Benigno Papelo

A China reduziu as barreiras ao investimento estrangeiro nos sectores de construção automóvel, seguros e outros, parte de um compromisso de maior abertura económica, face às crescentes disputas comerciais com Washington. O documento emitido pela Comissão Nacional de Desenvolvimento e Reforma, o órgão máximo chinês de planificação económica, anuncia ainda a redução ou eliminação dos limites de propriedade estrangeira em empresas na área de construção aeronáutica e naval ou de redes eléctricas. No total, Pequim reduz de 63 para 48 os sectores fechados ao investimento externo. Bruxelas e Washington acusam a China de bloquear a aquisição de activos no país, enquanto as empresas chinesas, nomeadamente estatais, têm adquirido negócios além-fronteiras em diversos sectores. O anúncio segue-se à ameaça feita pelo Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de impor limites ao investimento chinês no país, mas que, entretanto, não cumpriu. Muitas das alterações "foram abordadas antes pela liderança chinesa", afirmou Jake Parker, vice-presidente do Conselho Empresarial EUA - China. "Mas continuam a representar, em teoria, uma abertura significativa, que temos vindo a pedir há muito tempo", acrescentou, citado pela agência Associated Press. Não houve alterações que abordem directamente as acusações de Washington de que Pequim pressiona empresas estrangeiras a transferirem tecnologia em troca de acesso ao mercado. Trump ameaçou impor taxas alfandegárias de 25% sobre um total de 450 mil milhões de dólares de exportações chinesas para o país. Pequim prometeu retaliar, suscitando receios de uma guerra comercial entre as duas maiores economias mundiais. Pequim mantém fechado ao investimento externo os sectores editorial, serviços noticiosos 'online', cinema ou televisão e restrições na exploração de gás e petróleo e nas telecomunicações. O plano prevê um aumento gradual da participação estrangeira permitida, primeiro para 51% e depois 100%.
É a segunda e última fase desta avaliação à banca norte-americana, que permite medir a capacidade de os bancos sobreviverem sem serem intervencionados em cenários adversos. Como parte do seu exame anual aos planos de capital dos maiores bancos em cenário adverso, o Conselho da Federal Reserve (Fed) nesta quinta-feira não se opôs aos planos de capital de 34 bancos e chumbou o plano de capital de um banco. A unidade norte-americana do alemão Deutsche Bank (DB USA Corporation) foi a entidade que falhou nos testes de stress da Fed, justificado por debilidade de factores de ordem qualitativa. Nos testes do banco central dos EUA são tidos em conta fatores quantitativos, que incluem os rácios de capital projetados pelos bancos sob um cenário hipotético de stress económico e nos mercados financeiros, e fatores qualitativos, que incluem a força do plano de capital da instituição, que incorpora a gestão de riscos, controles internos e práticas de governance que suportam o processo de planeamento de capital. Foi nestes factores que o banco do Deutsche Bank nos Estados Unidos chumbou nos testes. A Fed encontrou debilidades significativas nas capacidades ao nível dos dados e nos controlos que sustentam o processo de planeamento de capital, bem como fragilidades nas abordagens e pressupostos usados para estimar receitas e prejuízos em cenários de stress”, diz o relatório. A Reserva Federal norte-americana anunciou os resultados da segunda fase dos testes de resiliência aos maiores bancos a operar nos EUA. Dos 35 analisados, 34 tiveram nota positiva. Nos testes, conhecidos por Comprehensive Capital Analysis and Review, ou CCAR, que se