Benigno Papelo

O mercado de ações norte-americano regressa de um fim de semana em ambiente de otimismo, com o setor tecnológico em destaque. Os três principais índices de Nova Iorque fecharam em alta. O Dow Jones subiu 1,46% para 24.640,24 pontos; o Nasdaq ganhou 2,06% para 7.801,8 pontos e o S&P 500 valorizou 1,56% para 2.673,55 pontos) após pesadas perdas pela New York Stock Exchange na última semana de dia de Ação de Graças. O mercado de ações norte-americano regressa de um fim de semana em ambiente de otimismo, com o setor tecnológico em destaque. “O movimento saiu reforçado durante a tarde com a valorização do setor tecnológico em Wall Street, num regresso de fim de semana Black Friday (importante barómetro para as compras da época natalícia)”, refere o analista do BCP. “Ainda que até ao momento não tenham chegado dados concretos sobre a evolução das vendas no Black Friday Weekend, algumas notas vão referindo que terá decorrido bem. Só na quinta-feira de Thanksgiving as vendas online terão aumentado 30% face a igual dia de 2017 e na Black Friday cerca de 24%, segundo dados da Adobe Analytics”, refere o analista. Nas empresas, a General Motors subiu 4,8% depois de anunciar um plano de cortes, que inclui cerca de 10.000 demissões (alguns meios de comunicação sugerem que seria até 14.000) e o fecho de sete das suas fábricas até o final de 2019. O grupo espera que a reestruturação traga uma melhoria no fluxo de caixa anual de 6 mil milhões de dólares. No Dow Jones, os valores mais animados foram o American Express (+ 3,7%), a par da Microsoft (+ 3,3%). Na verdade, a empresa de Bill Gates chegou esta segunda-feiram por alguns minutos, a superar a capitalização da gigante Apple (+ 1%). Por outro lado, a United Technologies registou a maior queda no Dow Jones, ao perder 0,7%. No Nasdaq, as ações da Amazon recuperaram 5,3% na ‘Cyber ​​Monday’, o dia em que os retalhistas da Internet voltara a fazer descontos. De acordo com dados da Adobe, as vendas online aumentaram 26,4% em relação ao ano passado entre quarta e sexta-feira. Além disso, espera-se que as vendas da ‘Ciber Monday’ subam mais de 10% em relação a 2017, chegando a 7.800 milhões de dólares. No horizonte das expetativas dos investidores, destaque para o encontro entre o presidente dos Estados Unidos e o congénere chinês Xi Jinping que ocorrerá neste final de semana durante a cimeira do G20, a ser realizada na Argentina, no qual os dois líderes iniciarão negociações com vista a pôr fim à guerra comercial, numa altura em que a economia global está a dar sinais de arrefecimento. Noutro mercado, o petróleo valorizou hoje nos mercados internacionais. O crude WTI, referência no mercado norte-americano, subiu 2,34% para 51,6 dólares, enquanto o Brent de Londres ganhou 2,94% para 60,53 dólares.
A Inspecção Nacional de Actividades Económicas diz que Moçambique continua a ser destino de tabaco contrabandeado. A INAE tem vindo a detectar embalagens sem selo fiscal, com rótulo com língua estrangeiro e sem aviso do perigo. Há cerca de um ano Moçambique começou a implementar o selo fiscal para o tabaco que circula no país. Uma medida que visava principalmente acabar com o contrabando deste produto. Mas a INAE diz que os empresários do sector não estão a cumprir com a norma e há entrada de muito cigarro sem selo. Outra preocupação da INAE tem que ver com os espaços dos fumadores no país. A Inspecção diz que só identificou um restaurante em condições de admitir clientes fumadores ao longo do país. Sobre o caso dos trabalhadores que inalaram poeiras na empresa Darling na Matola, a INAE diz que ainda não tem ideia de que sanções deverão ser aplicadas à entidade empregadora. Refira-se que a Darling emitiu um comunicado de imprensa ainda na sexta-feira, onde reconheceu as falhas nas obras efectuadas na noite anterior ao dia do incidente, garantiu que os colaboradores estão fora de perigo e que a sala foi encerrada para uma limpeza profunda.
