Banco de Moçambique (BM) assim como os bancos comerciais continuam na expectativa sobre o que Filipe Nyusi vai fazer para reanimar a economia e mantiveram a Prime Rate do Sistema Financeiro no mesmo valor de Fevereiro, deixando as taxas de juro acima dos 20 por cento. Irá o Governo fazer um orçamento rectificativo ou esticar este que é deficitário até a tomada de posse do vencedor das Eleições Gerais em 2020? Desde que o banco central interrompeu a descida da Taxa MIMO e travou a redução do Indexante Único, em Fevereiro passado, a taxa única de referência para as operações de crédito em Moçambique, Prime Rate do Sistema Financeiro, fixou-se em 19,50 por cento e assim vai continuar durante o mês de Junho influenciada também pelo Prémio de Custo dos bancos comerciais, que deveria ser revisto trimestralmente, mas nunca foi alterada desde que é tornada pública. A Prime Rate do Sistema Financeiro adicionada às margens de lucro, spreads, que os bancos comerciais não mexem desde 2018 mantém as taxas de juro a retalho acima dos 20 por cento. A cautela do BM continua a dever-se às incertezas sobre o futuro (que tão cedo não será melhor) antes do Ciclone Idai o crescimento real do Produto Interno Bruto (PIB) este ano já havia sido revisto dos 4,7 por cento que o Executivo inscreveu no seu Orçamento de Estado para 3,8 por cento. Após os ciclones que massacraram o Centro e o Norte de Moçambique a expectativa, do Fundo Monetário Internacional, é que o Produto Interno Bruto possa desacelerar para apenas 1,8 por cento. Outra incógnita é se o Governo vai rever o seu Orçamento, que iniciou com um défice de 93 biliões de Meticais mas deverá ter aumentado pelos impactos dos ciclones Idai e Kenneth. Paralelamente o Executivo tem enfrentado dificuldades em financiar o défice através da emissão de Dívida Pública Interna e continua a espera que os Parceiros de Cooperação aumentem a contribuição para Educação, Saúde e até mesmo paguem as Eleições Gerais de Outubro. O @Verdade sabe que a decisão de rever o Orçamento do Estado, ou não, será tomada após a Conferência Internacional de Doadores que acontece nesta sexta-feira (31) e no sábado (01) na Cidade da Beira. Se os doadores comprometerem-se a desembolsar pelo menos 900 milhões de Dólares norte-americanos ainda em 2019, do pedido de 3,2 biliões, é muito provável que o Governo de Filipe Nyusi continue a deixar a economia arrastar-se, pelo menos até a posse dos vencedores das Gerais de Outubro. Existe também a esperança que após a Decisão Final de Investimento na Área 1 da Bacia do Rovuma alguns biliões de divisas fluam para Moçambique e contribuam para reanimar a economia. Facebook
Os cidadãos que forem responsáveis pela violação da lotação determinada para cada veículo de transporte de passageiros poderão a ser multados ao abrigo do Decreto 35/2019, que entrará em vigor em Agosto no nosso país. “É preciso trazer esta consciência e responsabilidade do passageiro sobre o que é que significa ir à bordo de um veículo que já está cheio”, esclareceu ao @Verdade o director Nacional dos Transportes e Segurança do Ministério dos Transportes e Comunicações. “No transporte urbano, as multas por excesso de lotação são aplicadas ao passageiro correspondendo ao valor da passagem do trajecto em que a viatura encontra-se licenciada e o mesmo é obrigado a desembarcar”, determina o número 4 do Artigo 106 do novo Regulamento de Transporte em Veículos Automóveis. Entrevistado pelo @Verdade o director Nacional dos Transportes e Segurança do Ministério dos Transportes e Comunicações explicou: “Aqui nós pretendemos trazer uma terceira figura para ajudar, as vezes o excesso de lotação é decorrente da solicitação do próprio passageiro, embora isso não isente a responsabilidade por parte do condutor e ou do operador. Aqui é preciso fazer uma conjugação entre o Código da Estrada, já prevê a lotação do veículo de tal forma que não isenta ao operador, e o número 4 do Artigo 106 para que a operação de transporte seja em conformidade”. “É preciso trazer esta consciência e responsabilidade do passageiro sobre o que é que significa ir à bordo de um veículo que já está cheio, isso também vai despertar aos outros utentes quem foi o último a entrar extravasando a lotação tem que ser responsabilizado”, esclareceu ainda Cláudio Zunguze. Ademais o artigo sobre “Lotação” define ainda que: “Nas carreiras inter-provinciais e internacionais, o passageiro tem direito a um lugar sentado devidamente marcado”. “Em carreiras urbanas, na ficha de inspecção será indicado o número de passageiros que podem viajar em pé, observando as condições compatíveis do veículo e segurança dos utentes”. O número 3 responsabiliza: “Por cada passageiro em excesso, o operador é sancionado com multa correspondente ao valor da passagem do trajecto mais longo em que a viatura se encontra licenciada, para o transporte inter-provincial e internacional”.
O Standard Bank voltou a ganhar dinheiro com a crise em Moçambique tendo obtido em 2018 um resultado líquido de 5,6 biliões de Meticais e lucrado 9 biliões de Meticais ainda assim, o terceiro maior banco comercial, lamenta que os “sucessivos cortes na taxa de juro de política monetária pelo Banco de Moçambique” reduziram os seus lucros em 9,4 por cento. A crise económica e financeira que o nosso país enfrenta desde 2016, causada por bancos estrangeiros e pela ganância de políticos, continua a proporcional rendimentos bilionários às instituições financeiras que operam em Moçambique. O Standard Bank que no ano anterior ao da crise tinha facturado 2,8 biliões de Meticais tem visto a sua Margem financeira crescer desde então, em 2016 quase duplicou para 5,3 biliões, em 2017 voltou a quase duplicar para 9,4 biliões e no exercício económico de 2018 ficou-se pelos 9,2 biliões de Meticais. Enquanto os moçambicanos desesperam pela descida das taxas de juro que asfixiam a quem tem empréstimos bancários ou a quem precise de financiamento para investir o terceiro maior banco comercial lamenta as medidas do banco central para conter a crise. “A nossa margem financeira esteve sob pressão este ano devido à prevalência de uma conjuntura de taxas de juro baixas. Os sucessivos cortes na taxa de juro de política monetária pelo Banco de Moçambique, que ascenderam a um total de 525 pontos base, levaram a nossa margem financeira a cair de 10,7 por cento em 2017 para 9,4 por cento”, afirma o Standard Bank no seu Relatório e Contas de 2018. A instituição financeira que tem como accionista maioritário um Banco de investimento do Reino Unido lamenta ainda que “Um aumento do custo de liquidez em moeda estrangeira veio acrescer a essa pressão, da mesma forma que o impacto do crescimento de 21.2 por cento dos depósitos a prazo em moeda local”. “No entanto, o crescimento dos activos remunerados moderou o impacto de ambos os factores, preservando assim a margem financeira, marginalmente inferior comparada com 2017”, declara a instituição financeira. Standard Bank tem 30 biliões investidos na dívida pública de Moçambique O Relatório e Contas mostra que os activos financeiros que preservaram a bilionária Margem Financeira do Standard Bank são Títulos da Dívida Interna Pública que o Governo de Filipe Nyusi tem vendido para financiar os seus deficitários orçamentos de Estado: “Os activos financeiros, no valor de 30.777.009.441 Meticais compreendem bilhetes do tesouro e obrigações do tesouro de Moçambique. Contém itens de curto e médio longo prazo, com a classificação associada ao Governo de Moçambique, sem histórico de perdas, qualificando como “Monitoria padrão” na classificação interna do Banco”. Dessa carteira de dívida pública interna o Standard Bank tem 29,9 biliões de Meticais investidos em Bilhetes do Tesouro enquanto nas Obrigações do Tesouro investiu pouco mais de meio bilião de Meticais. No ano anterior a crise o banco tinha em carteira 6,8 biliões em Títulos do Tesouro que aumentou para 13,9 quando as taxas de juros começaram a subir e em 2017 aumentou os investimentos na dívida interna para 29,5 biliões de Meticais. O Banco de Moçambique indica no seu último Relatório Anual da Situação Macroeconómica que “com os bancos a revelarem uma maior preferência por Bilhetes do Tesouro para o prazo de 364 dias” cujo stock total passou de 34,6 biliões em 2016 para 93,9 biliões em 2017 e no ano passado chegou aos 116,8 biliões de Meticais. Apesar da crise, e num ano em que a economia desacelerou para uma percentagem similar a de duas décadas atrás, antes de iniciar o boom da industria extrativa, o Standard Bank revela que “alcançou bons resultados em 2018 apesar da modesta actividade económica durante o ano, o que teve custos para o consumo e para as actividades de investimento”. “Com um valor de 5.598 milhões, os nossos resultados líquidos de impostos em 2018 mantiveram-se praticamente inalterados face aos alcançados em 2017, que foram de 5.595 milhões”, declara ainda o banco no seu Relatório e Contas.
Uma alegada ocorrência de minerais ao longo da avenida Eduardo Mondlane na cidade de Nampula, onde decorrem obras de terraplanagem da segunda faixa da estrada, está a agitar a população que procura encontrar pedras preciosas entre os escombros. As máquinas estão em movimento mas, ninguém se importa pelo perigo. A direcção provincial dos Recursos Minerais e Energia explica que o minério que está a ser encontrado é de baixo valor comercial e que foi transportado a anos para aquele local, onde se localizava uma empresa que detinha uma licença de comercialização mineira. “Houve um material que segundo o titular era de baixo valor comercial. A granada foi transportada de um ponto para aquele local, de acordo com os tamanhos das pedras”, explicou Mucussete António, Tec. Rec.Minerais. As obras de terraplanagem da segunda faixa da avenida Eduardo Mondlane iniciaram sexta feira depois do “O País” ter veiculado a notícia da falta de vias alternativas no conselho autárquico de Nampula.