realizam pelo oitavo ano consecutivo, são avaliados os processos de planeamento e adequação de capital dos maiores grupos bancários dos EUA, incluindo as ações de capital previstas pelos bancos, como pagamentos de dividendos e recompras de ações. Níveis fortes de capital funcionam como uma proteção para absorver perdas e ajudam a garantir que as instituições bancárias têm capacidade de dar crédito hipotecário e crédito a empresas, mesmo em momentos de stress económico e financeiro. Mesmo com desafios pontuais impostos por mudanças na lei tributária, os resultados da CCAR demonstram que os maiores bancos têm níveis de capital fortes e adequados, mesmo depois de fazer as distribuições de capital (dividendos) já aprovadas. Isto é manteriam a sua capacidade de emprestar mesmo em contexto de recessão severa, mesmo após distribuição de dividendos”, disse o vice-Presidente Randal K. Quarles. Neste ano, 18 dos maiores e mais complexos bancos foram submetidos a avaliações quantitativas e qualitativas pela Fed. Os outros 17 bancos submetidos ao CCAR foram sujeitos apenas à avaliação quantitativa. Os testes de stress divulgados esta quinta-feira incidem também sobre futuros cenários de recompra de ações e aumento dos dividendos. O Conselho decidiu passar com condições os planos de capital tanto do Goldman Sachs quanto do Morgan Stanley e ambos manterão os seus dividendos nos níveis que pagaram nos últimos anos, o que lhes permitirá construir uma almofada de capital no próximo ano. Os rácios de capital de cada instituição, de acordo com os planos de capital originalmente apresentados e com a redução one-off de capital provocada pelas alterações à lei tributária, caíram abaixo dos níveis exigidos quando submetidos ao cenário hipotético de stress. Essa redução one-off não reflete o desempenho de uma instituição financeira sob stress e os bancos podem esperar um lucro pós-impostos maior no futuro, diz a Fed. O board da Fed passou igualmente de forma condicional os planos de capital do State Street Corporation. Os testes de stress revelaram exposições de contraparte (exposição na carteira de crédito) que produziram grandes perdas sob o cenário hipotético de stress. Cenário esse que assume o incumprimento da maior parte dos clientes do banco num cenário adverso. O banco será obrigado a tomar certas medidas relacionadas com a gestão e análise de suas exposições ao risco de crédito em cenário de stress. Isto é, em parte devido a mudanças recentes na lei tributária que afetaram negativamente os rácios de capital, dois bancos manterão as suas distribuições de capital aos níveis que pagaram nos últimos anos. Separadamente, uma instituição será obrigada a tomar certas medidas em relação à gestão e análise das suas exposições a cenários de stress. O Federal Reserve não se opôs aos planos de capital dos Ally Financial, Inc.; American Express Company; BB&T Corporation; BBVA Compass Bancshares, Inc.; BMO Financial Corp.; BNP Paribas USA; Bank of America Corporation; The Bank of New York Mellon Corporation; Barclays US LLC.; Capital One Financial Corporation; Citigroup, Inc.; Citizens Financial Group; Credit Suisse Holdings (USA); Discover Financial Services; Fifth Third Bancorp; HSBC North America Holdings, Inc.; Huntington Bancshares, Inc.; JP Morgan Chase & Co.; Keycorp; M&T Bank Corporation; MUFG Americas Holdings Corporation; Northern Trust Corp.; The PNC Financial Services Group, Inc.; RBC USA Holdco Corporation; Regions Financial Corporation; Santander Holdings USA, Inc.; SunTrust Banks, Inc.; TD Group US Holdings LLC; U.S. Bancorp; UBS Americas Holdings LLC; and Wells Fargo & Company.