Pouco mais de 10 toneladas de mariscos foram capturadas em três dias de actividade, após cerca de oito meses de observância do período de defeso na pesca, sobretudo do polvo, em algumas zonas do arquipélago das Quirimbas, província de Cabo Delgado. Com efeito, o arquipélago das Quirimbas está a registar, desde a passada quarta-feira, a maior captura e venda de polvo este ano. Só em três dias, perto de 300 pescadores retiraram do mar pouco mais de quatro toneladas daquele molusco. Segundo os pescadores, este é sinal de que vale a pena respeitar o período de defeso. Por sua vez, a WWF, organização responsável pela implementação da veda temporária da pesca do polvo, destacou a importância do envolvimento das comunidades na gestão sustentável dos recursos marinhos. O polvo capturado nas águas das Quirimbas tem como mercado as províncias de Nampula, Sofala e Zambézia e a República da Tanzania.
O Banco Africano de Desenvolvimento (BAD) já financiou mais de 100 projectos, orçados em dois biliões de dólares, em Moçambique nos últimos 40 anos. O Banco diz que vai continuar a investir no país, principalmente, nas áreas de energia, agricultura e infra-estruturas. Esta segunda-feira o BAD lançou um resumo do impacto das suas actividades em Moçambique. Nas suas contas, o BAD diz que só nos últimos 10 anos financiou mais de 800 quilómetros de estradas, garantiu água a perto de dois milhões de pessoas, e ajudou mais de oito mil famílias de camponeses a melhorar os seus rendimentos. No seu resumo, o BAD diz ainda que ajudou a criar cerca de 1500 empregos através do projecto ferroviário de Nacala, para além de ter financiado 1350 quilómetros de distribuição de energia eléctrica, o que permitiu o acesso a mais de 822 mil pessoas. Segundo esta instituição financeira até Dezembro de 2017 a sua carteira total em Moçambique consistia em 20 operações de empréstimo, num valor de 623 milhões de dólares. O banco refere ainda que vai implementar um novo documento com uma estratégia nacional que vai assentar fundamentalmente no investimento em infra-estruturas e na agricultura. A nova estratégia, segundo fez saber Pietro Toigo, representante do BAD em Moçambique que falava durante a apresentação do resumo das actividades desta instituição, vai ajudar a catapultar o país e o continente em geral, aumentar a produção agrícola e ligar as zonas de produção aos mercados através do investimento em infra-estruturas. “Vai ser uma estratégia para impulsionar o desenvolvimento rural de Moçambique, para a criação de trabalho e para a diversificação da economia”, disse. Toigo referiu que apesar de o sector industrial desempenhar um papel limitado na economia do país, o Banco desenvolveu várias operações para apoiar pequenas indústrias que já beneficiaram mais de cinco mil pessoas, sendo metade delas mulheres. O relatório do BAD foi lançado na Universidade Pedagógica e o reitor desta Instituição disse na ocasião que a academia é chamada a reflectir a actual situação do país, caracterizada pelo crescimento demográfico, descoberta de recursos naturais e mudanças climáticas. “O Banco Africano de Desenvolvimento, a nossa Universidade, e toda academia moçambicana, são chamados e não devem ficar alheios a estas dinâmicas porque as mesmas afectarão as nossas formas de ser e de agir. Temos que estar atentos a estes fenómenos para que de forma conjunta, de forma estruturada sejam encontradas as respostas mais apropriadas para estas e outras demandas”, defendeu Jorge Ferrão. Refira-se que o BAD é parceiro económico de Moçambique desde 1977.
