Benigno Papelo

A Galp Energia é a cotada que mais sobe, beneficiada pela subida do preço do petróleo, que está a negociar em máximos de novembro de 2014. A bolsa portuguesa está a negociar em alta, a meio da manhã desta quinta-feira, dia 10 de maio, partilhando a tendência das praças europeias. O principal índice, PSI 20, soma 0,40%, para 5.572,79 pontos, impulsionado pelos ganhos da Galp Energia e do setor da banca. A Galp Energia é a cotada que mais sobe, ao valorizar 1,25% para 16,645 euros. Paulo Rosa, trader da Gobulling – Banco Carregosa, explica que a cotada está a ser beneficiada pela subida do preço do petróleo, que está a negociar em máximos de novembro de 2014. O Brent soma 0,65% para os 77,71 dólares por barril e o crude WTI valoriza 0,66% para os 71,61 dólares. O BCP continua também em alta, ainda impulsionado pelos resultados trimestrais revelados na segunda-feira à Comissão de Mercado de Valores Mobiliários (CMVM). Nos primeiros três meses do ano, o banco liderado por Nuno Amado registou um lucro de 85,6 milhões, o que traduz uma subida de 70,8% face ao período homólogo. O BCP soma 0,64% para 0,298 euros. Paulo Rosa chama a atenção para as ações da Altri, que esta quinta-feira atingiram máximos históricos. “A cotada está a ser beneficiada pela subida do preço da pasta de papel e da subida do dólar face ao euro, o que é benefício para as papeleiras tendo em conta que a pasta de papel é cotada em dólares”, afirma Paulo Rosa. A papeleira ganha 0,80% para 6,290 euros. No mesmo setor, a Navigator avança 0,12% para 4,952 euros. “As ações da Navigator negoceiam junto aos máximos de sempre. Fez máximo de sessão nos 4,978 euros, menos 2 cêntimos do que a cotação máxima que atingiu nos 4,998 euros”, indica Paulo Rosa. Em terreno positivo estão também a Sonae (0,35%), a EDP (0,43%), a Pharol (0,54%), a Semapa (0,63%), a Sonae Capital (0,40%), a NOS (0,33%), os CTT (0,44%) e a Corticeira Amorim (0,54%). Em contraciclo, a EDP Renováveis perde 0,06% para 7,925 euros. A empresa apresentou esta quarta-feira resultados trimestrais à CMVM. O lucro líquido da EDP Renováveis disparou 39%, em termos homólogos, para 94,1 milhões de euros no primeiro trimestre de 2018, suportado por uma queda significativa nos custos financeiros, anunciou a empresa. A subsidiária da EDP para as energias limpas já tinha anunciado a 17 de abril que a produziu mais 22% produziu 8,8 Terawatts/hora (TWh) de energia renovável a nível global entre janeiro e março, mais 14% do que no mesmo período do ano passado. Ainda assim, a empresa está a reagir em baixa a estes resultados, ao perder 0,75% para 7,980 euros. A cair estão também a Ibersol (-0,44%9 e a Mota-Engil (-0,42%). As restantes bolsas europeias negoceiam no ‘verde’. O índice alemão DAX soma 0,61%, o espanhol IBEX 35 sobe 0,32%, o italiano FTSE MIB valoriza 0,20%, o francês CAC 40 ganha 0,15%, o holandês AEX aprecia 0,23% e o britânico FTSE 100 segue com uma variação positiva de 0,18%. No mercado cambial, o euro ganha 0,11% para 1,186 dólares e a libra perde 0,02%, para 1,354 euros.
O Ministro dos Transportes e Comunicações, Carlos Mesquita, defende que a mitigação da insegurança cibernética é dever de todos os actores da sociedade. Mesquita falava esta quarta-feira, em Maputo, na abertura da 5ª edição da MOZ Tech, feira anual de tecnologias de Moçambique. Para ele, as notícias sobre o uso abusivo das tecnologias para pôr em causa os processos democráticos e a integridade dos Estados inspiram a adopção de políticas para garantir a segurança cibernética e o aproveitamento racional das tecnologias. Segundo Carlos Mesquita, apesar dos esforços visando assegurar maior acesso às tecnologias, persistem desafios que devem ser encarados por todos.