A FIFA está numa encruzilhada e já equaciona antecipar o alargamento para 48 seleções no já de si polémico Mundial do Qatar em 2022. Futuro dos Mundiais é uma incógnita mas deverá seguir uma regra: agradar a todos. “Recuso a ideia de que esteja a vender a alma do futebol. Não tenho o direito de o fazer e mesmo que o tivesse, não o faria. Ninguém está a vender seja o que for. Desafio-o a julgar quando isto for uma realidade. E é nesse momento que poderemos julgar se é uma boa ou má ideia”. A resposta (para mais tarde recordar) foi proferida por Gianni Infantino (na foto), responsável máximo da FIFA, em entrevista ao L’Equipe, e visava os polémicos planos da entidade que rege o futebol mundial para que, daqui a quatro anos, exista um aumento exponencial no número de seleções na fase final do Mundial. Mas, o que está previsto para 2022? A fase final do próximo Mundial de seleções, que vai ter lugar no Qatar, deverá contar com 48 equipas e essa é uma realidade que, apesar da distância temporal, está a gerar críticas dos mais variados quadrantes. Se organizar o Mundial do Qatar já é uma ideia longe de ser consensual (e ainda mais polémica se tornou com os problemas diplomáticos que surgiram entretanto), adicionar dezasseis equipas ao modelo original (das 32 para as 48) pode colocar ainda mais ‘achas’ numa ‘fogueira’ que parece acender-se à mínima suspeita de favorecimento, com resquícios evidentes da herança de Sepp Blatter. E as questões que se colocam são: de quem foi a ideia de adicionar 16 equipas no Mundial e por que motivo vai ser antecipado esse alargamento? Gianni Infantino esclarece que a ideia partiu da CONMEBOL – Confederação Sul-Americana de Futebol: “A ideia partiu deles porque estão convencidos que os dez países que jogam a qualificação podem disputar o campeonato do mundo”. E porquê no Qatar? Em entrevista ao L’Equipe, Infantino deposita a máxima confiança de que o Qatar possa receber 48 seleções: “Eles podem surpreender-nos. Não há nada de errado em debater novas ideias. Já sabemos o que temos em mãos. Mas não devemos impedir-nos de abrir as nossas mentes. Vamos precisar de mais estádios, isso é claro. O plano inicial passava pela construção de doze estádios. A juntar a isto, estão ainda os problemas diplomáticos do Qatar com a Arábia Saudita, Bahrain, Emirados Árabes Unidos e Egipto que ensombram a organização do Mundial de 2022 e que levou a rumores de que o Irão poderia juntar-se ao Qatar no sentido de co-organizar a exigente prova. “Estive na Arábia Saudita três vezes nos últimos doze meses e doze vezes no Qatar. Vai-me dizer que sou ingénuo mas estou focado nisto: o meu propósito é o de promover o desenvolvimento do futebol em todo o mundo e, nesse espírito, tenho de falar com toda a gente. Ninguém está a manipular-me. Aliás, quem faria isso? E como?”. E como será em 2026? No próximo dia 13 de junho, o mundo saberá quem é que a FIFA escolheu para a organização do Mundial de 2026. Para já, sabe-se que a maior prova de seleções do mundo pode regressar a África ou ao continente americano… e é certo que os pratos da balança estão desequilibrados. De um lado está Marrocos e uma proposta de “alto risco” ao nível dos estádios, transportes e alojamento (segundo a própria FIFA) e do outro, uma organização conjunta que pode ser fatal para as aspirações dos marroquinos: EUA, Canadá e México. Em tudo o que Marrocos mostra deficiências, a proposta americana supera as expectativas pelo que não deverá haver surpresas quanto a quem vai receber o Mundial de 2026.
O Presidente do Conselho de Administração do órgão Regulador do sector de gás e petróleos reconheceu que a petrolífera sul-africana Sasol, que há quase uma década explora gás natural em Inhambane, “não terá trazido aquilo que era a expectativa”, no entanto não tem soluções para inverter o cenário. Carlos Zacarias fez este reconhecimento em conferencia de imprensa, na passada quarta-feira (27) em Maputo, após indicar que a Sasol “está a operar na sua máxima força, atingiu a capacidade dimensionada”. “Naturalmente que há grandes expectativas quando temos vários projectos a serem implementados” disse o PCA do Instituto Nacional de Petróleos (INP) e em resposta ao @Verdade admitiu que a exploração da gás natural em Pande e Temane, que acontece desde 200, “não terá trazido aquilo que era a expectativa, neste momento está-se a trabalhar no sentido de fazer com que o projecto adicione valor para que as empresas possam providenciar serviços e se for possível aumentar receitas que se irão reflectir na vida das comunidades”. “É um desafio que nós temos, temos que olhar para formas de envolver mais empresas nacionais que irão trazer impacto não só para os empresários mas também para as pessoas que forem empregues”, acrescentou Carlos Zacarias quando questionado sobre o que o Governo estaria a fazer para inverter o cenário de falta de desenvolvimento na província de Inhambane impulsionado pela exploração dos recursos naturais locais. Importa recordar que este “desafio” de envolver mais empresas nacionais a prestarem serviços à Sasol, apontado por Zacarias, não propriamente uma inovação. Aliás em 2016 a própria petrolífera lançou programa de conteúdo local no entanto o @Verdade apurou que desde então empresas nacionais baseadas na “terra da boa gente” continuam sem conseguir tornarem-se fornecedores da multinacional. Na semana passada, e depois do Presidente Filipe Nyusi ter admitido que os manhambanas “tem toda a razão sobre o aproveitamento dos recursos extraídos pela Sasol”, o director-geral Agência para a Promoção de Investimento e Exportações (APIEX), Lourenço Sambo, revelou ao @Verdade que o problema com a petrolífera sul-africana não está relacionado com eventuais benefícios fiscais mas antes com a falta de “capacidade de controle por nossa parte do gás que sai de Moçambique”.
