Benigno Papelo

A marcar a sessão está o anúncio do presidente norte-americano, Donald Trump, de que vai avançar com restrições aos investimentos estrangeiros classificados como "predatórios". Wall Street iniciou sessão desta quarta-feira, dia 27 de junho, em terreno negativo, com os três principais índices a negociarem no ‘vermelho’. A marcar a sessão está o anúncio do presidente norte-americano, Donald Trump, de que vai avançar com restrições aos investimentos estrangeiros classificados como “predatórios”. O índice industrial Dow Jones, referência para o mercado norte-americano e mundial, perde 0,68%, para 24.117,59 pontos, o financeiro S&P 500 desvaloriza 0,87%, para 2.699,42 pontos e o Nasdaq deprecia 1,54%, para 7.445,09 pontos. Houve uma recuperação no início do dia, depois de fontes da Casa Branca, terem confirmado que todas as transações relativas às compras estrangeiras de tecnologias sensíveis vão passar a ser escrutinadas pelo Comité de Investimentos Estrangeiros dos Estados Unidos. Neste contexto, Donald Trump decidiu impor restrições ao investimento estrangeiro, que ele dirimiu de “predatório”. Por seu turno, o líder chinês, Xi Jinping, realça a inevitabilidade da guerra comercial com os Estados Unidos. Assim, Xi Jinping espera que as tarifas americanas sobre as exportações chinesas ascendam a um valor de 34 mil milhões de dólares (cerca de 29 mil milhões de euros), o que vai provocar uma reação proporcional do Governo chinês. No setor petrolífero, o Brent soma 1,37% para 77,18 dólares por barril, e o crude WTI valoriza 2,61% para os 72,37 dólares. No mercado cambial, o euro perde 0,80% para 1,155 dólares e a libra recua 0,81%, para 1,311 dólares.
Professor de economia política em Harvard, Frieden considera que "não existe ainda suficiente partilha de risco” na zona euro e que as propostas atualmente em discussão "seriam úteis" numa nova crise. Em entrevista ao JE, antevê que da Cimeira europeia esta semana resultem apenas "pequenos passos". A zona euro não está “verdadeiramente” a enfrentar os problemas estruturais revelados durante a crise de 2008, segundo Jeffry Frieden. Em entrevista ao Jornal Económico, à margem da conferência “O euro e a soberania económica”, organizada pelo Instituto de Filosofia da Universidade Nova de Lisboa (IFILNOVA), Instituto Português de Relações Internacionais (IPRI) e Instituto de História Contemporânea (IHC), o professor de economia política na Universidade de Harvard defendeu que deveria ter existido uma reestruturação da dívida dos países resgatados e que “uma política fiscal europeia não acontecerá em breve”. A economia europeia parece recuperar depois da crise económica, embora este ano se tenha registado uma desaceleração do crescimento. Como é que avalia a atual resiliência económica? A atual evolução da economia europeia é positiva apesar do abrandamento, mas é, de certo modo, uma recuperação de uma crise muito, muito grave. Existem alguns problemas estruturais na economia europeia e, em particular, na zona euro, que precisam de ser resolvidos. O crescimento económico a longo prazo na Europa não é garantido, embora exista uma recuperação. Isso significa que a zona euro não está preparada para absorver possíveis choques externos? Não, acho que não está. A Europa enfrenta alguns desafios sérios e um deles, obviamente, é a política económica da atual administração norte-americana. Mas há desafios mais amplos associados ao fato de que a zona euro não está realmente a enfrentar os problemas estruturais que foram revelados pela crise de 2008. A zona euro ainda está, em certo sentido, ‘em construção’. É uma zona de integração monetária sobre a qual, creio, todos reconhecem certas lacunas. Algumas dessas lacunas, a maioria dessas lacunas, foram reveladas durante a crise. Algumas foram discutidas, mas não totalmente resolvidas. Durante a sua intervenção [na conferência “O euro e a soberania económica”], defendeu que o euro foi um fracasso. Porquê? Talvez eu devesse ter sido mais claro, houve alguma confusão sobre isso na assistência. O que eu quis dizer que foi um fracasso, no sentido do maior fracasso da integração europeia, foi a resposta dos estados membros da zona euro à crise. Não tenho uma opinião sobre o euro enquanto moeda em particular. Não sou europeu, mas o euro torna mais fácil ser norte-americano na Europa e penso que há boas razões para a Europa ter escolhido percorrer o caminho da integração monetária, especialmente no contexto do mercado único. Quando existe um mercado único, com livre circulação de bens e de capital, é muito difícil imaginar a mantê-lo se os governos nacionais puderem variar as suas taxas de câmbio. Na verdade, vimos que em 1992/1993, a desvalorização cambial levou a um sentimento protecionista em países como a França e até a Alemanha, em resposta a alguns outros países da zona euro que adoptaram uma desvalorização de moedas. Afirmaram que é concorrência desleal. Há uma relação de economia política entre ter um mercado único e o desejo de manter as taxas de câmbio estáveis ​​e eventualmente ter uma moeda única. Mas,- e talvez este seja o ponto que eu disse que foi um fracasso – os Estados-membros quando confrontados com a crise, que foi uma crise de dívida, uma crise de dívida clássica e igual a outras crises de dívida na história, deram uma resposta completamente inadequada. Deveria ter havido uma resolução rápida que envolvesse a reestruturação das dívidas que haviam sido desenvolvidas nos seis, sete anos anteriores. A reestruturação das dívidas teria sido a resposta mais adequada? Se isso tivesse sido feito, os maiores efeitos da crise teriam sido muito menos severos. Assim, tivemos na Europa uma crise de dez anos que seria evitável. Foi isso que quis dizer ao dizer que a resposta dos Estados-membros à crise da zona euro foi o maior fracasso da história da integração europeia. Não foi só uma década perdida em que não existiu crescimento económico durante dez anos – o que só por si é um desastre-, foram também dez anos com níveis de desemprego extremamente altos e com desemprego jovem ainda maior. Existe uma geração inteira de jovens europeus, especialmente nos países da periferia, que nunca teve um emprego ou apenas conseguiu um emprego em part-time. Isto tem graves consequências a todos os níveis. O terceiro efeito do fracasso da resposta foi o de criar condições para o surgimento de fortes movimentos populistas, que têm colocado em causa todo o processo de integração europeia. Os Estados-membros falharam em resposta à crise, não foi tanto um fracasso das instituições europeias. Dos Estados-membros em particular? Sim, há apenas uma instituição europeia para a zona euro: o Banco central Europeu (BCE), que depois de alguns anos de hesitação, em 2012, aplicou fortes medidas que tiveram um efeito positivo na recuperação da crise. O BCE fez tudo o que pôde para atenuar a crise, mas não se pode lidar com uma crise de dívida com a magnitude da crise da dívida da zona euro só com a política monetária. É necessária uma resposta de política fiscal, a par de uma reestruturação da dívida. Nenhuma delas foi apresentada. A única reestruturação da dívida com significado foi na Grécia, mas para os outros Estados com dívidas substanciais não houve reestruturação significativa da dívida. Uma resposta apropriada teria envolvido uma intervenção substancial no sistema bancário para restaurar o capital da dívida. Em vez disso, tivemos uma redução na política fiscal com austeridade e a ausência de uma reestruturação significativa do sistema bancário, apenas resgates. E é por isso que a crise durou tanto quanto durou e é por isso que, em muitos aspectos, ainda não está resolvida porque o sistema financeiro ainda é muito frágil, ainda não está a funcionar da forma que deveria e a dívida ainda é um obstáculo importante. Não estou a dizer que os EUA lidaram perfeitamente com a crise, de forma alguma. Mas os EUA fizeram uma grande intervenção na banca e houve estímulo fiscal significativo, é por isso que a recuperação norte-americana foi muito mais rápida do que a europeia. A responsabilidade estava nos estados membros em particular? Eu diria que os credores conseguiram impor a maior parte da clássica resposta à crise ao devedor. Normalmente, numa crise da dívida, há uma divisão nas propostas de ajustamentos: os credores restringem parte da dívida e o devedor abraça a austeridade. Os credores costumam sair-se melhor do que os devedores porque têm mais poder de negociação, mas geralmente há sempre alguma reestruturação da dívida e alguma austeridade. Aqui tivemos muita austeridade e quase nenhuma reestruturação da dívida. Foram os países resgatados que acabaram por pagar a maior parte dos ajustamentos da carga da crise. É uma das razões pelas quais foi tão difícil e também porque levou a alguma instabilidade política. Existe alguma discussão sobre os modelos de inflação usados para calibrar a política monetária. A meta de 2% do BCE e da Reserva Federal norte-americana deve ser revista? Bem, há uma variedade de debates, na verdade e acho que há espaço para essa discussão. Em grande medida porque não sabemos qual é a meta certa. Dois pontos percentuais é um bom número, mas ninguém sabe se é a meta adequada. Acho que um coisa que aprendemos desde a crise é que a cooperação entre os bancos centrais pode ser muito útil. Em 2008, os Bancos Centrais do G7 reuniram-se e, para grande surpresa de muitos, concordaram em coordenar a política monetária. Penso que foi extremamente positiva. Podemos imaginar se isso não tivesse acontecido… Não tenho a certeza sobre o que com o tempo irá acontecer porque são países que divergem no desempenho monetário. Haverá talvez mais tensão. Em relação à área fiscal, seria importante uma possível função central de estabilização? Em princípio, seria ótimo, mas ajudaria se houvesse um orçamento comum da União Europeia ou da zona euro. No entanto, penso que é muito improvável hoje. Talvez daqui a trinta anos, daqui a vinte ou até mesmo dez anos… Atualmente não há muito apoio para aumentar os impostos a nível europeu, o que teria de acontecer com um orçamento comum. Ainda assim, há esperança sobre a política fiscal ao nível nacional. Os países credores têm a oportunidade, de levar a cabo um estímulo fiscal. A política fiscal é a outra etapa da política macroeconómica e, na Europa, é francamente contracionista e não expansionista. O encontro de Mesenberg parece marcar uma nova fase no empenho do eixo Berlim-Paris sobre um orçamento comum para a zona euro, embora vários outros países já tenham manifestado desacordo. O que é que poderemos esperar na Cimeira europeia desta semana? Acho que qualquer coisa que estabeleça um maior compartilhamento dos riscos é muito positiva. Muitos destes passos são um passo em frente, para o futuro. Mas neste momento não existe ainda um compartilhamento suficiente de risco. Existem diferentes propostas na mesa: se assume a forma de um mecanismo europeu de estabilidade, de um novo fundo monetário europeu, a existência de um sistema europeu de garantia de depósitos… Tudo isso vai na direção certa, permitindo que os Estados partilhem riscos ou partilhem parte do risco entre eles. São negociações difíceis, mas parece haver um pouco mais de interesse entre alguns países, especialmente a Alemanha. A Alemanha tem sido resistente ao Sistema Europeu de Garantia de Depósitos (EDIS) devido aos elevados níveis de malparado…. Sim, todos os governos têm todas as razões para defender os seus interesses nacionais. É de se esperar que a Alemanha seja um pouco reticente em colocar o seu dinheiro em linha, com grandes níveis de ‘non-performing loan’. É parte do processo de negociação e numa visão optimista podemos dizer que pelo menos existe discussão quando até então se tinha avançado tão pouco nesta dimensão. Tivemos sinais positivos com a questão grega, há também alguns sinais positivos do novo ministro das Finanças alemão que parece mais inclinado a considerar estas propostas do que os anteriores. São passos de bebé mas são na direção certa. Mas são suficientes para enfrentar uma possível nova crise? Uma política fiscal europeia não acontecerá em breve, portanto, mesmo que isso seja uma boa ideia, à partida, não é realista. O que é realista são alguns instrumentos que fornecerão pelo menos a possibilidade de intervenção no caso de outras dificuldades financeiras nos Estados membros. As propostas em cima da mesa, têm características semelhantes que estão a atrair recursos para tentar resolver o que poderia ser um problema económico. O problema durante a crise de 2008 foi ser vista como uma crise em países individuais Portugal ou a Grécia ou a Irlanda, era vista como um problema desses países, quando na verdade havia um problema da zona euro como um todo. Os problemas de endividamento desses países criaram dificuldades financeiras nos países credores e o que realmente pedia era uma resposta comum de partilhar parte da carga dos ajustamentos tanto com os credores como com os devedores. Isso não aconteceu. As iniciativas que estão a ser agora discutidas vão na direção de uma partilha mais igualitária e esses são o tipo de instrumentos que seriam úteis numa nova crise, ainda que não saibamos como será a próxima crise. Mas penso que sabemos que quanto mais instrumentos e particularmente mais dinheiro estiver disponível para as autoridades da zona euro intervirem, quanto mais os países estiverem disponíveis para trabalhar juntos, em vez de em conflito, melhor será a resposta. Essa é a esperança para o futuro: que esses instrumentos sejam desenvolvidos para permitir uma resposta comum e que os Estados-membros trabalhem juntos sobre como responder a uma crise mundial, que haverá… há sempre uma nova crise no sistema capitalista e não conseguimos escapar disso.
A empresa Hidroeléctrica de Cahora Bassa (HCB), no âmbito da responsabilidade social, apoia projectos estruturantes, de impacto social e que geram oportunidades de emprego e auto-emprego nas comunidades locais e a nível nacional. O facto foi anunciado há dias pelo presidente do Conselho de Administração da HCB, Pedro Couto, na vila do Songo, aquando da entrega às comunidades da vila de quatro fontenários multiuso para a provisão de água à população em redor do estaleiro da empresa. “Assumimos a responsabilidade social como um investimento que permitirá dotar os moçambicanos de melhores capacidades com vista ao desenvolvimento nacional”, disse Pedro Couto. É neste contexto que o Conselho de Administração da empresa HCB construiu infra-estruturas no Hospital Distrital de Zumbu, nomeadamente um bloco operatório, maternidade, clínica geral, cozinha e lavandaria, o que permitiu a sua transição da categoria de centro de saúde para hospital distrital. A iniciativa melhorou a qualidade de vida das comunidades do distrito de Zumbu, situado na fronteira com países como Zâmbia e Zimbabwe, para onde a população recorria em casos de emergência, uma vez que a vila do Zumbu dista cerca de 600 quilómetros da capital provincial de Tete. Ainda no distrito de Cahora Bassa, o Conselho de Administração da HCB está empenhado no fornecimento de água potável à população de Chitima, sede distrital, além de ter construído uma casa de mãe espera no Hospital Distrital de Chitima e um sistema de abastecimento de água nesta unidade sanitária. Ainda na área da saúde, a HCB está a construir o Centro de Saúde de Wiriamu, cujas obras serão concluídas nos finais deste ano, passando a atender cerca de 10 mil pessoas que habitam naquela região do distrito de Changara, sul da província. Para os seus colaboradores, Pedro Couto apontou acções em curso para melhorar as condições de vida e criação de um ambiente laboral condigno na empresa, assistência médica e medicamentosa aos trabalhadores e suas famílias, além do parque habitacional no estaleiro da vila do Songo. “Estamos com a liderança do sindicato na empresa a discutir a renovação do acordo com a empresa, onde várias preocupações estão arroladas, e colhemos consensos positivos de ambas as partes nas negociações para trazermos tranquilidade e melhoramento dos resultados projectados nos próximos tempos na empresa”, revelou Couto. Num passado recente, a Hidroeléctrica de Cahora Bassa disponibilizou equipamento informático a diferentes estabelecimentos de ensino da província de Tete e apoiou o Ministério da Educação e Desenvolvimento Humano na implantação do Instituto Superior e Politécnico do Songo, bem como estabeleceu parcerias com a Universidade Eduardo Mondlane e o Instituto Superior e Universitário de Transportes e Comunicação para oferta de bolsas de estudo e oportunidades de estágios profissionais na Hidroeléctrica de Cahora Bassa. A administradora distrital de Cahora Bassa, Ana Beressone, considera que o contributo da Hidroeléctrica de Cahora Bassa tem galvanizado o programa de governação e construção de infra-estruturas sociais e económicas.
