Benigno Papelo

Agricultura, pescas, turismo, energia e infraestruturas são algumas das áreas incluídas num memorando de entendimento assinado entre os dois países à margem da Cimeira económica EUA-África que decorre em Maputo. Moçambique e os Estados Unidos da América assinaram na quarta feira (19.06), um memorando de entendimento para dinamizar a cooperação bilateral. O acordo foi rubricado no âmbito da 12ª cimeira EUA-África, que decorre na capital moçambicana até ao dia 21 de Junho. Para Florizelle Liser do Corporate Council on Africa, entidade que lida com questões de comércio entre os Estados Unidos e África, trata-se de ampliar a cooperação bilateral: "Queremos que as empresas norte americanas, para além daquelas ligadas ao petróleo e gás, tenham oportunidades asseguradas aqui e no continente”. No certame, a secretária adjunta norte-americana do Comércio, Karen Dun Kelly, destacou a importância de África como parceiro comercial, mas disse que este continente deve melhorar o ambiente de negócios: "Diversas empresas norte-americanas têm tido dificuldades em fazer negócios em África devido nomeadamente a questão de infraestrutura, riscos, limitações colocadas aos bancos, leis complicadas, falta de transparência e burocracia excessiva” , disse Dun Kelly. Melhorar o ambiente de negócios O presidente da Confederação das Associações Económicas de Moçambique, CTA, Agostinho Vuma, concorda que o continente deve priorizar a aceleração das reformas ao ambiente de negócios. "Dos dez países aqui presentes representados pelos seus Chefes de Estado, apenas quatro situam-se entre as 100 melhores posições do "Doing Business”, disse Vuma numa referência ao índice do Banco Mundial do ambiente de negócios em 190 países. Para ultrapassar os obstáculos ao ambiente de negócios, o porta-voz do Ministério Moçambicano dos Negócios Estrangeiros, Geraldo Saranga, aponta que o país deve "formar o nosso empresariado para saber utilizar as ferramentas de informação e comunicação, entender o mecanismo que é utilizado, muitas vezes, pelas organizações financeiras internacionais sobre o acesso e utilização dos fundos”. Saranga realçou que muitos empresários moçambicanos não só ainda necessitam de muito apoio financeiro, como até de assistência na formulação dos projetos empresariais. Aumentar a qualidade da produção Em 2000 os EUA promulgaram uma lei conhecida sob o acrónimo que facilita a países africanos o acesso ao mercado nacional. Os responsáveis afirmam que o continente não tem explorado devidamente as vantagens proporcionadas pela lei. No caso específico de Moçambique, do volume total de exportações para os EUA em 2018, estimado em perto de 88 milhões de euros, só beneficiaram deste instrumento cerca de um milhão de euros. O Presidente da CTA, Agostinho Vuma, vê ainda a necessidade das empresas moçambicanas melhorarem a qualidade da produção, para que os produtos colocados no mercado global correspondam a padrões internacionalmente aceites. "Este é o desafio que estamos a resolver com as certificações, com as formações que estamos a promover”. O adido económico da Embaixada Americana em Maputo, Damon Dubrid, considera que para além das exigências mencionadas, as empresas também querem "estabilidade e saber como é que funcionam as regras e os processos para criar uma empresa aqui em Moçambique”. Durante os debates desta quarta-feira da cimeira, que conta com a participação de cerca de 1500 delegados de diversos países, foi sublinhada a necessidade da consolidação das comunidades regionais de desenvolvimento, de reformas económicas, da criação de infraestruturas, do financiamento do empresariado e da formação do capital humano.
O Instituto Nacional de Petróleo (INP) arranca já no próximo mês, com auditoria às contas da Sasol. O processo visa aferir os reais custos de operação declarados por esta petroquímica sul-africana que explora hidrocarbonetos em Moçambique. O Governo moçambicano procede com o processo de certificação dos custos recuperáveis, resultantes das operações de pesquisa de gás e petróleo. As petrolíferas Eni e Anadarko foram as primeiras a serem auditadas pelo Instituto Nacional de Petróleo. A auditoria, cujos resultados serão conhecidos até finais deste ano, é referente aos exercícios económicos de 2015, 2016 e 2017. “Até ao momento foi finalizado e emitido o relatório referente ao exercício económico de 2015 e submetido às concessionárias para efeitos de contraditório de acordo com a Lei”, lê-se na Conta Geral do Estado de 2018, a que “O País” teve acesso. Enquanto aguarda-se pelos resultados das auditorias à Eni e Anadarko, o INP notificou a 9 de Maio passado, a petroquímica Sasol, da auditoria que será alvo a 16 de Julho próximo. Este levantamento será feito nas operações da Sasol nos blocos de Pande e Temane, na província de Inhambane, onde explora reservas de gás natural que é transportado através de um gasoduto de 865 quilômetros ao sul de Moçambique até à vizinha África do Sul. Refira-se, que este processo é levado a cabo após suspeitas de custos inflacionados pelas empresas.