A Confederação das Associações Económicas de Moçambique (CTA) afirma que os aumentos de mais de 100 por cento da tarifa de energia eléctrica, desde 2015, “associado ao baixo nível de cobertura no país, baixa qualidade, falta de estabilidade (cortes frequentes, oscilação da potência) foi desfavorável ao ambiente de negócio”. A Electricidade de Moçambique, através do seu porta-voz, reagiu ao estudo afirmando que: “Com estes pequenos aumentos, que ainda não reflectem aquilo que é o custo reflectido, ela conseguiu de alguma maneira ter algum oxigénio, faz vários investimentos e hoje temos uma situação bastante diferente”. Depois de vários anos mantendo a sua tarifa quase inalterada, durante a governação de Armando Guebuza, desde 2015 a Electricidade de Moçambique tem aumentado as suas tarifas sucessivamente todos anos. Cumulativamente os clientes particulares estão a pagar 118,6 por cento mais na tarifa doméstica e 177,4 por cento adicionais na tarifa geral. No que as empresas diz respeito os agravamentos foram muito maiores, atingindo uma média de 176,2 por cento nos 3 últimos anos. “Os aumentos das tarifas de electricidade deterioram o ambiente de negócios do país. As empresas viram os seus custos com electricidade a aumentar significativamente, em mais de 100%, sem que no entanto esses aumentos nos custos se reflectissem na melhoria de qualidade e fiabilidade da energia” constatou um estudo recente feito para à CTA. No documento a que o @Verdade teve acesso pode-se ler que: “Como forma de minimizar a baixa qualidade da energia muitas empresas são obrigadas a adquirir meios alternativos como geradores e Postos de Transformação. Estes meios alternativos acarretam custos adicionais para o sector privado, e estes investimentos podiam ser feitos para melhorar os processos produtivos e aumentar a rendibilidade e competitividade das empresas”. No geral as empresas estão insatisfeitas com o fornecimento de electricidade porque apesar do aumento nas tarifas nada mudou em termos de qualidade da energia fornecida” refere o estudo que recomenda existir necessidade de “reformas adicionais no sector de energia de modo a facilitar o fazer negócio no país e atrair cada vez mais as indústrias a usarem tecnologia de ponta com impactos na sua produtividade e competitividade”. “Outra solução para melhoria da qualidade de energia eléctrica passa por liberalizar pequenas fontes de geração de energia para fornecerem directamente a indústria”, sugere ainda o estudo divulgado recentemente.