O volume de negócios do sector da indústria está em alta em Moçambique. No fecho do terceiro trimestre de 2018, atingiu uma variação positiva de 305,9%, uma subida ligeira face a Agosto (299,9%) e 292,9% em Julho, segundo o Instituto Nacional de Estatística (INE). Em termos homólogos (comparação com 3º trimestre de 2017), o negócio deste sector de actividade apresentou em Setembro do corrente ano, uma desaceleração em 6,2%, contra significativas variações positivas de 1,9% e 9,5% registadas em Agosto e Julho, respectivamente. Esta análise, segundo o INE, considera as taxas de variação homólogas calculadas sobre médias móveis de três meses. O agrupamento de bens de consumo não duradouro apresentou em Setembro uma taxa de variação homóloga negativa de (?18,1%), alterando a tendência das taxas de variação homóloga positiva registadas ao longo do trimestre anterior. O agrupamento de bens de energia apresentou variações homólogas positivas com "tendência irregular" ao longo do trimestre em análise, tendo alcançado 28,7% em Setembro depois de passar por 38,3% e 62,1% em Agosto e Julho respectivamente, refere o Instituto Nacional de Estatística. Realçando, que o agrupamento de bens intermédios que registou 2,6% em Setembro apresentou 14,8% e 17% em Agosto e Julho, respectivamente. No trimestre em análise, o agrupamento de bens de energia contribuiu com cerca de 2,7 pontos percentuais (pp). Os bens intermédios e consumo não duradouro contribuíram com valores negativos de (?4,4 e ?3,3 pp, respectivamente). Considerando os agrupamentos a dois dígitos, no 3º trimestre de 2018, a divisão das indústrias extractivas contribuiu com cerca de 2,1 pontos percentuais para a taxa de variação homóloga do índice de volume de negócios. As indústrias do coque, produtos petrolíferos, quimicas, borrachas e matérias plásticas contribuíram com valor tenuemente positivo de 0,2 pp, aponta o INE. Já os restantes agrupamentos contribuíram com valores negativos com destaque para a divisão das indústrias alimentares, bebidas e tabacos que observaram cerca de (?6,2pp). As indústrias de minerais não metálicos e indústrias de minerais metálicos e metalúrgica de base contribuíram com valores negativos de (?1 e ?0,4 pp.) respectivamente. O bom desempenho do volume dos negócios da indústria moçambicana foi acompanhada pelo crescimento dos índices de produção deste sector no trimestre em análise, refere a análise trimestral do Instituto Nacional de Estatística. Concretamente, o índice de produção industrial apresentou no terceiro trimestre deste ano, uma tendência de crescimento irregular, tendo alcançado 269,5% em Setembro depois de registar 258,8% e 263,9% em Agosto e Julho, respectivamente. Em relação ao nível do trimestre anterior, que se situara em 178,6%, o índice de produção industrial registou no trimestre em análise um aumento médio de 85,5 pontos percentuais.
Terça-Teira, 27 Novembro 2018 07:18

Dívida pública vai chegar a 102,5% do PIB este ano

A agência de notação financeira Fitch antecipa que a dívida pública de Moçambique chegue a 102,5% do PIB este ano, ao passo que a economia deverá crescer 3,5% este ano e 3,7% em 2019. “A dívida do Governo, incluindo garantias, vai aumentar para 102,5% este ano e a sua trajetória é altamente sensível à volatilidade das taxas de câmbio”, escrevem os analistas da agência de ‘rating’ Fitch. Numa análise à economia do país, enviada aos investidores e a que a Lusa teve acesso, os peritos dizem que “o défice orçamental vai chegar a 5,7% do PIB, aumentando para 6,9% considerando os pagamentos atrasados, e depois aumenta gradualmente para 7,3% em 2019 e 7,8% em 2020, reflectindo o ainda baixo crescimento e as pressões sobre a despesa devido ao ciclo eleitoral deste e do próximo ano e à descentralização, em 2020″. As projecções da Fitch indicam que “a dívida pública vai aumentar, atingindo um pico em 2022, quando o rácio entre a dívida e o PIB chegará a 119% devido a expectativas mais lentas de crescimento da economia e à consolidação orçamental limitada”. Os maiores riscos, concluem, são “uma depreciação da taxa de câmbio mais rápida que o esperado, défices mais elevados e atrasos nos megaprojetos do gás”.