A moeda angolana abriu hoje a semana a apreciar-se ligeiramente face à europeia e mantém-se em mínimos históricos, há uma semana, frente à norte-americana, transacionando-se a 383,920 kwanzas/euro e 340,687 kwanzas/dólar, indicam dados do Banco Nacional de Angola (BNA). No dia 10 deste mês, segundo o banco central angolano, a moeda angolana atingiu o valor mais baixo de sempre, ao situar-se nos 385,044 kwanzas/euro (apreciou-se depois ligeiramente para 384,602 kwanzas/euro), o mesmo sucedendo, então, em relação à norte-americana, cujo câmbio se tem mantido desde então. Desde 09 de janeiro de 2018, quando as autoridades de Luanda puseram termo à taxa de câmbio fixa e começaram a vender aos bancos comerciais as divisas em leilão, primeiro trissemanais e atualmente diárias, o kwanza já se depreciou 51,708% face ao euro e 51,298% em relação ao dólar. Em janeiro de 2018, um euro equivalia a 185,4 kwanzas, enquanto um dólar se transacionava a 165,92 kwanzas. Em janeiro, mas deste ano, um euro equivalia a 352,828 kwanzas, enquanto o dólar era transacionado a 310,158 kwanzas. Hoje, no mercado paralelo, o euro transaciona-se entre os 520 e 540 kwanzas, enquanto o dólar se situa entre os 440 e 460.
As guerras de preço entre as companhias aéreas europeias têm vindo a prejudicar a Lufthansa, que revê a previsão para o lucros anual em baixa pela segunda vez. A Deutsche Lufthansa reviu em baixa as previsões de lucro pela segunda vez este ano, acusando a pressão da guerra de preços na Europa. Os títulos da Lufthansa seguem a deslizar 9,78% para os 15,96 euros mas já caíram até um mínimo de abril de 2017 - os 15,82 euros, os quais traduzem uma quebra de 10,57%. A Lufthansa espera uma margem de lucros ajustada, antes de impostos, de 5,5% a 6,5% no acumular do ano. Esta perspetiva fica aquém dos 6,5% a 8% que eram apontados anteriormente. A revisão "não augura boas notícias", diz um analista da Bernstein, Daniel Roeska, consultado pela Bloomberg. Para acalmar os investidores será necessário mais do que um plano estratégico de longo prazo, acrescenta o mesmo analista. Na apresentação de resultados do primeiro trimestre, a Lufthansa disse que esperava que as receitas aumentassem, num contexto de forte procura.
Antony Cahill, administrador da Visa, não decreta a ‘sentença de morte’ ao numerário, embora já nem use cartões de crédito. “Faço tudo pelo telefone”. Será uma das maiores alterações de paradigma alguma vez vistas. A inteligência artificial (IA), aliada ao tratamento de dados potenciado pelos avanços computacionais, vai reformular a essência da indústria bancária. Teremos um banco no bolso, guardado no smartphone, a qualquer hora e a qualquer lugar. E, à medida que a conveniência dos serviços financeiros aumenta para o cliente final, também a informação que as instituições financeiras guardam dos clientes cresce exponencialmente. Para Antony Cahill, managing director da Visa para a região europeia, umas das consequências da conjugação entre IA, aumento da capacidade computacional e tratamento de dados traduzir-se-á na possibilidade de “conceder o crédito certo, ao preço certo”. “Pense-se em todas as fontes de dados que ficarão disponíveis quando estivermos a tomar uma decisão sobre crédito através do homebanking”, começou por referir Antony Cahill. “Enquanto mutuante, vou conseguir tomar uma decisão muito mais informado sobre o risco de crédito do mutuário”, salientou. “Vou perceber os hábitos de consumo e saber qual é que é o momento mais adequado para conceder crédito”. No que diz respeito a algumas relações bancárias, parece que o futuro da banca já passou por Antony Cahill. Referindo-se a cartões de débito ou de crédito, disse: “já não falo em plástico porque tenho as credenciais da Visa no meu smartphone”. Além disso, revelou que se mudou para o Reino Unido há seis meses e que ainda não foi a uma agência bancária. “Não preciso, faço toda a minha atividade bancária a partir do meu telemóvel”, frisou. “Obtive a minha conta bancária inglesa através do telefone”. Apesar de tudo, o administrador não arrisca em garantir o desaparecimento do numerário com toda a certeza. “O que posso dizer é que algumas em algumas economias, por exempo, nos povos nórdicos, cerca de 80% das transações são realizadas através de pagamentos digitais. A verdade é que o cash se tornou numa parte pequena da economia. Se vai desaparecer automaticamente? Não tenho respostas, mas creio que os pagamentos digitais vão tornar-se cada vez mais prevalecentes”, disse Antony Cahill. Aproveitar o comboio das FinTech e da PSD2 A Visa tem por missão tornar-se “na melhor forma de pagar e de ser pago”, revelou Antony Cahill. Acompanhar os tempos modernos, nos quais surgiram as FinTech, tornou-se numa oportunidade para crescer. “Tradicionalmente, a Visa focava-se em lidar com instituições financeiras estabelecidas. Entretanto, percebemos que tínhamos de mudar a forma de lidar com estas FinTech e criámos um ecossistema” que abrange diferentes players, desde os comerciantes aos bancos, sem esquecer as startups especializadas em tecnologia financeira, explicou o administrador. A Visa também se colocou entre os bancos e as FinTech, “algo como um match maker”, explicou Antony Cahill. Isto porque, enquanto os bancos têm o legado, as FinTech têm a capacidade de melhorar consideravelmente a experiência de ultizador, que “é o palco de batalho” da revolução digital na banca. A nível regulatório, a Visa destacou a importância da segunda diretiva de serviços de pagamentos (PSD2), que está “a facilitar a disrupção” na Europa, por comparação com os Estados Unidos. “Hoje em dia, nos EUA, ainda é frequente passar cheques”, disse Antony Cahill. Acima de tudo, a PSD2 cria oportunidades para novos agentes de mercado e incumbentes prestarem melhores serviços. Através dos application programming interface (API), será possível “ativar ou desativar um cartão bancário através do telemóvel, sem ser necessário falar com ninguém”. “Isto será útil quando se perder o cartão”, adiantou Antony Cahill. No entanto, a segurança e a proteção dos dados terão de ser garantidas. “Se a integridade do sistema for comprometida, teremos um problema”, frisou o administrador da Visa. De resto, em Portugal, a Visa já tinha aberto a sua rede de APIs antes da transposição da PSD2 para o ordernamento jurídico nacional, nos finais de 2018. Paula Antunes da Costa, country manager da Visa em Portugal, reconheceu que, apesar dos avanços da empresa norte-americana, o sistema português “é um bocado limitado porque foi construído no ecossistema corrente”, isto é, “como uma infraestrutura que é controlada pela mesma entidade” (a SIBS). Em Portugal, o sistema “não é potencialmente tão aberto quanto a maioria dos operadores desejaria, mas, provavelmente, isso será algo que teremos de mudar ao longo do tempo”, reconheceu Paula Antunes da Costa.
Segunda-Feira, 17 June 2019 08:08

Ásia atrai investidores com retornos de 9%

Mercados emergentes podem crescer 8% até 2023, o dobro dos EUA e Europa. Regulação menos restritiva pode tornar a China continental numa alternativa ao investimento em Hong Kong e Singapura. Os muito ricos serão ainda mais ricos em 2023. De acordo com o relatório “Global Wealth Managers: Out of The Pit Stop – Into The Fast Lane”, elaborado em conjunto pela consultora Oliver Wyman e pelo Deutsche Bank, a que o Jornal Económico teve acesso, revela que a geração de riqueza das famílias que têm pelo menos um milhão de dólares na conta bancária e que são detentoras de aplicações em ativos financeiros vai crescer a um ritmo de 5% nos próximos quatro anos (o relatório analisa o período 2018-2023). A nível global, a riqueza dos high net wealth individuals (HNWI) ascendia a 68 biliões de dólares em 2017, crescendo 4% no ano seguinte, para 70 biliões, apesar da contração dos mercados bolsistas registada no final do ano passado. Em 2023, a fortuna privada mundial chegará aos 91 biliões (são 91.000.000.000.000 de dólares). Apesar de os Estados Unidos continuarem a representar a maioria da fortuna privada à escala global – com 49 biliões, representará 42% do total em 2023 – a riqueza dos HNWI norte-americanos vai expandir-se “apenas” 4%, um ponto percentual acima da Europa Ocidental. Neste sentido, o relatório fala num “fim de ciclo à vista” e aponta os holofotes para as oportunidades de investimento em ativos financeiros nos mercados emergentes, que crescerão 8% até 2023. O relatório antecipa que serão as regiões da Ásia-Pacífico (APAC) e América Latina (LATAM) onde a fortuna dos muitos ricos mais cresce entre 2018 e 2023: 9% e 8%, respectivamente. Isto signfica que estas duas regiões vão representar mais de metade da fortuna privada mundial em 2023, embora representem atualmente apenas um terço. “Estes são os mercados onde os gestores de riqueza terão mais oportunidades para expandir a clientela e crescer significativamente”, frisa o relatório. As margens das aplicações financeiras realizadas por gestores de riqueza nos mercados desenvolvidos caíram em 2018, por causa dos riscos políticos verificados nos Estados Unidos e na Europa. No continente norte-americano, o relatório destacou as medidas protecionistas levadas a cabo pela administração Trump, assim como a subida das tensões comerciais com a China. Na Europa, foram salientados os movimentos populistas, assim como o Brexit. China e sudeste asiático são alternativas de investimento O relatório concentra-se nas oportunidades de investimento encontradas na APAC, nomeadamente na China e no Sudeste asiático, que se afiguram como alternativas a Hong Kong e a Singapura. Tradicionalmente, os getores de riqueza têm-se centrado na qualidade dos mercados de capitais de Hong Kong e de Singapura, ambos altamente cotados no ranking ‘Global Financial Centre Index’, ocupando as terceira e quarta posição, respectivamente. Mas o relatório alerta para alteração das dinâmicas nos mercados periféricos, em cujos os ativos se investe a partir de Hong Kong e Singapura. No caso da ilha localizada ao sul da China, os HNWI que aí investem mostram-se preocupados com a “crescente abordagem intrusiva das autoridades chinesas”. Neste sentido, embora a integração entre a China e Hong Kong esteja longe de acontecer, os HWNI deverão considerar alternativas no continente asiáticopara mitigar o risco político que está em crescendo. Em consequência, investir em Singapura poderá ser uma alternativa, mas a verdade é que a cidade-Estado também enfrenta dificuldades. Nomeadamente, as alterações regulatórias nos mercados do sudeste asiátivo que começam a abir oportunidades noutros países periféricos, surgindo como concorrentes da Singapura. Neste ponto, o relatório é prentório: os gestores de riqueza devem estudar as oportunidades de investimento em ativos financeiros da China continental “agora”. Mais deixa um alerta: os gestores que decidirem investir na China devem estar prontos para sacrificar perdas de curto-prazo em benefício de ganhos no longo-prazo, mas poderão chegar ao break even cinco anos após o início do investimento. Com 80% do investimento financeiro a ser aplicado domesticamente, o mercado chinês afigura-se como um manancial de oportunidades, além de o relatório estimar ainda que a fortuna privada cresça 10% por ano entre 2018 e 2023. Embora persistam barreiras regulatórias ao investimento estrangeiro, o relatório salienta que o quadro legal chinês está criar um ecossistema menos restritivo para o investimento estrangeiro. Atualmente, as empresas estrangeiras já podem deter a maioria do capital numa estrutura de joint-venture com um parceiro chinês, mas, a partir de 2021, poderão deter 100%. No Sudeste asiático, o relatório sugere posições concentradas – chegando aos 10 mil milhões de dólares em alguns casos – devido às reformas regulatórias, especialmente na Indonésia, Malásia e Tailândia, países em que o quadro legal começa a atrair serviços de acessoria externos.
O Fundo Monetário Internacional (FMI) completou na quarta-feira a primeira revisão da aplicação do programa de reformas acordado com o Governo de Angola e aprovou um novo financiamento de 248,15 milhões de dólares (219,7 milhões de euros). Com este financiamento, anunciado pelo Fundo no seu sítio na internet, sobe para 1,24 mil milhões de dólares o total concedido pelo FMI ao abrigo deste acordo. O programa angolano de reformas apoiado pelo FMI pretende restaurar a sustentabilidade orçamental e externa da economia angolana e estabelecer os fundamentos para um crescimento económico sustentável, diversificado e liderado pelo setor privado, segundo o texto divulgado. O FMI aprovou um acordo de três anos com Luanda em 07 de dezembro de 2018, no montante de 3,7 mil milhões de dólares. Em declaração que acompanha a informação, foi adiantada a consideração de que “as autoridades angolanas têm demonstrado um compromisso forte com o programa apoiado pelo fundo”. Contudo, relativizou-se, “um enquadramento externo enfraquecido, designadamente a crescente volatilidade do preço internacional do petróleo, está a desafiar os esforços reformistas”. Mas para o FMI o executivo angolano respondeu da forma adequada, ao aprovar um orçamento conservador para 2019. Trata-se do segundo plano de assistência do Fundo, depois do apoio concedido em 2009, devido à crise
O vice-presidente do Banco Africano de Desenvolvimento (BAD) Mateus Magala disse que o primeiro projecto do Compacto para o Desenvolvimento será uma linha de crédito de 30 milhões de dólares para investimentos em Moçambique. “O primeiro projecto do Compacto tem o valor de 30 milhões de dólares, é uma linha de crédito extensível a um banco moçambicano e estamos neste momento a finalizar a estruturação das garantias com o governo português, e esperamos que no próximo mês estejamos em condições de anunciar a transação”, disse Mateus Magala em entrevista à Lusa à margem dos Encontros Anuais do BAD, que decorrem até sexta-feira em Malabo, na Guiné Equatorial. Esta linha crédito é o primeiro projeto no âmbito do Compacto para o Desenvolvimento, uma iniciativa lançada no final de 2017 pelo BAD e pelo Governo português para financiar projetos lançados em países lusófonos com o apoio financeiro do BAD e com garantias do Estado português, que assim asseguram que o custo de financiamento seja mais baixo e com menos risco. “O BAD entra para garantir que os processos de acompanhamento antes e depois da aprovação sigam os trâmites normais, e podemos fazer financiamentos adicionais e atrair outros parceiros”, disse Mateus Magala, explicando que “Portugal, dependendo do tipo de projeto, entra para dar garantias que diminuem o custo do capital e assim podem atrair mais investimento e mais investidores”. O Governo inscreveu no Orçamento do Estado para este ano um valor de 400 milhões de euros para estas garantias de investimentos na lusofonia, mas o valor dos projetos pode ser bastante maior, considera o vice-presidente do BAD com os pelouros dos Serviços Corporativos e Recursos Humanos. “Em termos de alavancagem, estes 400 milhões de euros podem ser aumentados quatro a sete vezes, podemos conseguir chegar a mil ou dois mil milhões de euros, porque se o custo do capital baixa, então com o dinheiro que temos no projeto podemos investir em mais projetos, ou os investidores têm a oportunidade de trazer mais dinheiro para a operação”, disse Mateus Magala na entrevista à Lusa. O BAD, Moçambique e Portugal assinaram a 12 de março, em Maputo, um acordo designado Compacto Lusófono Moçambique, para apoiar projetos de investimento, que dá acesso a financiamentos do BAD combinados com garantias de Portugal através da Sociedade para o Financiamento do Desenvolvimento (SOFID). Além do país anfitrião - que deve ser um dos Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (PALOP) -, cada projeto deve envolver "pelo menos mais duas entidades do Compacto, por exemplo o BAD e empresas portuguesas, ou o BAD e outras empresas dos PALOP", refere a documentação do programa sobre o programa. Portugal participa através da SOFID, disponibilizando 400 milhões de euros em garantias a conjugar com financiamento do BAD, que neste Compacto vai apoiar projetos orçados em até 30 milhões de dólares (26,5 milhões de euros). Habitualmente, o BAD financia projetos acima deste valor. Moçambique tem 25 projetos indicativos, apresentados no último ano através do Gabinete de Apoio Empresarial da Confederação das Associações Económicas de Moçambique, pertencentes a áreas como educação, turismo, energia, agricultura e infraestruturas. O memorando de entendimento assinado em março, relativo a Moçambique, é uma parte do Compacto Lusófono que envolve os PALOP e no âmbito do qual já estão identificados 65 projetos. Este Compacto Lusófono foi celebrado entre Portugal e o BAD em novembro de 2018, como parte de um vasto leque de parcerias multilaterais anunciadas durante o Fórum de Investimento para África, em Joanesburgo, África do Sul, e começou a tomar forma quando o presidente do BAD visitou Lisboa, em novembro de 2017.
O economista moçambicano e consultor independente Thomas Selemane disse hoje, em declarações à Lusa, que a fraca interesse dos investidores na compra de Obrigações do Tesouro moçambicanas se deve ao elevado endividamento público e à incerteza política no país. As autoridades moçambicanas adiaram duas colocações de Obrigações do Tesouro na Bolsa de Valores de Moçambique (BVM) nos últimos 30 dias, devido à falta de procura. Em declarações à Lusa, Thomas Selemane considerou "previsíveis" as dificuldades do Governo moçambicano em capitalizar-se no mercado interno, devido à elevada dívida pública e à incerteza política no país. "O Estado está com uma dívida pública superior a 100% do Produto Interno Bruto (PIB), está em incumprimento em relação a muitas das suas obrigações e os bancos locais já têm na sua carteira dívida do Estado, é previsível que não queiram mais emprestar dinheiro ao Estado", declarou Thomas Selemane. No plano político, o país vive uma incerteza, porque as negociações entre o Governo e a Resistência Nacional Moçambicana (Renamo) para a paz ainda não tiveram desfecho e haverá eleições gerais no dia 15 de outubro deste ano, acrescentou. "Há dúvidas em relação ao compromisso quanto ao desarmamento da Renamo até agosto, como as duas partes pretendem, e não se sabe se o país estará estável ou não após as eleições gerais", frisou o economista moçambicano, que é também consultor independente. Selemane assinalou que Moçambique mergulha ciclicamente na instabilidade política e militar, após eleições gerais, e esse histórico é um fator de inibição quanto para os investidores.
O Advogado e Sócio-Fundador da Sal e Caldeira Advogados, José Caldeira, considera que o sector imobiliário apresenta fortes perspectivas de crescimento, em Moçambique, mercê das reformas que o governo tem vindo a aplicar, ao longo dos anos, à legislação sobre terras. José Caldeira, que falava em Maputo, na segunda edição do Fórum Bilingue sobre o Mercado Imobiliário, MozamReal, disse que, apesar de se considerar que a terra é propriedade do Estado, há flexibilidade, dentro do quadro legal em vigor, para se desenvolver o sector. “Houve, principalmente a partir de 1987, um processo de reformas, quer com participação interna, quer com consultoria internacional, no sentido de modernizar o quadro legal, para facilitar o investimento. E se formos ver a evolução da legislação sobre a terra, veremos que a regulamentação que foi feita simplificou o acesso, para os investidores, permitindo que fizessem a construção dos seus empreendimentos”, argumentou. Segundo o advogado, também foram sujeitas à modernização os processos para a obtenção de licenças e a lei cambial. “Nós tínhamos uma legislação muito burocratizada em relação a esses aspectos e, felizmente, muitas restrições acabaram quebradas por todo um conjunto de medidas que o Estado foi adoptando. É verdade que são necessárias mais reformas, mas a tendência tem sido no sentido de facilitar o investimento e isso ajuda muito no crescimento o sector”, afiançou. Por seu turno, o Director da Banca Corporativa e de Investimentos, do Barclays Bank de Moçambique observa o elevado risco de crédito de Moçambique como um factor impeditivo. Bernardo Aparício mantém, no entanto, o optimismo. “Caso Moçambique continue em incumprimento com o pagamento das dívidas, o mundo não acaba para o país, pois a dependência do financiamento externo para o estado moçambicano é muito baixa. Tem-se financiado muito em moeda local e de Estado para Estado. Sabemos que a partir de 2023, os sucos que vão chegar da exploração do gás, em 3 ou 4 anos, serão suficientes para reembolsar a dívida. Portanto, os investidores devem lançar um olhar dinâmico e avaliar o custo do capital nos próximos dez anos”, aconselhou. O MozamReal realizou-se na cidade de Maputo, no início do corrente mês, sob o lema “Posicionando-se para o crescimento”.
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