O Banco de Crédito do Sul, uma das quase 30 instituições bancárias a operar em Angola, concretizou o aumento do capital social para 10 mil milhões de kwanzas (34,5 milhões de euros), acima das novas exigências do banco central. Em nota enviada hoje à Lusa, o banco refere que a operação foi realizada a 20 de junho, através da entrada de capital, por emissão e subscrição de novas ações no valor de 6.000 milhões de kwanzas (20,7 milhões de euros). Os bancos angolanos passaram a estar obrigados, desde março, a elevar o valor mínimo do capital social para 7.500 milhões de kwanzas (26 milhões de euros), por decisão do Banco Nacional de Angola (BNA), que triplicou a exigência anterior. O aumento de capital, segundo o Banco de Crédito do Sul, "assume efeitos imediatos" e, de acordo com a presidente do conselho de administração, Maria do Céu Figueira, "evidencia a confiança no trabalho desenvolvido", face aos indicadores obtidos em 2017. A responsável destacou o resultado operacional líquido de 2.839 milhões de kwanzas (9,8 milhões de euros), um índice de rentabilidade dos capitais próprios de 36%, um rácio de eficiência de 40% e de solvabilidade regulamentar de 32%, três vezes acima do mínimo instituído. "Estamos num momento crucial da nossa economia, em que a banca nacional deve reforçar o apoio aos esforços para maior industrialização do nosso país, com os benefícios inerentes a esta situação, como sejam, entre outros, a criação de novas oportunidades de emprego, a redução da dependência das importações, o reforço da nossa posição nos mercados financeiros mundiais facilitando o acesso ao financiamento externo", apontou. A administradora referiu o objetivo de o Banco de Crédito do Sul transformar-se num "banco de referência no país". Este anúncio de aumento de capital surge numa semana marcada pela intervenção, com "medidas de saneamento", do BNA no Banco Angolano de Negócios e Comércio (BANC), dada a indisponibilidade dos atuais acionistas para realizar o obrigatório aumento de capital. A intervenção envolveu a destituição da administração e a nomeação pelo BNA de administradores provisórios. A decisão consta de uma informação enviada à agência Lusa na terça-feira, dando conta que a intervenção resulta da necessidade de "garantir a proteção dos depositantes e o cumprimento das demais responsabilidades do BANC", mas também para "assegurar a estabilidade do sistema financeiro nacional". Trata-se da segunda vez que o BNA recorre a uma intervenção deste género, depois do saneamento aplicado em 2015 ao então Banco Espírito Santo Angola (BESA), devido ao volume de crédito malparado, que foi depois transformado em Banco Económico. Segundo o relatório e contas de 2016 do BANC, aquele banco comercial privado angolano era detido em 80,70% do capital social por Kundi Paihama, um dos generais de topo em Angola, atual governador da província do Cunene e membro do Comité Central do MPLA, partido no poder.
A capital Zimbabweana foi palco, esta quinta-feira, de uma conferência que tinha como objectivo promover o corredor logístico da Beira. O evento organizado pela Cornelder Moçambique, empresa que gere o porto da Beira, juntou pouco mais de duzentos participantes dos dois países. Pretende-se nesse encontro, dar a conhecer as potencialidades do Porto da Beira no manuseamento de carga geral e contentorizada. O Administrador da Cornelder Moçambique faz uma avaliação positiva da conferência. Os participantes da conferência olham para a iniciativa como uma plataforma de diálogo que vai atrair empresas a usarem o Porto da Beira para o manuseamento da sua carga, de e para os países do interland. A conferência foi antecedida por um torneio de Golfe envolvendo os parceiros da Cornelder e os grandes vencedores foram Zimbabweanos.
Os dois bancos comerciais foram contratados pela HCB para liderar um sindicato bancário que vai organizar, registar, obter autorização, publicitar, lançar e executar a venda de 7.5% das acções da Hidroeléctrica na Bolsa de Valores de Moçambique. A HCB considera que o processo de venda de 7,5% das acções, através da Bolsa de Valores de Moçambique, irá contribuir para a promoção da inclusão económica dos moçambicanos, bem como para a consolidação da credibilidade da Hidroeléctrica junto dos principais stakeholders nacionais e internacionais, com enfoque para as instituições financeiras, pois demonstra a abertura e predisposição da empresa na adesão às boas práticas internacionalmente aceites de governação corporativa e ao permanente escrutínio público. O concurso público foi lançado em Fevereiro último.