Segunda-Feira, 26 Novembro 2018 09:09

A crise económica que o "default" acentuou

"É triste ver como, em Sabana Grande e Plaza Venezuela (Caracas), cada vez mais adolescentes andam no lixo à procura de coisas", desabafou Francisco Martins. Um ano depois do falhanço do pagamento da dívida pública, a situação económica da Venezuela tem-se agravado e são muitos os emigrantes portugueses e lusodescendentes que se queixam da degradação ainda mais acentuada da crise. "A Venezuela tem feito alguns pagamentos, mas a situação no país está crítica", afirmou à Lusa o comerciante Francisco Martins, 35 anos. Em Novembro de 2017, a Venezuela entrou em "default selectivo" ao não cumprir com alguns pagamentos a credores, entre eles os títulos da dívida da empresa petrolífera estatal. Para Francisco Martins, "há que prestar mais atenção e dar mais importância ao aspeto social, inclusive entre a comunidade" porque " há uma degradação geral das condições de vida da população e inclusive uma perda acentuada dos valores e princípios que regem o ser humano". Gerente de um pequeno restaurante de comida tradicional, o lusodescendente é confrontado todos os dias de "uma dezena de pessoas, na maioria a viver na rua, que lhe pedem uma "sandes para matar a fome, ou dinheiro para pagar o autocarro". "É triste ver como, em Sabana Grande e Plaza Venezuela (Caracas), cada vez mais adolescentes andam no lixo à procura de coisas", desabafou. "Não podemos culpar a crise e o Governo de tudo, porque também somos responsáveis por essa situação", afirmou. "Por mais esforços e programas que (as autoridades) implementem isto (a crise) está a agravar-se, só com o trabalho conjunto será possível resolver ou minimizar a crise", acrescentou. Manuel Castro, 40 anos, trabalha na área da informática e percebeu que a crise se acentuou «rapidamente» desde que a Venezuela entrou em 'default' e acusa os políticos e os economistas pela "degradação" do país. "Trabalhei quase 20 anos numa empresa de seguros e há uma semanas houve redução (despedimentos) de pessoal, porque após a reconversão monetária (de agosto último) as coisas agravaram-se e as empresas não podem suportar" os salários, disse. "Indignado", recorda que, com o que ganhava há um ano, conseguia manter a família (mãe, mulher e um bebé de 18 meses). "Hoje, a indemnização que recebi da empresa, por 20 anos de trabalho, não chega nem aos 200 dólares, uma quantia insignificante", frisou. Ainda em Caracas, mas à espera para terminar os estudos de engenharia mecânica para deixar o país, Marcos Baptista, 24 anos, aponta o dedo "aos políticos corruptos" do país, pela crise. "Na imprensa lêem-se muitos negócios que foram feitos de maneira irregular. A Venezuela ficou sem dinheiro, mas tem pago as contas, lentamente. Onde estão os recursos de um país petrolífero? Há muita coisa por explicar e algum dia alguém terá que o fazer", disse. Cansada da situação, a odontóloga Marta Rodríguez de Fontana vê sinais da crise diariamente no seu consultório, porque as pessoas não têm dinheiro para pagar os tratamentos. "É preciso castigar os corruptos, mas também ajudar o país a ficar à tona de água. Nenhum programa económico terá sucesso se o primeiro que fazemos é criticar", explica. Como exemplo, refere que as pessoas se queixam de que as ruas estão cheias de buracos, mas que recentemente o Governo activou o programa "Caracas bonita" e deu emprego a centenas de jovens para ir reparar as ruas e inclusive plantar árvores e flores. "O programa começou e ninguém pensou que esses jovens estavam agora a trabalhar. O prioritário foi criticar. Dizer que em tempos de crise a prioridade não era reparar as ruas", concluiu.
Uma investigação do jornal britânico “Sunday Times” revelou este domingo que Christopher Moran é o proprietário de um bloco de apartamentos, onde várias casas eram usadas como locais de prostituição. Uma investigação do jornal britânico “Sunday Times” revelou este domingo que o milionário Christopher Moran, que financiou a campanha da primeira-ministra britânica, Theresa May, está acusado de envolvimento num escândalo de prostituição. Christopher Moran é acusado de ser o proprietário de um bloco de apartamentos, onde várias casas eram usadas como locais de prostituição. O “Sunday Times” indica que o bloco de apartamentos conhecido como Chelsea Cloisters, em Londres, pertence à empresa de Christopher Moran. É nesse bairro que mais de 100 mulheres se prostituem regularmente, sendo o prédio apelidado de “Sodoma e Gomorra”. O bloco de apartamentos rende oito milhões de libras (cerca de nove milhões de euros) por ano em rendas à empresa do milionário. Ao todo, o bloco de apartamentos tem 670 casas e inclui um escritório de Christopher Moran. A Scotland Yard está a avaliar a informação, para determinar “se foram cometidos crimes”. O milionário já veio dizer que defende uma política de “tolerância zero” face à prostituição nos seus imóveis. Christopher Moran, de 70 anos, tem uma fortuna avaliada em mais de 400 milhões de euros e, durante a campanha de Theresa May, terá doado mais de 300 mil euros ao Partido Conservador. Gavin Shuker, deputado trabalhista que presidiu a uma comissão parlamentar sobre tráfico sexual, já veio exigir a Theresa May que devolva o dinheiro que recebeu a “associações que apoiem vítimas de tráfico humano e usar os seus poderes para alterar a lei e atacar a procura”.
“Com o crescimento contínuo das emissões a taxas histórias, as perdas anuais em alguns setores económicos podem chegar às centenas de mil milhões de dólares até o final do século – mais que o atual produto interno bruto (PIB) de alguns estados norte-americanos”, diz o relatório. As mudanças climáticas custarão à economia dos Estados Unidos centenas de milhares de milhões de dólares até o final do século, prejudicando vários setores desde a saúde humana até infraestrutura e produção agrícola, segundo um relatório do governo norte-americano, divulgado pela ”Bloomberg”. O relatório, titulado de ”Quarta Avaliação Nacional Climática Volume II” (”Fourth National Climate Assessment Volume, em inglês) conduzido pelo Congresso e redigido com a ajuda da NASA e treze de agências governamentais e departamentos dos EUA, apontou um conjunto de estimativas dos impactos do aquecimento global em todos os setores da sociedade norte-americana, e concluiu com um aviso alarmante sobre a agenda pró-combustíveis fósseis do governo Trump. “Com o crescimento contínuo das emissões a taxas histórias, as perdas anuais em alguns setores económicos podem chegar às centenas de milhares de milhões de dólares até o final do século – mais que o atual produto interno bruto (PIB) de alguns estados norte-americanos”, diz o relatório. “A ideia de que as condições climáticas atuais e futuras serão semelhantes às do passado mais recente já não são válida”, escrevem os autores. Segundo o documento, estas alterações vão afetar desproporcionalmente os pobres, danificar a infraestrutura existente, limitar a disponibilidade de água, alterar limites costeiros, aumentar os custos industriais tanto no campo quanto na produção de energia e afetar (ainda mais) a saúde humana Atualmente, os impactos severos nas temperaturas médias têm vindo a aumentar os riscos de transmissão de doenças, a piorar a qualidade do ar, a aumentar a ocorrência de problemas de saúde mental, entre outros efeitos. Embora o relatório diga que muitos dos impactos das alterações climáticas – incluindo os incêndios e as tempestades mais frequentes, as secas e inundações – que já estão acontecer tenham consequências graves, explica também que as projeções dos danos maiores podem mudar de rota. Contudo, isto apenas acontecerá se as emissões de gases do efeito estufa forem ‘drasticamente’ contidas: “Os riscos futuros das mudanças climáticas dependem principalmente das decisões que são tomadas hoje”, explica. O segundo volume deste relatório, complementa um estudo publicado no ano passado que concluía que os seres humanos são os principais causadores do aquecimento global, e que alertava sobre seus efeitos potencialmente catastróficos ao planeta. Os estudos confrontam as políticas do governo do atual presidente, Donald Trump, que tem reduzido proteções ambientais e climáticas implementadas durante o governo Obama para maximizar a produção doméstica de combustíveis fósseis, incluindo petróleo. “A administração Trump não pode esconder as consequências das alterações climáticas ao fazer um despejo de notícias da ”Black Friday” – consequências estas que os seus próprios cientistas do governo federal descobriram”, disse o senador Sheldon Whitehouse, democrata de Rhode Island, em um comunicado. “Este relatório mostra como as alterações climáticas afetarão as nossas comunidades. O presidente afirmou coisas escandalosas sobre como o aquecimento global é uma farsa orquestrada pelos chineses e que as florestas evitarão incêndios catastróficos, mas sérias consequências, como o colapso dos preços dos imóveis costeiros e ”trilhões” de dólares em ativos de combustíveis fósseis, nos aguardam se não agirmos”, concluiu perplexo. No ano passado, Trump não negou as suas intenções de retirar os Estados Unidos do Acordo de Paris de 2015, estabelecido entre 200 países para combater as alterações climáticas. A razão para esta saída foi argumentada no sentido em que o tratado afetaria a economia dos Estados Unidos e forneceria efeitos ambientais pouco tangíveis. Trump e vários da administração frequentemente colocam em dúvida o aspecto científico das alterações climáticas, argumentando que suas causas e impactos não são ainda comprovados. “Este relatório deixa claro que as alterações climáticas não são um problema do futuro distante. Estão a acontecer agora em todas as partes do país”, disse Brenda Ekwurzel, diretora de Ciências Climáticas da União dos Cientistas Interessados e uma das autoras do relatório.
O Fundo Monetário Internacional (FMI) afirma haver espaço para o Banco de Moçambique continuar a relaxar a política monetária, mas que tal deve ser feito, cautelosamente, dadas as incertezas da economia mundial. O FMI encoraja também o Banco de Moçambique a salvaguardar as reservas internacionais e a manter um regime flexível para a taxa de câmbio. O facto vem contido num comunicado de imprensa daquela instituição financeira internacional, cuja equipa esteve a trabalhar em Moçambique de 6 a 19 de Novembro corrente, para analisar os desenvolvimentos económicos recentes e iniciar conversações relativas às opções possíveis de envolvimento com as autoridades moçambicanas em 2019. “A missão saudou os planos das autoridades para elaborar, com a assistência técnica do FMI, um diagnóstico exaustivo dos desafios de governação e contra a corrupção. Acolheu também com agrado os esforços contínuos da Procuradoria-Geral da República, em cooperação com os parceiros de desenvolvimento, para trazer responsabilização relativamente à questão das dívidas anteriormente ocultas, e encorajou todas as partes envolvidas a prosseguirem esses esforços”, refere Ricardo Velloso, que liderou a missão do FMI, no país, citado no comunicado. O FMI enfatizou a importância de se assegurar que possíveis acordos futuros com detentores das dívidas, anteriormente ocultas, sejam coerentes com o retorno da dívida global do país a uma trajectória sustentável e com a redução da pobreza e o desenvolvimento sustentável de Moçambique. Saudou o progresso na implementação dos planos de investimento e financiamento para o desenvolvimento dos megaprojectos de GNL (Gás Natural Liquefeito) na província de Cabo Delgado. Segundo o FMI, desde que protegida e bem utilizada, “a receita fiscal futura desses projectos tem o potencial de transformar a vida do povo moçambicano, desempenhando um papel substancial no desenvolvimento sustentável e na redução da pobreza”. A missão enalteceu o forte empenho do Governo de reforçar a estabilidade macroeconómica através da consolidação fiscal, de políticas monetárias e financeiras restritivas, e da adopção de reformas com vista à melhoria do ambiente de negócios, bem como da governação e da transparência.