A vontade de concorrer a mais um pacote de financiamento para o fortalecimento do Sistema Nacional de Educação, foi manifestada pela ministra da Educação e Desenvolvimento Humano, Conceita Sortane, durante o encontro do pré-conselho dos países em desenvolvimento constituintes da parceria global para a educação, que decorre em Maputo. No primeiro pacote ainda na fase de implementação desde o ano de 2010, o país recebeu cerca de 233 milhões de dólares norte-americanos. Conceita Sortane diz que os fundos recebidos no pacote anterior ainda em implementação serviram para o melhoramento do sistema de educação, mas ainda há desafios. A reunião do pré-conselho dos países em desenvolvimento constituintes da parceria global para a educação termina esta quinta-feira.
A informaçãorecolhida pelo Instituto Nacional de Estatísticas (INE), nas cidades de Maputo, Beira e Nampula ao longo do mês de Abril, indicam que o país registou, face ao mês anterior, uma subida do nível geral de preços na ordem de 0,43 por cento. Em comunicado de imprensa divulgado ontem, o INE refere que a divisão de transportes foi a que maior agravamento de preços registou tendo contribuído com 0,28pp (pontos percentuais) positivos. “O País registou em Abril de 2018 uma inflação mensal de 0,43 por cento. A taxa de inflação acumulada situou-se em 2,17 por cento e a homóloga foi de 2,33 por cento”, revela o Instituto. De acordo com a fonte, analisando a inflação mensal por produto, destaca-se o aumento dos preços da gasolina (3,8%) das refeições em restaurantes (3,0%), do tomate (8,1%), do gasóleo (5,2%), dos seguros (22,0%), do material diverso para manutenção e reparação de habitação (3,0%) e dos vestidos (5,6%). O INE aponta ainda que alguns produtos, com destaque para o coco (21,9%), o peixe fresco (1,8%), a alface (8,3%), o carvão (2,0%), a batata-doce (16,6%), o peixe seco (1,1%) e o gás butano em botija (4,7%) sofreram queda de preços contribuindo para a inflação mensal com 0,38pp negativos. A informação recolhida aponta que ao longo dos primeiros quatro meses do ano, o país registou um aumento de preços na ordem de 2,17%. As divisões de transportes, alimentação e bebidas não alcoólicas e de restaurantes, hotéis, cafés e similares, foram as principais responsáveis pela tendência geral de aumento de preços ao contribuir com aproximadamente 0,98, 0,37 e 0,32pp positivos, respectivamente. “Desagregando a inflação acumulada por produto merece destaque o aumento dos preços de transportes semicolectivos urbanos e suburbanos de passageiro, da gasolina, das refeições em restaurantes, do tomate, do carvão vegetal, da cebola e do gasóleo. Estes comparticiparam com 1,67pp positivos no total da inflação acumulada”, frisa. Relativamente a igual período de 2017, o país registou um aumento de preços na ordem de 2,33%. As divisões de saúde e de transportes foram, em termos homólogos, as de maior agravamento de preços com 10,58 por cento e 8,58 por cento respectivamente.
O PCA da MCNET, Rogério Samo Gudo, procedeu, durante o jantar de gala da 5ª edição da Feira MOZTECH, à entrega do Prémio Melhor Contributo no Desenvolvimento da Janela Única Electrónica (JUE). O prémio foi para o Director-Central de sistemas de informação do BCI, Rui Garcês e Alberto Tovela, analista funcional do BIM. O prémio entregue pelo PCA da MCNET, Rogério Samo Gudo, é pelo contributo pessoal como utente da JUE. “A JUE depende de seus utilizadores, quer seja o seu grau e qualidade de uso e em relação ao feedback constante de como podemos melhorar a plataforma”, disse Samo Gudo. O PCA da MCNET acrescentou ainda que, as individualidades premiadas são pessoas que estão comprometidas em fazer bem as suas actividades e tirar maior proveito dos recursos que a JUE representa no seu trabalho.