A multinacional norte-americana Anadarko Petroleum Corp anunciou, quarta-feira (27), que espera tomar a Decisão Final de Investimento (FID, sigla em inglês) no primeiro semestre de 2019, para a construção do primeiro terminal de exportação de gás natural liquefeito (GNL) da bacia do Rovuma, província de Cabo Delgado, norte de Moçambique. Mitchell Ingram, vice-presidente executivo da Anadarko Internacional para Águas Profundas e Exploração, disse, na Conferência Mundial de Gás em Washington, que a companhia está pronta para avançar com o projecto de Moçambique depois de juntar um número de clientes suficientes para viabilizar a exploração e produção de GNL. Ingram explicou que, actualmente, a empresa está no processo de converter os contratos de vendas em contratos de vendas vinculativos e incrementar o processo de financiamento do projecto. “Assim, logo que concluirmos estaremos prontos para tomar a Decisão Final de Investimento no primeiro semestre de 2019”, disse, citado pela Reuters. A decisão surge duas semanas depois de a Anadarko e seus parceiros no projecto de Moçambique terem assinado Acordos-Quadro (Heads of Agreement - HOA) com a Tokyo Gas Co., Ltd. (Tokyo Gas) e Centrica LNG Company Ltd. (Centrica) para o fornecimento a longo prazo de gás natural liquefeito. O acordo com as empresas de energia japonesas e britânicas prevê a entrega de 2,6 milhões de toneladas por ano (MTPA), desde o início da produção em Moçambique, até 2040. O projecto de Moçambique, localizado entre os mercados da Ásia-Pacífico e Europa, consistirá em duas unidades de liquefacção com capacidade para a produção de 12,88 MTPA para apoiar o desenvolvimento dos campos Golfinho/Atum, localizados inteiramente dentro da Área 1 Offshore. A Anadarko fez a sua primeira descoberta na Área Offshore 1 em 2010. No total, Ingram disse que a empresa e seus parceiros descobriram cerca de 75 triliões de pés cúbicos de gás natural recuperável. Segundo a fonte, o projecto abre caminho para a expansão significativa até atingir 50 MTPA. A Anadarko diz que o projecto Golfinho/Atum também fornecerá volumes iniciais de cerca de 100 milhões de pés cúbicos por dia de gás natural para uso doméstico em Moçambique.
Quinta-feira, 28 June 2018 08:24

A trilogia do medo em Wall Street

As tensões comerciais entre os Estados Unidos e a China no que diz respeito às tecnologias subiram hoje de tom. Trump começou por dar mostras de uma posição mais suavizada, mas o seu conselheiro Kudlow veio lançar novas incertezas e este sector acabou por arrastar as bolsas norte-americanas para o vermelho. O Dow Jones fechou a ceder 0,68% para 24.117,59 pontos e o Standard & Poor’s 500 recuou 0,86% para 2.699,63 pontos. Por seu lado, o índice tecnológico Nasdaq Composite desvalorizou 1,54%, a valer 7.445,09 pontos. Esta quarta-feira, Donald Trump permitiu algum alívio nos mercados internacionais, ao sinalizar que será mais brando do que o esperado com os investimentos chineses em tecnologia norte-americana. No entanto, foi sol de pouca dura, uma vez que Larry Kudlow, conselheiro económico da Casa Branca, disse pouco depois numa entrevista à Fox Business Network que o plano anunciado pelo presidente dos EUA não indicava um posicionamento mais suave no que diz respeito à China. As palavras de Kudlow foram suficientes para as bolsas do outro lado do Atlântico inverterem a tendência, com as tecnologias a penalizarem fortemente a negociação. Na segunda-feira, um responsável da Casa Branca declarou que os EUA iriam aplicar restrições à compra de tecnológicas norte-americanas, não permitindo que sejam adquiridas por empresas que tenham pelo menos 25% de capital chinês. Mais tarde, o secretário norte-americano do Tesouro, Steven Mnuchin, afirmou que as restrições irão incidir sobre "todos os países que estão a tentar roubar a nossa tecnologia", o que ainda piorou as coisas. Recorde-se que o próximo sábado, 30 de Junho, é a data-limite para o Departamento do Tesouro dos Estados Unidos apresentar o seu relatório com as restrições ao investimento chinês em empresas do país do sector tecnológico e de outras indústrias relevantes. A travar maiores quedas na sessão de hoje estiveram as cotadas da energia, num dia em que o petróleo disparou para máximos de três anos e meio com a forte queda das reservas de crude nos EUA. Os preços do "ouro negro" marcaram máximos de finais de 2014, sustentados pela redução dos stocks norte-americanos de crude na semana passada – que diminuíram em 9,89 milhões de barris, naquela que foi a maior queda desde Setembro de 2016. A isto juntou-se a ameaça feita ontem pelo presidente Donald Trump de impor sanções aos países que até 4 de Novembro não deixem de comprar petróleo ao Irão, que é o terceiro maior produtor da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP).