Benigno Papelo

O Banco de Moçambique voltou a emitir títulos da dívida pública. Com o efeito, o crédito às famílias e sector privado permanecerá mais caro e limitado. A medida vai aumentar o já insustentável serviço da dívida pública. Uma medida bastante criticada pelos economistas, mas a tesouraria nacional insiste em aplicá-la para financiar o défice das contas públicas, num contexto em que os doadores externos congelaram os fundos para o Orçamento do Estado (OE). O Banco de Moçambique (BM) irá efectuar a colocação de Bilhetes do Tesouro (BT,s) do tipo B em leilão. Trata-se de títulos da dívida pública a curto prazo, em que o Estado recorre para se financiar. O leilão, segundo o Banco Central, é dirigido às chamadas instituições financeiras não monetárias, nomeadamente, sociedades financeiras de corretagem, sociedades corretoras, sociedades gestoras de fundos de pensões, sociedades gestoras de fundos de investimento e empresas seguradoras. Caso para dizer que nada tem valido os constantes apelos de analistas económicos, que defendem o abandono desta prática, atendendo a actual situação de insustentabilidade económica que o país atravessa. Basta lembrar, que o Instituto de Estudos Sociais e Económicos (IESE) advertira em 2016, o Executivo ao não efectuar emissão Bilhetes de Tesouro, porque ao fazê-lo, limita a possibilidade de redução das taxas de juro, encarece o custo para as empresas e as famílias que já tem créditos com a banca e as tendências especulativas do sistema financeiro aumentam. Para o IESE, ao emitir BT,s, que em Moçambique são comprados pelos bancos comerciais, o Governo absorve os recursos do sector financeiro que poderiam ser usados para financiar as pequenas e médias empresas.
A nova vaga de construção de linhas-férrea em África tem vindo a prestar mais atenção às necessidades reais dos países africanos, principalmente no Oceano Índico e países sem acesso directo ao mar da região dos Grandes Lagos. É nessa óptica que Moçambique é visto como um dos grandes intervenientes nesta “revolução ferroviária” em África, dado que, embora as ferrovias que detêm sirvam fundamentalmente para transportar carvão, poderão servir igualmente para apoiar o crescimento do comércio transfronteiriço. Um artigo recentemente publicado no China-Lusophone Brief (CLBrief), um serviço de informação sobre a China e os países de língua portuguesa, destaca que Moçambique poderá vir a ter um papel a desempenhar na nova geração de linhas de caminho-de-ferro em África. “As linhas de caminho-de-ferro que transportam carvão da África do Sul e do Botsuana para exportação podem ser utilizadas para transportar outros produtos e as linhas que existem na região Centro de Moçambique, podem ser igualmente utilizadas para transportar os produtos que os países sem acesso ao mar da região, casos do Malawi e Zimbabwe, precisam de exportar”, lê-se no artigo, a que O País teve acesso. A China Railways propôs a construção de uma ferrovia ligando Moçambique ao Zimbabwe, através da Zâmbia, um projecto com um custo estimado em 2,5 mil milhões de dólares que dará acesso facilitado aos portos moçambicanos. O projecto levou no final de Julho último a Harare, uma delegação da China Railways, chefiada pelo vice-presidente Shao Gang, para contactos com o governo local, juntamente com o parceiro local, a Global Power Bridge International. A primeira fase do projecto consistirá numa ligação de 400 quilómetros entre Shamva, no Zimbabwe, e Moatize, em Moçambique, de onde parte uma linha de 900 quilómetros de extensão até ao porto de Nacala (Corredor Logístico de Nacala, por onde é escoado o carvão da mina de Moatize, produzido pela brasileira Vale). O projecto envolve ainda a construção de uma linha de 1700 quilómetros ligando directamente Binga, na fronteira do Zimbabwe com a Zâmbia, até ao porto de Nacala. Ciente dos desafios, a empresas Portos e Caminhos-de-ferro de Moçambique (CFM), anunciou recentemente que pretende investir 200 milhões de dólares na modernização da sua rede ferroviária ao longo dos próximos três anos.
A empresa australiana Mustang Resources anunciou que levantou 1,7 milhão de dólares (mais de 100 milhões de meticais) através de uma colocação privada para promover o projecto de grafite de vanádio da empresa, na província nortenha de Cabo Delgado. Em comunicado divulgado em sua página, a firma revelou que deste montante, mais de 10 por cento veio da administração e directores da Mustang Regius Resources (que é maioritariamente detida pelo COO da Mustang, Cobus Van Wyk, e pelo director Christiaan Jordaan). Os outros investidores estão baseados na Austrália, Hong Kong e nos Estados Unidos da América (EUA). De acordo com o director da Mustang, Bernard Olivier, “este aumento de capital é importante no rápido desenvolvimento do projecto Caula Vanadium-Graphite em Moçambique”. Ele observou que o JORC Measured Resource (JORC é o código australiano para relatar recursos minerais) descobriu que 22 milhões de toneladas de material lavável contêm 0,37% de pentóxido de vanádio (81.400 toneladas) e 13,4% de grafite (2,93 milhões de toneladas). Olivier acrescentou que “com o estudo de viabilidade já em andamento, é provável que o recurso seja ampliado no futuro próximo”. A empresa afirma que os testes confirmaram “grafite de qualidade excepcional, com mais de 63% da proporção acumulada em tamanhos grandes ou super grandes”. Além disso, o vanádio é “hospedado em roscoelite (um mineral de mica), potencialmente mais simples e mais barato para extrair vanádio do que os típicos depósitos de vanádio titano-magnetita”. O Mustang salienta que “Moçambique é um destino de investimento atraente” com um perfil de risco soberano relativamente baixo, com um quadro legal e comercial estabelecido que atraiu investimentos significativos em projectos de minerais nos últimos anos. Grafite é uma forma de carbono que é altamente valorizada devido às suas propriedades como condutoras de eletricidade. É usado em baterias e células de combustível e é a base para o grafeno “material milagroso”, que é o material mais forte já medido, com vasto potencial para uso nas indústrias eletrônicas. O vanádio é usado principalmente como um aditivo para fortalecer o aço. No entanto, agora está sendo usado em uma nova geração de baterias recarregáveis.
Guerra comercial chegou ao papel português. O Departamento do Comércio decidiu aplicar uma taxa de 37%, quando a esperada era 0%, numa decisão que a papeleira considera "intencional" e que vai contestar. A Navigator poderá ver o lucro líquido deste ano reduzido em 45 milhões de euros e o EBITDA (lucros antes de juros, impostos, depreciações e amortizações) em 66 milhões de euros devido à atualização da taxa anti-dumping pelos EUA. Segundo as contas da própria empresa, à taxa de câmbio atual, este é o impacto estimado de uma decisão “intencional” com “o objetivo de aumentar a taxa final sobre vendas de papel Navigator para os EUA”. Os Estados Unidos decidiram aplicaram uma taxa anti-dumping de 37,34% retroativa ao papel vendido pela portuguesa Navigator entre agosto de 2015 e fevereiro de 2017. Durante esse período, a taxa provisória e sob revisão era de 0%. “Esta alteração constitui uma modificação substancial da taxa anterior e, tendo em consideração que as autoridades norte-americanas não solicitaram informações adicionais nem se verificaram quaisquer alterações de circunstâncias, acreditamos que esta decisão reflete uma mudança intencional dos pressupostos assumidos pelo Departamento de Comércio com o objetivo de aumentar a taxa final sobre vendas de papel Navigator para os EUA”, afirmou a empresa, num comunicado enviado à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM). O processo teve início em fevereiro de 2015, seguindo-se a determinação de uma taxa de depósito provisória de 29,53% em agosto desse ano, com base numa avaliação preliminar. Na avaliação final, de janeiro de 2016, a taxa foi reduzida para 7,8% pela correção de um erro administrativo, sendo que essa taxa esteve em vigor até à presente data. Taxas entram em vigor enquanto recurso é analisado A Navigator garante ter sempre colaborado com as autoridades dos EUA e sublinhou continuar a defender que não existem fundamentos para “a aplicação de medidas desta natureza às vendas dos seus produtos nos Estados Unidos”. A empresa liderada por Diogo Rodrigues de Silveira vai recorrer dessa decisão e interpor uma providência cautelar para impedir a Alfândega dos EUA de aplicar a nova taxa sobre as importações efetuadas durante o primeiro período de revisão. Apesar do recurso, a nova taxa será aplicável a todas as importações depois da data de publicação da decisão, que está prevista para dentro de aproximadamente uma semana. A impugnação judicial pela Navigator irá também cobrir esta medida. “A Navigator recorrerá a todos os meios processuais disponíveis e está convencida que vai conseguir demonstrar perante os tribunais norte-americanos que a taxa acima mencionada para o período em causa é totalmente injustificada e, consequentemente, fazer com que o Departamento de Comércio reverta esta medida administrativa”, referiu a empresa. Novo rombo nas contas da Navigator A papeleira portuguesa desenvolve atividades comerciais nos EUA há 18 anos, especialmente no segmento de papel premium, com preços médios mais de 15% acima do benchmark do mercado norte-americano. “A Navigator vai continuar a defender o direito de fornecer à sua leal clientela nos EUA as marcas de elevada qualidade que esta tem constantemente exigido”, garantiu. No ano passado, o lucro da Navigator já tinha caído (4,4% em comparação com 2016), para 207,7 milhões de euros devido à subida dos impostos, que mais do que quintuplicaram. Este ano estava a ser de recuperação, mas a empresa enfrenta agora um novo desafio com a guerra comercial a chegar ao papel português. No primeiro semestre de 2018, o volume de negócios totalizou 817 milhões de euros, 0,5% acima do semestre homólogo, o EBITDA cresceu 14% para 226 milhões de euros e o resultado líquido aumentou 24% para 119 milhões de euros, impulsionados pelo aumento dos preços da pasta, papel e tissue. No entanto, já na altura de apresentação de resultados, a papeleira liderada por Diogo Rodrigues de Silveira já tinha alertado para os riscos da guerra comercial. “As perspectivas para o sector da pasta mantiveram-se positivas ao longo do primeiro semestre de 2018, verificando-se uma pressão em alta no preço durante este período”, referiu a empresa, em julho. “A Navigator, que vende os seus produtos em cerca de 130 geografias e tem as suas vendas expostas à evolução de diferentes moedas internacionais, em particular do dólar norte-americano, não pode deixar de ver com alguma preocupação estes recentes desenvolvimentos [das tensões comerciais]”.
As transferências foram divididas entre Madrid, Valência e Aragão. Em muito menor número, também houve empresas que quiseram instalar-se naquela comunidade autonómica. Um total de 1.886 empresas mudou a sua sede para fora da Catalunha entre janeiro e junho de 2018, de acordo com dados oficiais. Desse total, 1.350 empresas deixaram a Catalunha entre janeiro e março e 536 entre abril e junho, o que de algum modo pode apontar para o afrouxamento dos movimentos. Ao longo de todo o ano de 2017, quando o referendo considerado ilegal por Madrid ocorreu (em 1 de outubro), 2.536 empresas deixaram a Catalunha. Do total de transferências, e ainda segundo os mesmos dados oficiais, 1.066 empresas (56,5%) foram para a Comunidade de Madrid; 184 (9,8%) preferiram a Comunidade Valenciana e 151 (8%) rumaram a Aragón. Por outro lado, a Comunidade de Madrid juntou 1.735 empresas de outras regiões de Espanha, sendo a Catalunha o maior contribuinte, com cerca de 60% das empresas que se instalaram em Madrid a virem daquela comunidade autonómica. O movimento contrário, contudo, também existe: entre janeiro e junho de 2018, 210 empresas rumaram à Catalunha. A região ficou em quarto lugar em termos de empresas que a procuram, trás da Comunidade de Madrid (1.066), Valência (404) e Andaluzia (331). Uma das empresas que efetuou um vultuoso investimento na Catalunha já depois do referendo foi o grupo Zara, que não mudou a sua sede desde a Galiza mas comprou um grande entreposto nos arredores de Barcelona. Em suma, 3.924 empresas mudaram a sua sede para outra comunidade autónoma no primeiro semestre do ano. Especificamente, 2.349 movimentaram-se no primeiro trimestre e 1.575 no segundo trimestre. De qualquer modo, as associações empresariais continuam a considerar que o independentismo é um mau assunto para os negócios. Não apenas porque a turbulência política pode contagiar os negócios mas principalmente porque uma eventual independência iria colocar em causa a permanência da comunidade na União Europeia. A Comissão Europeia já fez saber que, se a independência ocorresse, não aceitaria a permanência automática da Catalunha no seio do agregado.
Segunda-Feira, 13 August 2018 09:17

Lira turca arrasa bolsas europeias

A moeda de Ancara perde mais de 6% face ao dólar e ao euro. A Navigator lidera as desvalorizações na praça lisboeta, ao afundar 18,20%, para 4.0800 euros. A bolsa portuguesa negoceia em terreno negativo na sessão desta manhã de segunda-feira, dia 13 de agosto, numa altura em que as praças europeias seguem igualmente pessimistas. O principal índice português, PSI 20, cai 2,54%, para 5.485,72 pontos, penalizado pelo tombo das empresas da pasta e papel e pelo novo mínimo atingido pela moeda da Turquia. A Navigator lidera as desvalorizações, ao afundar 18,20%, para 4.0800 euros, pressionada pela hipótese de poder ver o lucro deste ano reduzido em 45 milhões de euros e o EBITDA (lucros antes de juros, impostos, depreciações e amortizações) em 66 milhões de euros, devido à atualização da taxa anti-dumping pelos Estados Unidos da América. Os títulos da Altri e da Semapa desanimam igualmente: perdem 3,46% (8,6600 euros) e 4,76% (18,800 euros), respetivamente. Em terreno negativo estão também a NOS (-1,17%), os CTT – Correios de Portugal (-1,18%), a Mota-Engil (-2,08%), as retalhistas Jerónimo Martins (-1,61%) e Sonae (-1,57%) e o BCP (-0,95%, para 0,2615 euros), prejudicado pelo contexto financeiro europeu. O índice Stoxx Europe 600 Banks desliza 0,77%. No setor energético, a Galp Energia recua 0,71%) e a EDP – Energias de Portugal perde 0,87%). A EDP Renováveis, que abriu em contraciclo com um ganho de 0,06%, está agora a cair 0,51%, para 8,7200 euros. As restantes praças europeias estão, da mesma forma, em baixa, devido à crise na lira turca. O índice alemão DAX cai 0,53%, o britânico FTSE 100 registou uma variação negativa de 0,50%, o francês CAC 40 deslizou 0,25%, o holandês AEX depreciou 0,28% e o italiano FTSE MIB resvalou 0,56%, enquanto o espanhol IBEX 35 desvalorizou 0,96%. O Euro Stoxx 50 ficou marcado por uma perda de 0,40%. Já as bolsas da Ásia haviam fechado a última sessão no ‘vermelho’. “As bolsas europeias arrancam a semana em baixa. O banco central turco anunciou medidas para suportar o sistema financeiro. A lira atenuou as perdas face ao dólar mas ainda se mantém em terreno negativo. Durante o fim de semana, o presidente turco admitiu encontrar novos aliados e justifica a queda da moeda com “conspiração política” contra o país”, explica Ramiro Loureiro, Mtrader do Millennium bcp. A moeda de Ancara perde mais de 6% face ao dólar e ao euro. Quando comparada com a moeda única, a lira tomba 6,65%, para 0,1278 euros. No caso do dólar, resvala 6,88%, para 0,0107 dólares. No mercado petrolífero, o Brent quebra 0,33% para os 72,57 dólares por barril, e o crude WTI perde 0,31% para os 67,42 dólares.
A multinacional Anadarko vai despender 2,5 mil milhões de dólares em contratos com pequenas e médias empresas moçambicanas ou registadas no país durante a construção da primeira instalação de gás natural em Moçambique, anunciou hoje o vice-presidente da empresa. "Nós temos como compromisso apoiar as pequenas e médias empresas moçambicanas para que atingiam padrões internacionais e aproveitem as oportunidades com a exploração de gás", disse Mitchel W.Igram, durante um seminário sobre oportunidades locais na cidade de Pemba, província de Cabo Delgado. O montante será despendido durante o processo de construção de instalações para exploração, incluindo uma nova vila para reassentamentos, num período de cinco anos, no âmbito da exploração do gás natural encontrado nas profundezas da crosta terrestre, sob o fundo do mar, na designada Área 1, onde se estima que tenha cerca de 75 triliões de pés cúbicos de gás natural recuperável. Dos 2,5 mil milhões de dólares (2,18 mil milhões de euros), dos quais 850 milhões (743 milhões de euros) já foram gastos e 1,5 mil milhões (1,31 mil milhões de euros) serão gastos especialmente com empresas locais, segundo a informação avançada pelo vice-presidente da multinacional norte-americana. A certificação é apontada como o principal desafio das empresas nacionais nas oportunidades que advêm da exploração de recursos minerais pelas multinacionais, mas a Anadarko garante que vai apoiar o tecido empresarial do país neste ponto. "Nós faremos o que for preciso para evitar que a questão da certificação seja um bloqueio para as empresas moçambicanas. Começaremos agora, providenciando fundos para o treinamento necessário, incluindo através de eventos que visam acompanhar o empresariado moçambicano", garantiu o vice-presidente da Anadarko. As questões ligadas ao reassentamento das populações de Afungi, onde será construída a instalação em terra, também estão a ser acauteladas e espera-se que perto de 560 agregados familiares sejam transferidos, "respeitando os seus direitos". O plano de desenvolvimento da Anadarko para exploração de gás natural em Moçambique, que já foi aprovado pelo Governo, comporta um investimento de 30 mil milhões de dólares (mais de 26 mil milhões de euros), podendo gerar para o Estado no geral perto de 52 mil milhões de dólares (mais de 45 mil milhões de euros), em receitas médias de 2,1 mil milhões de dólares (1,8 mil milhões de euros) por ano a partir de 2025, segundo dados oficiais. A Anadarko, que já emprega perto de duas mil pessoas na fase inicial do projeto e espera atingir 5 mil, lidera o grupo de empresas que vai explorar o gás natural encontrado a 40 quilómetros ao largo da província de Cabo Delgado. O investimento, um dos maiores de sempre em Moçambique, ainda não tem data para avançar, mas o consórcio está a realizar diversos trabalhos associados para que, logo que haja decisão final de investimento, prevista para o primeiro trimestre de 2019, a construção avance rapidamente. Depois de extraído, através de perfurações, o gás será encaminhado por gasodutos para a zona industrial a construir em terra, na península de Afungi, onde será transformado em líquido e conduzido para navios cargueiros com contentores especiais para exportação.
O Ministério do Trabalho, Emprego e Segurança Social manifestou hoje preocupação com as discrepâncias salariais entre os trabalhadores moçambicanos e estrangeiros no setor bancário, assinalando que essa prática contraria a lei. O vice-ministro do Trabalho, Emprego e Segurança Social, Osvaldo Petersburgo, declarou que trabalhadores estrangeiros estão a ganhar ordenados mais altos que os auferidos pelos seus colegas moçambicanos, mesmo realizando um trabalho igual. "Estas desigualdades são uma flagrante violação da lei e devem ser tratadas em conformidade com a legislação vigente em Moçambique", afirmou, falando num seminário sobre a divulgação da legislação laboral no setor bancário. O setor bancário regista igualmente muitas situações de trabalhadores estrangeiros contratados à margem da lei, acrescentou Osvaldo Petersburgo. "Muitas anomalias que se verificam neste setor ocorrem mesmo depois de várias intervenções inspetivas de carácter pedagógico", sublinhou. Por isso, o Governo tem introduzido reformas com vista a imprimir celeridade, transparência e maior controlo, bem como reduzir o espaço de manobra para actos ilícitos, tais como a contratação ilegal de trabalhadores estrangeiros. A banca nacional emprega mais de 18 mil trabalhadores.
O Banco de Poupança e Crédito (BPC) de Angola referiu hoje que vai manter a política de encerramento de balcões e de despedimento de funcionários, no quadro da reestruturação e do saneamento da instituição. A indicação foi avançada pelo presidente do conselho de administração do BPC, Alcides Safeca, no Lubango, capital da província da Huíla, à margem do lançamento de uma linha de financiamento apoiada pelo Banco Africano de Desenvolvimento (BAD). “Vai haver, sim, o despedimento de pessoal”, declarou Alcides Safeca, lembrando que o processo de reestruturação e saneamento tem uma componente de otimização do pessoal e de redução de custos, com a qual foram encerradas, entre abril e agosto, 14 balcões do maior banco angolano, estatal. Segundo o presidente do conselho de administração do BPC, o processo vai continuar na região sul do país, com o encerramento de um dos balcões do banco nas capitais das províncias da Huíla, Cunene, Namibe e Cuando Cubango. Alcides Safeca afirmou que o processo de reestruturação do BPC decorre a “bom ritmo” e prevê diferentes ações no domínio da gestão, o que já acontece em várias unidades orgânicas e dos processos internos do banco, imprimindo um “maior rigor às ações dos colaboradores e direção” da instituição. “O banco está a trabalhar para melhorar a sua eficiência na prestação de serviços aos clientes”, adiantou, referindo que houve também outras ações, além da gestão e do saneamento da carteira no balanço do banco. Alcides Safeca adiantou que, apesar do encerramento de agências, a expansão dos serviços bancários continua, no cumprimento pleno do que foi aprovado pelos acionistas da instituição e reforçado na assembleia-geral, realizada em maio. O responsável do BPC adiantou que terminou, em junho, o processo de repasse do crédito malparado (no montante de cerca de 2.500 milhões de euros), o que permite que o banco volte a conceder empréstimos, ao contrário do que aconteceu em novembro de 2017, quando, ao anunciar novas operações de crédito, o banco não tinha sequer estas questões equacionadas. Em julho de 2017, questionado pela agência Lusa, o anterior presidente do conselho de administração do BPC, Ricardo d’Abreu, indicou que o banco tinha 500 mil milhões de kwanzas (2.546 milhões de euros) na carteira de crédito malparado e que emitiu uma dívida pública no valor de 231 mil milhões de kwanzas (1.170 milhões de euros) a favor da sociedade Recredit, também estatal, que vai gerir os créditos problemáticos da banca angolana, a começar pelo BPC. O BPC fechou as contas de 2016 com um prejuízo de 29,5 mil milhões de kwanzas (150 milhões de euros), resultado que justificou com as “decisões assumidas pelo atual conselho de administração”, de constituir 72,7 mil milhões de kwanzas (370 milhões de euros) para “imparidades e provisões” do exercício de 2016. Assim, fica refletida nas contas uma perda potencial ou efetiva de quase 400 milhões de euros em créditos concedidos anteriormente. Em 2016, o BPC tinha 443 agências em todo o país, com 5.530 trabalhadores, tendo Ricardo d’Abreu garantido então, que o plano de reestruturação não passava, para já, por despedimentos ou fecho de balcões, mas por outras medidas de poupança interna.
O Instituto Nacional de Emprego e Formação Profissional (INEFP) diz que vai fazer de tudo para capitalizar as cinco mil vagas de emprego colocadas à disposição pela Anadarko, durante o período de cinco anos de construção da plataforma de liquificação de gás natural em Palma. A promessa foi feita no seminário de oportunidades locais realizado esta sexta-feira, na cidade de Pemba. O seminário trouxe boas perspectivas não só para o sector privado, como também para instituições do Estado. O director do INEFP disse na ocasião que a sua instituição já tem os dados da Anadarko, referente à demanda de emprego, por isso está a trabalhar em todo o país onde tem os centros de formação e de treinamento para em tempo certo colocar à disposição técnicos formados e na medida da exigência da petrolífera. Com 19 centros de formação profissional, o INEFP forma profissionais de nível básico, mesmo assim a Anadarko garantiu que vai contratar, pois na fase inicial de construção da plataforma de liqueficação de gás natural, não vai precisar de mão-de-obra altamente qualificada e nem exigirá experiência comprovada.