O East3Route, uma iniciativa de turismo integrado, lançado em 2011, que envolvia Moçambique, África do Sul e Suazilândia será redesenhado, com o objectivo de integrar mais países, tornar-se sustentável e mais moderno, respondendo aos actuais desafios do turismo. A informação foi avançada pela vice-ministra da Cultura e Turismo, Ana Comoana, à margem do fórum de turismo de Durban Indaba 2018. Inicialmente, o projecto unia, por via do turismo integrado, a província e cidade de Maputo, a província sul-africana de KwaZulu-Natal, e Suazilândia. Recentemente, a província sul-africana de Mpumalanga e Seychelles juntaram-se ao projecto e espera-se ainda que o Gana e Quénia possam juntar-se, brevemente, ao East3Route. Os ministros e vice-ministros do Turismo desses países estiveram reunidos, esta semana, em Durban, na África do Sul, para discutir o novo modelo do projecto turístico. “Queremos desenvolver um produto, uma expedição, um movimento turístico que abrange todos os países envolvidos. Criar-se uma rota que possa movimentar muitos turistas. Este é um desafio, o que significa que temos que identificar produto comum, que não seja só para Moçambique, só para o KwaZulu, mas que sirva para alavancar o turismo regional”, disse a vice-ministra da Cultura e Turismo. Segundo Ana Comoana, os países têm o desafio de identificar as ambições actuais do turista, as suas prefências em relação a lugares de visita, estadia e alimentação. O East3Route deve responder às exigências do turista jovem como também do adulto, e das diferentes classes socias. A vice-ministra chefia a delegação moçambicana no Africa’s Travel Indaba, maior feira de Turismo regional, que iniciou na terça-feira e termina esta quinta-feira. Para a governante, esta feira é uma oportunidade para Moçambique vender as suas potencialidades, trocar experiências com outros países de forma a implementar na sua feira internacional do Turismo, a Ficane. “Queremos que a nossa feira, a Ficane, tenha a mesma dimensão que o Indaba e isso passa naturalmente pela presença. Da mesma forma que nós estamos aqui, os outros países também devem ir a Moçambique. Devem conhecer, no local, aquilo que nós podemos oferecer, ter a oportunidade de interagir com os que não podem estar cá. Deste modo ampliar a sua visão sobre o que Moçambique pode oferecer ao mundo”, explicou a ministra. A delegação moçambicana manteve ainda contactos com as instituições de turismo sul-africanas para conhecerem de perto o projecto de requalificação dos destinos turísticos de Durban. O encontro tinha como objectivo conhecer a estratégia e ganhar conhecimento para implementar no projecto de requalificação dos principais destinos turísticos de Moçambique, iniciativa que está a ser desenvolvida pelo Ministério da Cultura e Turismo e o INATUR.
Até bem pouco tempo Palma era um distrito esquecido em Moçambique. Mas o gás veio dar um lugar a Palma no mapa. A região está na mira de algumas multinacionais porque possui uma das maiores reservas de gás do mundo. A DW África entrevistou David Machimbuko, administrador de Palma, província de Cabo Delgado no norte de Moçambique, que esteve aqui em Bona recentemente para participar no encontro anual da ICLEI (International Council for Local Environmental Initiatives), um Fórum que tem por objetivo envolver Governos locais em prol da Sustentabilidade. DW África: O que mudou no distrito de Palma com o investimentos na área do gás? David Machimbuko (DM): Para além dos investimentos para a área de produção ou processamento de gás, temos agora, o nascimento de empresas ligadas ao turismo, que são hotéis que às vezes ou nalgum momento, já se equiparam aos hotéis na cidade de Pemba. E então a população também tem as suas oportunidades de colocar o seu produto no mercado, uma vez que o nível de crescimento populacional corre atrás daquilo que são os investimentos. Atendendo que há procura de emprego as diferentes áreas que neste preciso momento estão a prestar serviços recrutam o pessoal local e isso é uma mais-valia que a própria população vem ganhando o emprego assim como, na promoção dos seus produtos que localmente produzem. DW África: É possível mencionar ganhos obtidos já em Palma com esses investimentos quer na área do gás quer na área do turismo? DM: Na área de turismo já temos quatro hotéis de quatro estrelas, na área económica também ligada ao emprego há mais pessoas que estão a ser empregadas por causa das compensações que estão a acontecer a própria população já consegue promover o autoemprego fazendo atividades económicas como neste caso venda ou compra de produtos colocados no mercado local. DW África: Em termos de serviços prestados à população, refiro-me à saúde e à educação. Qual foi o ganho que as comunidades obtiveram até agora? DM: Com base naquilo que são as responsabilidades sociais das empresas, nós temos um bloco operatório que é de renome com um sistema que não se equipara a qualquer um ao nível do país. Temos um sistema de iluminação que existe ou montado para o hospital local nem o hospital central de Maputo tem. Até agora nós ressentimos a capacidade de fornecimento de energia que afinal a própria qualidade não chega a arrancar todo o equipamento. Só para sala de observação questões de Raio X, também temos máquinas modernas com capacidade também de serem reparadas ao nível local. Temos laboratório com capacidade de análise de bioquímicas que no entanto equiparamos ao hospital provincial. Para dizer que temos mais ganhos, tivemos também apoios na área da educação o apetrechamento das escolas temos a única escola secundária do nosso distrito, o equipamento que nós recebemos a partir de carteiras da biblioteca, assim como, da sala de informática veio das empresas multinacionais que estão a operar no distrito. Isto que estamos a falar agora é na fase da prospeção, aliás da construção para garantir que se construam as fábricas. Construíram também equipamento para produção de oxigénio na cidade de Pemba com base naquelas que são as empresas multi-nacionais que estão sediadas em Palma. DW África: E quem financia esses serviços fundamentais para as comunidades? DM: Aqui falamos de duas empresas que neste preciso momento já estão a dar a sua mão que é a Eni West África o que apetrechou o bloco operatório, construiu Casas mãe-sspera, apetrechou o bloco de análise e o laboratório, assim como de Raio X, construiu também algumas fontes para fornecimento de água a partir de furos que no entanto consegue abastecer pouco mais de 4 a 5 mil pessoas ao nível da sede do distrito. Enquanto que Anadarco deu um passo no equipamento informático da escola secundária e fornecimento de carteiras na mesma escola. Ainda na cidade de Pemba que o benefício foi de construir uma fábrica de produção de oxigénio que tem a capacidade de distribuir oxigénio em toda província e também fornece a toda as províncias vizinhas isto foi a Eni West África de novo.
Quarta-feiray, 09 May 2018 09:09

Bolsa de Tóquio desce 0,44% no fecho

O principal indicador da bolsa de Tóquio, o Nikkei, registou hoje uma ligeira descida de 0,44%, para 22.408,88 pontos no fecho. O segundo indicador de referência, o Topix, fechou a perder 0,39%, para 1.772,91 pontos. O índice Nikkei reflete a média não ponderada dos 225 valores vedeta da bolsa de Tóquio, enquanto o indicador Topix agrupa os valores das 1.600 maiores empresas cotadas.
Quarta-feiray, 09 May 2018 09:07

iZettle planeia IPO até final do ano

A 'fintech' sueca anunciou a sua intenção de realizar uma oferta pública inicial. Tem operações no mercado interno mas também em países como o Reino Unido, Espanha, México e Brasil. A companhia, que compete com a Square e a Shopify, tem estado em negociações com potenciais investidores para a operação de entrada em bolsa. A empresa deseja ainda angariar 226,6 milhões de euros numa nova ronda de financiamento. “O IPO proporcionará um melhor acesso aos mercados de capitais, para facilitar o nosso crescimento contínuo, e ajudar-nos-à a ser mais fortes na feroz competição por talentos”, disse o CEO e co-fundador da iZettle, Jacob de Geer, à Bloomberg. A MasterCard, a American Express e o Santander, além das capitais de risco Index Ventures e 83North, são alguns dos acionistas da empresa. A iZettle, que desenvolveu leitores de cartões para pagamento para smartphones e tablets, conseguindo, em 2015, uma ronda de financiamento no valor de 60 milhões de euros. Este investimento, obtido junto de dois fundos – o Intel Capital e Zouk Capital – que já no passado tinham apostado na empresa, permitiu-lhe suportar a expansão do seu novo serviço – chamado de iZettle Advance – e impulsionar o crescimento dos outros negócios, escreveu a agência noticiosa Fundada em 2010, a empresa está focada nos pequenos negócios e os seus rendimentos são obtidos através de taxas de transacções, querem adicionar novas fontes de receitas.
Palco de guerras constantes entre as grandes potências, o homem que nasceu no Luxemburgo e foi alemão antes de ser francês, começou a pensar numa Europa de paz quando Hitler governava a Alemanha mas também a França. Hoje é dia da Europa porque a Declaração Schuman nasceu a 9 de maio de 1950. Duas vezes primeiro-ministro de França, ministro das Finanças, ministro dos Negócios Estrangeiros, o luxemburguês Jean-Baptiste Nicolas Robert Schuman, nascido a 29 de junho de 1886, foi um dos políticos mais influentes do pós-II Guerra Mundial, inspirador e fundador da Comunidade Económica Europeia – e antes disso da Comunidade Europeia do Carvão e do Aço – tendo acabado por ganhar o reconhecimento de ser tratado com o ‘pai da Europa’. Ou um deles. Apesar de ter nascido no Luxemburgo, Robert Schuman assumiu a nacionalidade alemã do seu pai, Pierre – que por acaso nasceu francês mas tornou-se alemão quando a Alsácia-Lerona foi anexada pela Alemanha em 1871, no final da guerra, mais uma, entre a França e a Prússia, de onde resultariam os dias tumultuosos da Comuna de Paris. Schuman nasceu assim sentindo na pele o que eram os dias de aço de uma Europa onde os grandes impérios se digladiavam por uma supremacia que transformava o continente numa bola de fogo permanente – exportada, aliás, para idênticas conflitualidades nas possessões ultramarinas – na indiferença absoluta pelo povo que sucumbia nas trincheiras e pelo desenvolvimento harmonioso da economia, que por esses dias passava a ser apanágio do novo mundo, os Estados Unidos da América. De 1904 a 1910 estudou Direito, Economia, Filosofia Política, Teologia e Estatística nas universidades de Berlim, Munique, Bona e Estrasburgo, tendo-se licenciado em Direito com a mais alta distinção na Universidade de Estrasburgo, antes de se estabelecer como advogado em Metz. Entretanto, os impérios europeus não tinham aprendido nada com o conflito de 30 anos antes: depois de duas guerras nos Balcãs (em 1912 e em 1913) – e apesar de os trabalhadores jurarem entre si, durante a II Internacional, que desertariam se uma nova guerra acontecesse na Europa – o cenário de um no conflito estava montado. Desta vez para ser a última de todas as guerras europeia, como alguém na altura desatento achou que seria. Quando a guerra eclodiu em 1914, Robert Schuman foi chamado para a tropa pelo exército alemão em Metz, mas acabou dispensado do serviço militar por motivos de saúde. No final de mais uma contenda, a Alsácia-Lorena acabaria por regressar à posse de França e Schuman tornou-se cidadão francês em 1919. Nesse mesmo ano, decidiu investir na política, (do lado da democracia-cristã, que dava os primeiros passos depois de ter sido ‘criada’ pelo Papa Leão XIII) tendo sido eleito pela primeira vez deputado ao parlamento pela localidade Thionville (Moselle). Desse tempo, duas atividades acabam por o tornar conhecido: a harmonização das leis regionais com a lei nacional francesa (conhecida como Lex Schuman; e a investigação da corrupção, que o jovem advogado entendeu ser uma das fontes das guerras que iam dizimando o velho continente. Mas esses ensinamentos têm muito pouco a ver com o conflito que se seguiria e que teria como maior motivação a loucura de um homem só, confundida com uma espécie de desígnio pátrio misturado com deselegâncias étnicas. Ex-alemão, Schuman acabaria precisamente por esse motivo por ser cooptado para membro do governo de guerra do primeiro-ministro francês Paul Reynaud, com a função de encarregado dos refugiados. Naquele período titubeante, a França, ou parte dela, perdeu o pé: o Marechal Pétain, herói da Grande Guerra europeia, considerou apropriado manter uma aproximação delicodoce com Hitler, e apesar de Schuman ter votado favoravelmente à criação de um governo sob a alçada do velho herói, recusou fazer parte do governo. Pelo contrário, Schuman entrou em contacto com a outra França, a insubmissa, tendo em pouco tempo sido preso pela Gestapo pela prática de atos de resistência e protesto contra os métodos nazis. Preso e deportado para Dachau, Schuman passou por diversos estabelecimentos prisionais antes de, em 1942, conseguir escapar aos seus algozes e juntar-se à resistência francesa. Para a história da sua figura, permanecerá sempre a certeza de que data dessa época – ainda Hitler estava bem firme em Berlim – a sua convicção de que, para a Europa ser um lugar de paz e prosperidade, Alemanha e França teriam de partilhar um destino, qualquer que ele fosse, que mantivesse ligadas duas nações que, de outra forma, haveriam de se guerrear até ao fim dos tempos. Os primeiros tempos de paz não lhe foram agradáveis: Schuman teve dificuldade em fazer aceitar que não era um ‘vendido’ de Vichy (onde funcionavam os governos de Pétain) e só uma intervenção do próprio General de Gaulle, outro herói da guerra, o salvou de ser prematuramente atirado para fora dos compêndios de História. Regressou à política. Foi ministro das Finanças e primeiro-ministro entre 1947 e 1948 – pouco tempo, mas o tempo suficiente para propor a criação de uma assembleia europeia, que teria como funções a salvaguarda da paz, que tinha custado 60 milhões de vítimas, e o desenvolvimento integrado. Era o Conselho da Europa que dava os primeiros passos, muito antes de alguém (a não ser Schuman) acreditar no que parecia não ser mais que uma fábula. Se outro valor essa proposta não tivesse tido, uma haveria de lhe ser conferida: a ideia de uma Europa unida sob uma estrutura comum deixava de ser matéria de discussão meramente académica e de café ao fim da tarde, para passar a ser uma hipótese. Foi de seguida ministro dos Negócios Estrangeiros (cargo que ocuparia em diversos governos até 1953). Foi nessa qualidade que, em 1949, em plena Assembleia Geral das Nações Unidas, explicou o objetivo de França de criar uma organização democrática, europeia e supranacional, na qual uma Alemanha pós-nazista e democrática pudesse unir-se aos países que tão poucos anos antes tinha guerreado ferozmente. E a coisa aconteceu (já depois da criação da NATO, em 1949, que também levou a assinatura de Schuman), com aquilo que ficará na História com o nome de Declaração Schuman (9 de maio de 1950). Primeiro timidamente, dir-se-ia, com a Comunidade Europeia do Carvão e do Aço (1951, com o Tratado de Paris, assinado pela Bélgica, França, Alemanha Ocidental, Itália, Holanda e Luxemburgo), que Schuman considerava ser a única forma de “tornar a guerra não só impensável, mas materialmente impossível”. Mas depois de forma sustentada, porque o político francês soube cativar homens com a mesma visão universalista e pacífica, entre eles avultando a figura do chanceler alemão Konrad Adenauer, sem o qual o projeto não poderia ter sucesso, mas também a do diplomata francês Jean Monnet (outro ‘pai da Europa’). A evolução do conceito e a prova no terreno (com a CECA) de que o sistema miraculosamente podia funcionar acabou por resultar na assinatura do Tratado de Roma (25 de março de 1957 pela Bélgica, França, Itália, Luxemburgo, Holanda e Alemanha Ocidental), que instituía a Comunidade Económica Europeia e a Comunidade Europeia de Energia Atómica (Euratom). Robert Schuman viria ainda a ser ministro da Justiça em França, mas só por uma brincadeira do destino não seria, como foi, o primeiro presidente do Parlamento Europeu, entre 1958 e 1960. Morreria três anos mais tarde, a 4 de setembro de 1963.