Moçambique vai acolher, pela primeira vez, a Cimeira empresarial Africa – Estados Unidos. A Cimeira vai decorrer em Junho do próximo ano e vai juntar cerca de dois mil empresários norte-americanos e africanos. O anúncio foi feito, esta terça-feira, pela Presidente do Conselho Executivo da Corporate Council on Africa, Florizelee Liser, após uma audiência concedida pelo presidente da Republica, Filipe Nyusi, que dentre vários objectivos, pretendia agradecer ao país por acolher o evento. Florizelee revelou a jornalistas que dois aspectos fundamentais pesaram para a eleição de Moçambique como anfitrião para o evento a acontecer em Junho de 2019. “O primeiro aspecto a dizer é que houve dois países que se candidataram para o evento, mas o presidente Nyusi tem sido muito activo nos eventos organizados pela Corporate Council on Africa, tendo em 2017 participado na nossa cimeira, que teve lugar nos Estados Unidos de América, onde foi o orador principal, e mais uma vez em Janeiro deste ano, em Addis Abeba, à margem da Conferência de Chefes de Estado e do Governo da União Africana, participou com mais seis Chefes de Estado e também foi o orador principal. Também temos uma relação muito boa com o vosso embaixador acreditado nos EUA, Carlos dos Santos, mas também por causa do dinamismo das relações entre os Estados Unidos e Moçambique”, revelou. Por outro lado, a dirigente espera que este evento sirva para trocas comerciais entre o empresariado. “Um dos resultados que nós esperamos, como estarão aqui presidentes de conselhos de administração e executivo de grandes empresas dos Estados Unidos e da Africa, é o facto de poderem interagir entre si e também com empresários moçambicanos, isso já oferece muitas oportunidades. Mas também sabemos que duas grandes empresas americanas já estão em Moçambique e ajudaram na descoberta de importantes recursos de gás natural, estamos a falar de Anadarko e Exxon Mobil. Portanto, isso é um aspecto que oferece uma óptima oportunidade para se fazer negócio aqui em Moçambique” A informação foi partilhada momentos antes da conferência de imprensa da vigésima Sessão Ordinária do Conselho de Ministros que teve lugar nesta terça-feira. Entre vários assuntos, o Governo apreciou e aprovou o Decreto-Lei que aprova o Código de Registro Predial.
Um total de 58 funcionários do INSS-Instituto Nacional de Segurança Social, incluindo quadros de diversas instituições tuteladas pelo Ministério do Trabalho, Emprego e Segurança Social (MITESS), beneficiou, recentemente, em Maputo, de uma formação sobre auditoria interna e detecção de fraudes ou irregularidades. Enquadrado no âmbito do Plano de Formação de 2018 do INSS, o curso, que teve uma duração de cinco dias, teve por objectivo dotar os funcionários de ferramentas que lhes possibilitem detectar com facilidade casos fraudulentos. De acordo com Daniel Clemente, chefe do Departamento de Recursos Humanos do INSS, a formação, que envolveu funcionários das áreas de administração e finanças, auditoria, contas correntes e inspecção, decorre da recente detecção e suspensão de 1.097 casos de irregularidades processuais, no decurso do processo de migração digital da informação de pensionistas para uma base de dados. Durante a formação, orientada pela Inspecção Geral das Finanças, os promotores do evento solicitaram à Comissão Interministerial para a Promoção do Segredo do Estado a introdução do módulo sobre informação classificada do Estado. “Esta iniciativa visava dotar os participantes de elementos essenciais a ter em conta no tratamento de toda informação classificada do Estado, pois, geralmente, os funcionários têm estado a partilhar documentos classificados por telemóveis, o que é contrário à lei”, explicou o chefe do Departamento de Recursos Humanos do INSS. Pretende-se com esta formação, segundo realçou Daniel Clemente, evitar a ocorrência deste tipo de situações de risco, porque não fazem parte da conduta dos funcionários públicos: “A lei proíbe esta prática, uma vez que a informação de carácter restrito só pode ser partilhada após uma prévia autorização”, frisou. