Benigno Papelo

O presidente do Banco Africano de Desenvolvimento (BAD) defendeu hoje a abolição dos vistos nas viagens entre os países africanos, considerando que isso será “crucial” para aumentar a integração regional e potenciar o desenvolvimento económico. “É preciso derrubar os muros entre nós, o movimento livre de pessoas, e especialmente a mobilidade laboral, são cruciais para promover os investimentos”, disse Akinwumi Adesina durante o discurso de abertura oficial dos Encontros Anuais do BAD, que decorrem até sexta-feira em Malabo, a capital da Guiné Equatorial. O tema do encontro deste ano, a integração regional, ocupou grande parte do discurso do presidente, que apresentou o BAD como “o banco de África” e reforçou a necessidade de aumentar o capital social desta instituição para fazer face aos desafios de financiamento que o continente enfrenta. “Estou absolutamente confiante que os acionistas irão pôr o interesse dos africanos primeiro e dar ao banco dos africanos o financiamento necessário para atingirmos os objetivos do desenvolvimento”, disse Adesina, acrescentando que “os grandes resultados requerem grandes ambições, por isso o banco de África não deve pensar pequeno, e os acionistas também não devem pensar pequeno”. Na intervenção, o banqueiro passou em revista as principais atividades do banco nos últimos 12 meses, salientando o investimento de “mais de mil milhões de dólares que serviram para apoiar 111 transações em 43 países, e que resultaram num aumento de 7 mil milhões de dólares em negócios intrarregionais feitos”, os mil milhões canalizados para o Banco Africano de Exportações e Importações (Afreximbank) e os 630 milhõe direcionados para linhas de crédito para potenciar o desenvolvimento económico.
Quarta-feiray, 12 June 2019 08:28

Bolsa de Tóquio abre a perder 0,21%

A bolsa de Tóquio abriu hoje em terreno negativo, com o principal índice, o Nikkei, a perder 0,21% para 21.159,74 pontos. De igual forma, o segundo indicador, o Topix, recuou 0,27%, nas primeiras transações do dia, para 1.557,17 pontos. O índice Nikkei reflete a média não ponderada dos 225 principais valores da bolsa de Tóquio, enquanto o indicador Topix agrupa os valores das 1.600 maiores empresas cotadas.
Os investidores continuam preocupados com a perspetiva de que as duras negociações do presidente Donald Trump sobre comércio com Pequim e outros países possam vir a empurrar a economia de volta a uma recessão. Wall Street não resistiu a mais um capítulo na guerra comercial entre EUA e China com a perspetiva de que poderá não haver acordo entre as partes no próximo encontro do G20 a 28 e 29 deste mês e, como consequência, sejam aplicadas novas tarifas à China. Os investidores mostraram pouco otimismo num desfecho para este conflito e os principais índices ressentiram-se. Assim, o Dow Jones recuou 0,06% para 26.048,30 pontos, o Standard & Poor’s 500 desvalorizou 0,03% para 2.885,72 pontos e o o tecnológico Nasdaq foi o menos penalizado com uma quebra de 0,01% para 7.822,57 pontos. Os investidores continuam preocupados com a perspetiva de que as duras negociações do presidente Donald Trump sobre comércio com Pequim e outros países possam vir a empurrar a economia de volta a uma recessão. “No panorama da guerra comercial Trump ameaça com a imposição de novas tarifas à China caso o presidente Xi Jinping não compareça à reunião do G20 que terá lugar no final deste mês no Japão, mas a decisão do presidente americano de suspender indefinidamente a aplicação de novas tarifas ao México foi bem recebida”, explica Ramiro Loureiro. Donald Trump salientou na noite de segunda-feira que estava pronto para impor uma nova ronda de tarifas sobre as importações chinesas se não houvesse um progresso nas negociações com o presidente chinês, Xi Jinping, na cimeira do G20, que vai decorrer em Osaka, no Japão entre 28 e 29 de junho. O presidente dos Estados Unidos espera encontrar-se com Xi Jinping, embora a China ainda não tenha confirmado nenhuma dessas reuniões. A China ajudou na recuperação das ações asiáticas e europeias na terça-feira, depois de permitir que os Governos locais usassem recursos de títulos especiais para grandes projetos de investimento numa tentativa de apoiar a desaceleração da economia.
Quarta-feiray, 12 June 2019 08:24

Balão de optimismo esvaziado, ou só uma pausa?

Alguém vai ter de ceder, não se sabendo qual a parte mais obstinada, sendo mais provável que em último caso quem irá ceder serão os Bulls, que serão algo amparados pelo FED amigo e o seu novo lado dovish. Ainda com o oxigénio do “acordo” alcançado entre os EUA e o México, com vista a minorar a questão da entrada de imigrantes ilegais nos EUA, que levou Trump a suspender por tempo indeterminado as tarifas alfandegárias de 5%, para começar, sobre os produtos importados do México, os investidores puxaram por Wall Street nos primeiros minutos da sessão de ontem rumo a novos máximos, contudo depressa o entusiasmo requentado esmoreceu e os índices norte-americanos encetaram um movimento descendente que só parou perto da hora de almoço local, quando o mercado atingiu os mínimos do dia, já em território negativo. Após isso os Bulls ainda esboçaram uma reacção, mas no final os valores aproximaram-se do patamar mais baixo da sessão, dominando um sentimento de pouco interesse em levar os índices para qualquer um dos lados. Aliás, ritmo que poderá ser uma constante nos próximos dias, na ausência de notícias sobre a guerra comercial que está para durar, até porque ontem o presidente norte-americano voltou a frisar que não tem pressa alguma em retomar as negociações, pelo menos enquanto a China não aceitar chegar a acordo em quatro ou cinco pontos essenciais, referindo igualmente que se o assunto não ficar resolvido na cimeira do G-20 no final do mês, então as tarifas de 25% sobre os restantes $300 biliões de importações da China entrarão “automaticamente” em vigor, colocando assim pressão na outra parte, que no entanto e como é sabido, não costuma ceder a este tipo de provocação, ou seja alguém vai ter de ceder, não se sabendo qual a parte mais obstinada, sendo mais provável que em último caso quem irá ceder serão os Bulls, que serão algo amparados pelo FED amigo e o seu novo lado dovish. No final do dia as variações foram residuais e não excederam os -0.05% de perda, com algum destaque apenas para o sector industrial que averbou uma queda de -0.9% no S&P500, devido à desvalorização superior a -5% nos títulos da Raytheon, após Trump ter colocado algumas reservas à fusão desta empresa com a United Technologies devido a uma eventual redução de concorrência. O gráfico de hoje é do CTT, o time-frame é Semanal Depois de quebrarem em baixa o canal descendente (linhas azuis), os títulos dos CTT poderão ir testar essa mesma linha de quebra.
A economista-chefe do Banco Africano de Desenvolvimento (BAD), Hanan Morsy, disse hoje que a tensão comercial entre os Estados Unidos e a China fortalece a necessidade de os países africanos avançarem para uma maior integração regional. "O contexto global de aversão ao multilateralismo, e até uma reversão desse modelo, fortalece a necessidade de o continente africano reforçar a integração regional par contrariar o impacto global dessas tendências", disse Hanan Morsy, em entrevista à Lusa no âmbito dos Encontros Anuais do Banco Africano de Desenvolvimento (BAD), que decorrem até sexta-feira em Malabo, a capital da Guiné Equatorial. "O que vimos neste e no último ano foi histórico em termos de esforço de integração regional em África", disse a economista, lembrando que "o facto de o acordo de livre comércio em África ter sido lançado no último ano e já termos chegado às 22 ratificações, entrando em vigor enquanto tratado é um progresso enorme, um momento histórico em termos do empenho no caminho para mais integração". Na entrevista à Lusa, Hannah Morsy vincou que para a África austral - região que inclui Angola e Moçambique -, o crescimento previsto de 1,2% para este ano "é modesto devido aos efeitos do abrandamento económico na África do Sul", que tem impacto nos outros países. "Num cenário ambicioso, a África austral deve ter um aumento de 3% em termos de rendimento com a implementação do tratado, o que compara com cerca de 7% para a África central devido ao facto de muitos destes países serem isolados do mar", explicou a economista-chefe do BAD. "Nem todos beneficiam na mesma medida, mas todos os países africanos estarão bem melhor do que sem integração regional", concluiu a responsável, que hoje lançou oficialmente o relatório com as Perspetivas Económicas Africanas. A diretora do Departamento de Pesquisa e Previsões Macroeconómicas do BAD considerou que se os constrangimentos criados pelos governos africanos fossem resolvidos o continente deixaria de perder um milhão de empregos por ano. Hanan Morsy disse ainda que não tem havido um foco suficientemente forte na criação de emprego e explicou que o continente perde 2,3 milhões de empregos anualmente devido a constrangimentos empresariais, que poderiam reduzir-se em um milhão. "Tentámos quantificar as dificuldades e os empregos perdidos anualmente por causa das principais dificuldades enfrentadas pelas empresas e concluímos que há 2,3 milhões de postos de trabalho perdidos anualmente devido a constrangimentos empresariais, e identificámos que as maiores quatro dificuldades sentidas pelas empresas estão relacionadas com os governos, e são as licenças, mau funcionamento dos tribunais, instabilidade política e corrupção", afirmou Hanan Morsy. "Resolvendo apenas estes quatro principais problemas relacionados com os governos, o continente reduziria a perda de empregos em mais de um milhão por ano [para menos de 1,3 milhões]. Portanto, há um papel para os governos no que diz respeito à ajuda à eliminação dos constrangimentos principais que estão a impedir as empresas de crescerem e criarem empregos, ajudando à industrialização de África", acrescentou a egípcia que o BAD contratou, no ano passado, ao Banco Europeu de Reconstrução e Desenvolvimento, em Londres, aonde estava desde 2012.
A companhia italiana ENI, que lidera um consórcio num projecto de gás natural em Moçambique, quer contratar serviços de “forças armadas” para a protecção da empresa e das suas instalações no território nacional, refere um anúncio da petrolífera. “Os serviços de segurança devem incluir, mas não se limitarem a equipas armadas de segurança pessoal e forças armadas locais”, lê-se no anúncio. O serviço deverá garantir protecção às instalações da ENI em Moçambique em terra e no mar, acrescenta. A empresa contratada será responsável pela protecção dos interesses da ENI na província de Cabo Delgado, onde a empresa lidera um consórcio que vai desenvolver um projecto de produção de Gás Natural Liquefeito (GNL) a partir de uma plataforma flutuante. Os serviços de segurança serão estendidos aos escritórios da empresa nas províncias de Maputo, sul, e Nampula, norte. "Os serviços serão, indicativamente, necessários a partir do início de 2020 por um período de três anos, com a possibilidade de extensão por um período de um ano", lê-se no texto. Em Março, o presidente executivo da ENI, Claudio Descalzi, disse à Lusa que a produção de gás no campo petrolífero Mamba, em Cabo Delgado, deve começar até 2024, uma vez que a Exxon, parceira do projecto, deverá tomar a decisão final de investimento a seguir ao verão. Além do consórcio da ENI, a bacia do Rovuma conta também com um projecto de GNL do consórcio dirigido pela norte-americana Anadarko, que vai anunciar a decisão final de investimento na próxima semana, em Maputo. Alguns distritos próximos das áreas de infraestruturas das multinacionais envolvidas nos projectos de gás natural em Cabo Delgado têm sido alvo de ataques armados por parte de grupos desconhecidos, desde Outubro de 2017.
A inflação média a 12 meses em Moçambique registou em Maio a primeira descida deste ano, embora ligeira, de acordo com dados ontem divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE). O indicador registou em Maio uma redução de 0,08 pontos para 4%, depois de ter seguido uma tendência de subida, de Janeiro a Abril, de 3,91% para 4, 08%. A inflação média a 12 meses situa-se hoje em níveis, consideravelmente, mais baixos que os do passado, depois de uma descida constante desde Maio de 2017, altura em que se cifrava em 22,33%. A inflação homóloga em Maio foi de 2,42%, e, ainda de acordo com o Índice de Preços no Consumidor (IPC) do INE, houve uma deflação (inflação negativa) de 0,31%. A inflação mensal, em 2018, foi sempre inferior a 1% e chegou a ser negativa em Junho e Julho. Os valores do IPC são calculados a partir das variações de preço de um cabaz de bens e serviços, com dados recolhidos nas cidades de Maputo, Beira e Nampula. A inflação acumulada nos primeiros cinco meses de 2019 é de 1,61%. De acordo com o INE, a inflação acumulada (anual) em 2018 foi de 3,52%, os mesmos pontos percentuais da inflação homóloga em Dezembro do último ano.
O departamento económico do Standard Bank indica que as empresas do sector privado moçambicano foram estimuladas por um aumento considerável em novos negócios no mês de Maio, tendo impulsionado o crescimento da actividade para o nível mais forte em seis meses. Como resultado disso, o emprego cresceu a um ritmo moderado e houve aumento na compra de meios de produção. Além disso, as empresas depararam-se com o incremento menos acentuado nos custos globais dos meios de produção desde Abril de 2015. Estas leituras constam do Purchasing Managers IndexTM (PMITM), onde valores acima de 50 apontam para uma melhoria nas condições para as empresas no mês anterior, enquanto as leituras abaixo de 50 mostram uma deterioração. Com índice de 52,3 em Maio último, o Standard Bank aponta para sólida melhoria nas condições para as empresas, em relação ao mês de Abril (49,9%), que também foi a mais rápida desde Setembro de 2017. A contribuir para a subida do valor do índice esteve um sólido aumento em novas encomendas nas empresas moçambicanas em Maio. A taxa de crescimento foi a mais rápida em 19 meses. Como tal, as empresas expandiram os seus níveis de produção em Maio, tendo a taxa de aumento sido a mais acentuada em seis meses. “Isto significou que as empresas conseguiram dar conta das encomendas em atraso, tendo o nível de negócios pendentes descido ligeiramente desde o mês anterior”, referem os economistas do Standard Bank. Entretanto, as cadeias de fornecimento foram ligeiramente comprometidas em Maio. Os membros do painel indicaram uma subida pouco significativa nos tempos de entrega, depois de reduções consideráveis durante os primeiros quatro meses. “Evidências pontuais constataram que problemas nos fornecedores originaram vários atrasos nas entregas dos meios de produção”, escrevem os economistas. Paralelamente, a actividade de contratação aumentou nas empresas moçambicanas, pois uma procura mais forte levou as firmas a aumentar os números de postos de trabalho a um ritmo fraco, mas mais rápido. Apesar deste aumento, os custos dos salários subiram a um ritmo mais lento do que o observado em Abril. No geral, e do inquérito realizado pelo Standard Bank, as empresas mostraram-se fortemente optimistas quanto ao aumento da produção no futuro, com alguns dos inquiridos afirmaram ter planos para abrir novos negócios no próximo ano, enquanto outros estavam concentrados em expandir as suas bases de clientes.
O Grupo Interministerial de Remoção a Barreiras ao Investimentos recomenda a simplificação de procedimentos para os empresários nacionais. A recomendação foi dada esta segunda-feira, em Chimoio, província de Manica, no seminário de divulgação do Plano de Acção para a melhoria do ambiente de negócios, realizado pelo Ministério da Indústria e Comércio e parceiros. O membro do Grupo Interministerial de Remoção a Barreiras ao Investimentos, Mussa Osmane, defende a promoção da competitividade e a certificação dos produtos nacionais, com vista a melhorar o ambiente de negócios no país.
O índice de produção das empresas do sector da indústria extractiva em Moçambique registou a maior desaceleração dos últimos cinco trimestres, ao abrandar para 2% entre Janeiro e Março de 2019. Os primeiros três meses deste ano foram negativos para a indústria extrativa. O índice de produção deste ramo de actividade económica desacelerou 2%, após uma aceleração de 15,2% no quarto trimestre de 2018. No terceiro trimestre do ano passado, o Produto Interno Bruto deste sector fora de 9,6%, cerca de 9,7% no segundo e 7,7% no primeiro trimestre do mesmo ano, refere o Instituto Nacional de Estatística (INE) nas suas “Contas Nacionais de Moçambique”, consultados pelo “O País”. Este comportamento do sector extractivo está em linha com a “velocidade lenta” da economia moçambicana no início do ano. Dados do INE apontam para uma desaceleração do PIB em 0,5 pontos percentuais, para 2,5% no primeiro trimestre deste ano, contra 3% do fecho de 2018. O nível de crescimento do PIB registado no primeiro trimestre deste ano, representa uma desaceleração da economia em 1.2 pontos percentuais que no trimestre homólogo. O desempenho menos bem conseguido no trimestre em análise é atribuído ao sector terciário que cresceu apenas 2.7%, com maior destaque para os ramos de aluguer de imóveis e serviços prestados as empresas com crescimento na ordem de 5%, seguido pelo ramo de transportes, armazenagem, actividades auxiliares dos transportes, informação e comunicações com 3.3%. Segue-se o sector primário com um crescimento de 2.5%, induzido pelo ramo da agricultura, pecuária, caça, silvicultura, exploração florestal, actividades relacionadas com 2.6%. Já o sector secundário registou um crescimento moderado de 0.5%, impulsionado pelo ramo da indústria transformadora com uma variação positiva de 2.9% e negativamente pelo ramo de electricidade, gás e distribuição de água com menos 7.1%. No período em análise, o ramo da agricultura, pecuária, caça, silvicultura, exploração florestal, actividades relacionadas e pesca, teve maior participação na economia com um peso no PIB de 23.1%, seguido do ramo comércio e serviços de reparação com 10.6%. Ocupa o terceiro lugar os ramos dos transportes, armazenagem, actividades auxiliares dos transportes, informação e comunicações com uma contribuição conjunta de 10.4%. O ramo da indústria de extracção mineira teve um peso de 6.2% no Produto Interno Bruto.
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