Benigno Papelo

A empresa mineira australiana Mustang vai realizar até Junho um estudo sobre a possibilidade de criar uma unidade de extracção de grafite no norte de Moçambique, anunciou numa nota aos accionistas. "A conclusão do estudo está programada para o segundo trimestre de 2018, seguindo-se o início do estudo de viabilidade definitivo" que poderá anteceder o investimento, lê-se no documento hoje consultado pela Lusa. O estudo vai incluir os resultados "espectaculares" de 11 furos de prospecção já realizados em Caula, Montepuez, na província de Cabo Delgado, e que encontraram grandes filões de grafite, declarou a Mustang. As amostras recolhidas durante a prospecção "estão a ser enviadas para ensaios e testes metalúrgicos", acrescentou. A Mustang tem uma mina de rubis na mesma região, de onde agora pretende extrair grafite e que se situa ao lado de uma mina explorada pela Syrah, outra empresa australiana que já iniciou a embalagem e a exportação de grafite. A existência de valiosos depósitos subterrâneos já tinha motivado também o investimento da multinacional alemã AMG Graphit Kropfmuhl, que em Junho de 2017 iniciou formalmente a produção de grafite na mina de Ancuabe, noutra zona de Cabo Delgado. A procura de grafite está em alta a nível mundial por ser um componente usado em baterias, numa altura em que o mercado de automóveis movidos a electricidade e outros produtos eléctricos - como as aeronaves autónomas (drones) está em expansão.
Quarta-feiray, 07 February 2018 09:48

Angola deve a Portugal cinco milhões de euros

A dívida de Angola com tratamento médico de cidadãos angolanos em Portugal ronda os cinco milhões de dólares, anunciou esta terça-feira o embaixador angolano em Lisboa. Marcos Barrica disse que, por essa razão, os doentes em tratamento em Portugal passam por dificuldades. "Há dificuldades reconhecidas, que não são novas, periodicamente temos vindo a reportar e estamos a acompanhar. Há dificuldades temos que reconhecer isso", afirmou Marcos Barrica, em declarações à Rádio Nacional de Angola. Segundo o embaixador de Angola em Portugal, essa questão "está em vias de resolução", porquanto "há um esforço muito grande por parte do Estado angolano para resolver a dívida". "E tem vindo a ser resolvida, essa divida é repartida em várias áreas, não só na área clínica, mas também em todos os domínios conexos, por exemplo, o alojamento dos doentes e acompanhantes, estão nas pensões e às vezes em casas particulares, o transporte e o subsídio que recebem mensalmente, tudo isto configura-se então na dívida que se tem", explicou o diplomata angolano. O embaixador de Angola em Portugal informou ainda que o Ministério da Saúde angolano enviou há bem pouco tempo uma delegação, dirigida pela Junta Nacional de Saúde, para fazer uma radiografia da situação do setor da saúde. "Estamos crentes que com o trabalho feito e com as conclusões recolhidas poderão sim estar em melhores condições para a solução que se espera seja encontrada", frisou. Há um ano, o ex-ministro da Saúde de Angola, Luís Gomes Sambo, afirmou que o Estado angolano estava a resolver o problema da dívida que contraiu com países para onde são transportados doentes, entre os quais Portugal, mas sem avançar o valor da mesma. "Conformo que temos evacuado muitos doentes e ultrapassado a capacidade orçamental, estamos neste momento a resolver o problema da dívida, estamos a pagar a dívida, ao mesmo tempo que estamos a diminuir o número de doentes evacuados para esses países", disse então Luís Gomes Sambo.
Quarta-feiray, 07 February 2018 08:30

EUA: Défice comercial cresce 12% para máximos de 2008

Números divulgados pelo Departamento de Comércio norte-americano demonstram o forte impulso da procura interna norte-americana, que levou as importações para um nível recorde. O défice comercial dos EUa cresceu 12,1% em 2017 relativamente ao anterior, situando-se nos 566 mil milhões de dólares (458.356 mil milhões de euros), o nível mais alto desde 2008, o que demonstra o forte impulso da procura interna norte-americana, que levou as importações para um nível recorde, segundo informou o Departamento de Comércio norte-americano. No conjunto do exercício, o défice comercial cresceu 61.200 mil milhões de dólares comparando com o saldo negativo de 504.800 mil milhões de 2016. Neste sentido, as exportações de bens e serviços situaram-se nos 2,32 triliões de dólares, uma subida de 121.200 mil milhões relativamente a 2016, enquanto que as importações tiveram um valor de 2,89 triliões de dólares, 182.500 mil milhões mais que um ano antes. Como percentagem do Produto Interno Bruto norte-americano, o défice de bens e serviços em 2017 foi de 2,9%, mais duas décimas que no fecho do exercício anterior. Em dezembro, o défice de bens e serviços foi de 53.100 mil milhões de dólares, uma subida de 5,3% relativamente ao mês anterior. As importações situaram-se nos 256.500 mil milhões de dólares, 6.200 mil milhões mais que em novembro.
Nouriel Roubini, economista de renome que previu a crise financeira e assumidamente anti-cripto, afirmou esta terça-feira que o valor da bitcoin vai chegar a zero. Ultrapassou os 19.000 mil dólares em dezembro e, menos de dois meses depois, negoceia abaixo dos 6.000. O tombo de 64,7% do valor da bitcoin levou o economista Nouriel Roubini a antecipar o fim da maior criptomoeda do mundo. “Como se esperava, a bitcoin ‘crashou’ abaixo de 6.000 dólares. Agora, a barreira dos 5.000 dólares está a chegar. E a Audição no Congresso dos EUA sobre Cripto-Esquemas ainda está a um dia de distância”, escreveu Roubini no Twitter. “Loucos HODL [hold on for dear life ou alguém que mantém o investimento a longo prazo] vão ter bitcoins a derreter até ZERO, enquanto golpistas e whales [investidores com grande quantidade de criptomoedas] descarregam e fogem…”, acrescentou. A bitcoin tocou esta terça-feira mínimos de 12 semanas, negociando nos 5.957,37 dólares (cerca de 4.811,39 euros), depois de utilizadores de cartão de crédito de quatro bancos dos Estados Unidos da América terem sido impedidos de comprar moedas virtuais na Coinbase. Esta segunda-feira, a China também anunciou querer reforçar os esforços para travar o uso de criptomoedas. Entre as medidas está o encerramento de plataformas de intercâmbio destes ativos digitais. A notícia foi especialmente penalizadora já que a China é o maior consumidor e produtor mundial de bitcoins (mais de 90% do comércio global da moeda chegou a ser feito na China). No entanto, estes foram apenas os últimos embates num ativo que está no chão há várias semanas. A capitalização de mercado total de todas as moedas virtuais caiu para 282,40 mil milhões de dólares, o que corresponde ao nível mais baixo desde 26 de novembro de 2017. Todo o mundo cripto tem sido penalizado por avisos de economistas, traders, analistas e instituições, incluindo governos e bancos centrais.
Bancos de investimento em Portugal estão a adaptar-se, mas começaram tarde e as regras apertadas poderão criar dificuldades ao setor. As normas mais apertadas da nova regulamentação europeia dos mercados financeiros, que entrou em vigor no início do ano, está a levar os bancos de investimento que operam em Portugal a trabalhar de forma acelerada para estarem prontos quando a transposição para o país for terminada. Com o objetivo de aumentar a transparência no setor, a revisão da Diretiva dos Mercados Financeiros (DMIF II) está a obrigar os bancos a reconfigurarem operações. O foco está nas equipas de research, área que será mais afetada. “Havendo objetivos nobres na enunciação dos princípios gerais da transparência e conhecimento aprofundado dos mercados, há que ter em atenção alguns fatores concretos que podem ser contraproducentes”, explicou Manuel Puerta da Costa, economista, analista financeiro e presidente Associação Portuguesa de Analistas Financeiros (APAF). “No domínio do research, vão-se a criar dificuldades para os países com mercados mais pequenos, elevando os custos de acesso ao mercado de capitais por parte de algumas empresas”. Com a entrada em vigor da regulamentação, todo o research passa a ser remunerado separadamente por gestores de ativos, deixando o acesso de poder ser gratuito ou incluído num pacote de serviços, como até ao ano passado. “Na prática, irá limitar a quantidade de research disponível (para todos e não só para alguns), na medida em que os custos/benefícios associados à sua produção podem não ser suficientes para a continuidade no caso de empresas com nivéis de liquidez e de capitalização bolsista mais baixa, como é o caso de muitas empresas portuguesas”, afirmou Puerta da Costa. Nuno Carvalho, responsável pelo departamento de compliance do Haitong, aponta para o research como o maior desafio para o banco de investimento, que implementou mais de 150 atividades para se adaptar ao regulamento europeu. “Transition reporting foi o setor que implicou maior consumo de recursos”, disse, lembrando que o Haitong distribui research para milhões de destinatórios em Portugal, Espanha e Polónia. “Tivemos de fazer uma seleção e passar a enviar apenas para clientes que assinaram um contrato”, afirmou Nuno Carvalho. O Haitong começou a adaptação em junho, “o que é tarde em comparação com bancos estrangeiros, que começaram há dois anos”. O responsável pelo compliance acrescentou que todo o setor está “ainda num período transitório, que só vai acabar quando a legislação for totalmente transposta” e que ainda é cedo para avaliar o impacto financeiro das mudanças. No entanto, “para o modelo de negócio, a distribuição foi o campo em que houve maior diferenças”, disse. “Vamos ver se o modelo é sustentável, mas a expetativa é que o número de clientes se mantenha”. A preocupação em antecipar a transposição da diretiva para a lei nacional é generalizada, com os bancos de investimento a ganharem obrigações, a começar por todos os colaboradores terem de ter, até final de 2019, qualificações específicas. Cada interveniente passa a ter um novo código alfanumérico (código LEI) que lhes dá uma única entidade para realizarem qualquer transação financeira. Há também mudanças nas terminologias, para clarificar processos e passa a ser obrigatório avaliar a adequação de produtos financeiros complexos ao investidor, através de uma avaliação mais rigorosa. No BiG – Banco de Investimento Global, “existe um conjunto de requisitos que já entraram em vigor, nomeadamente os decorrentes dos regulamentos de aplicação direta, e outros que ainda carecem de esclarecimento ou clarificação por parte dos reguladores”, segundo fonte oficial do banco. Explica que todos os serviços de investimento e serviços auxiliares tiveram de adequar-se ao novo enquadramento, com “destaque para as alterações em matéria de product governance, transversais a todos os produtos e serviços, mas também para os requisitos de formação introduzidas para a prestação de determinados serviços”. Quanto ao impacto das mudanças, preferem focar-se na parte positiva e apontam para uma expetativa de “maior transparência, uniformização de práticas e requisitos e existência de um level playing field ao nível europeu”. Da mesma forma, o BPI não espera “impactos significativos” para o negócio, frisando como maior diferença a “formalização e clareza das regras de relacionamento com os clientes”, bem como a generalização em condições idênticas a todo o setor, não apenas em Portugal, mas na Europa. “O Banco BPI já se adaptou às novas regras, nomeadamente no que respeita à formação dos seus colaboradores e ao cumprimento das principais obrigações impostas pela regulamentação que está em vigor”, referiu. O Caixa Banco de Investimento (BI) está também a apostar na formação, tendo já formado 4.807 colaboradores, que estão certificados, sendo que 50% tiveram a nota máxima. Já o Bankinter Portugal acredita que as mudanças vão ter “um impacto positivo na qualidade do serviço prestado aos clientes e na clareza da informação de suporte às decisões de investimento, em todo o mercado”. O banco de origem espanhola, que apostou recentemente na banca de investimento em Portugal, refere que já observava “uma parte muito significativa” do novo quadro, mas aproveitou para “introduzir algumas alterações no modelo de prestação de serviços de investimento, convergindo com a prática do Bankinter em Espanha”. O alinhamento permitiu “alcançar um grau acrescido de proteção ao investidor, tornando os processos-chave ainda mais simples e robustos”, segundo fonte oficial do banco espanhol. Se, por um lado, os bancos de investimento portugueses estão a acelerar para se adaptarem às novas regras e terão de adaptar os modelos de negócios aos novos desafios, por outro, poderão beneficiar de regras harmonizadas entre concorrentes europeus. “A DMIF II tem como objetivo principal contribuir para um melhor e mais transparente funcionamento dos mercados financeiros num contexto europeu, em que investidores, gestores e distribuidores tenham claras responsabilidades e necessidades de prestação de informação para uma mais correta e mais informada tomada de decisão por parte de quem investe e de quem vende produtos financeiros”, lembrou Puerta da Costa, da APAF. “É essencial que todas as informações que sejam prestadas sejam calculadas e verificadas sob formatos semelhantes de país para país de maneira a criar um saudável aumento da concorrência Europeia”.
Quarta-feiray, 07 February 2018 08:03

Arrancou oficialmente o funcionamento do metrobus

Arrancou oficialmente o funcionamento do metrobus, que consiste na combinação do transporte ferroviário e rodoviário para responder ao problema de mobilidade entre os municípios da Matola e Maputo. Numa primeira fase, o metrobus tem capacidade para transportar cerca de 30 mil pessoas por dia. De 6 a 9 de Fevereiro os passageiros podem circular gratuitamente. Normalmente, o transporte custa 35 meticais diários por viagem e quando o passe for mensal, o passageiro deverá pagar 25 meticais por dia, o que corresponde a 750 meticais por mês. O projecto metrobus dispõe de um leque de 100 autocarros para a garantir a distribuição e recolha dos passageiros em vários pontos da cidade da Matola, Maputo e arredores. Espera-se que, até junho, com a abertura de mais linhas, a capacidade aumente para 50 mil passageiros por dia.
O Governo aprovou, durante a sessão do Conselho de Ministros, o plano de desenvolvimento da área um da bacia do Rovuma. Trata-se de um projecto de produção de gás natural no distrito de Palma, extremo norte de Cabo Delgado. Liderado pela norte-americana Anadarko, o consórcio que explora a área um da Bacia do Rovuma deverá investir 12 mil milhões de USD, o que vai permitir a criação de cinco mil empregos na fase construção e mil na fase de produção. O Governo espera encaixar, em impostos e partilha de produção, 30.7 biliões de USD até 2047.
A taxa de desemprego para o conjunto de 2017 deverá ter ficado em torno dos 8,2%, abaixo da estimativa do Governo de 9,2%, de acordo com analistas, que preveem uma nova quebra para 2018. O Instituto Nacional de Estatística (INE) divulga na quarta-feira as Estatísticas do Emprego relativas ao quarto trimestre, incluindo a taxa anual apurada para 2017, depois de em 2016 o desemprego se ter situado nos 11,1%. No ano passado, a taxa de desemprego apurada pelo INE para o primeiro trimestre situou-se nos 10,1%, baixando no segundo trimestre para os 8,8% e no terceiro trimestre para os 8,5%. Em termos mensais, a estimativa provisória do instituto para dezembro é de que a taxa de desemprego se tenha situado nos 7,8%, baixando dos 8,1% observados em novembro, o valor mínimo registado desde novembro de 2004. Para o economista-chefe do Montepio Geral, Rui Bernardes Serra, para o quarto trimestre, estima-se uma nova descida da taxa de desemprego trimestral para os 8,2%, apontando-se um valor médio de 8,9% para o conjunto do ano. Este valor fica em linha com os 8,9% estimados pelo Banco de Portugal (BdP) e pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) e abaixo dos valores estimados pelo Governo no Orçamento do Estado para 2018 (9,2%). Para 2018, Rui Bernardes Serra estima uma nova redução para os 7,8%, um valor em linha com o previsto pelo BdP (7,8%), mas bem inferior ao previsto pelo Governo (8,6%) e pelo FMI (8,4%). Paula Gonçalves Carvalho, da Unidade Estudos Económicos e Financeiros do Banco BPI, estima igualmente que a taxa de desemprego no conjunto de 2017 se tenha situado nos 8,9% e que volte a baixar em 2018 e 2019, para os 7,9% e 7,4%. Para o quarto trimestre, em concreto, estima igualmente que a taxa de desemprego se situe em torno dos 8,2%. Para o gestor da corretora XTB, Eduardo Silva, as expectativas para o mercado laboral “são as melhores”. “O otimismo em torno do mercado laboral é notório. O mercado está preparado para que 2018 seja novamente um ano forte em contratações e crescimento. Anos de facilitismo monetário e crescimento têm impacto evidente no mercado laboral, antes da normalização monetária ainda deveremos continuar a assistir a uma evolução positiva nos números do desemprego”, referiu à agência Lusa. Apesar do crescimento, certos setores deverão registar uma maior procura, como as engenharias, tecnologias de informação e comerciais e, por esta razão, Eduardo Silva perspetiva uma evolução positiva também nos empregos para os mais jovens. Na mesma linha, o economista do Banco Carregosa, Rui Bárbara, diz esperar que se mantenha a tendência de descida, em termos homólogos, “dada a dinâmica da economia portuguesa, que tem sido a da retoma da economia interna, ajudada pelo fluxo de investimento externo – não necessariamente reprodutivo, como o investimento em fábricas, mas tem havido entrada de investimento, nomeadamente, para o imobiliário”. “Esta descida da taxa de desemprego já não é feita maioritariamente à custa da diminuição da população ativa, mas sim à custa de criação de emprego novo até porque, dada a situação das respetivas economias, Angola e Brasil já não atraem tantos emigrantes portugueses”, apontou.
O gabinete de estudos económicos do Standard Bank considera que a economia de Moçambique deverá crescer 3,5% este ano e 3,9% em 2019, estando dependente dos investimentos estrangeiros nos recursos naturais para acelerar o crescimento. "O crescimento do PIB vai continuar baixo até ao próximo 'boom' em investimento directo estrangeiro, que deverá estar associado com o desenvolvimento dos projectos do gás", escrevem os analistas deste banco com forte presença no continente africano. No documento, enviado aos investidores e a que a Lusa teve acesso, os analistas esperam um crescimento de 3,5% este ano e de 3,9% em 2019, depois de no ano passado Moçambique ter atingido o ponto mais baixo da crise, com uma expansão de 3,2% da sua economia. "A economia foi fortemente atingida com as revelações, em Abril de 2016, de empréstimos escondidos, que forçaram a adopção de uma política monetária mais restritiva e medidas de consolidação orçamental para ajudar a restaurar a estabilidade macroeconómica, conduzindo o crescimento e a procura para níveis historicamente baixos", escrevem os peritos do Standard Bank. "Apesar da descida da inflação e do declínio das taxas de juro, não esperamos que o crescimento do PIB volte à média de 7% ao ano registada antes de 2016", dizem os analistas. A dívida de dois mil milhões de dólares - num episódio conhecido como escândalo da dívida oculta - foi contraída em 2013 e 2014, durante a presidência de Armando Guebuza, por três empresas públicas detidas pelo Serviço de Informações e Segurança do Estado (SISE): a Ematum, supostamente dedicada a uma frota de pesca, a Proindicus, de segurança e vigilância marítima, e a MAM, ligada à manutenção naval. Uma auditoria da consultora internacional Kroll pedida pela PGR e divulgada em Junho do ano passado descreve as firmas como uma fachada, sem planos de gestão credíveis, e implica vários detentores de cargos públicos em todo o processo, sem os nomear. A Kroll queixa-se ainda de lhe ter sido negado acesso a informação relevante para perceber para onde foi o dinheiro, sob justificação de ser material sensível relativo à segurança do Estado. Este caso levou ao corte do financiamento externo por parte do FMI e dos doadores internacionais e a uma descida dos 'ratings' atribuídos ao país, no seguimento do incumprimento financeiro do Estado sobre a emissão de dívida soberana e sobre os empréstimos destas empresas.
Cerca de três mil microempresas moçambicanas receberam formação em matérias ligadas à gestão empresarial em 2017, disse hoje fonte do Instituto para a Promoção das Pequenas e Médias Empresas (Ipeme). As empresas receberam formação em matérias de financiamento, empreendedorismo, gestão de negócios e contabilidade, segundo fonte do Ipeme. A formação incidiu principalmente em quatro províncias, nomeadamente Sofala, Manica e Zambézia, no centro de Moçambique, e Maputo, no sul do país. Só em Maputo, mais de 485 microempresas foram orientadas em temas como desenvolvimento de planos de negócios, contabilidade, gestão de recursos humanos, gestão de risco, obrigações laborais, compras públicas, normas de qualidade e propriedade industrial.. Além da gestão de agronegócio, durante a formação, a legalização de pequenas e médias empresas também foi tema de destaque. “Na componente de assistência na área de legalidade foram apoiadas, na formalização, 21 empreendimentos na obtenção de licença simplificada e na elaboração de actividades”, acrescentou a fonte.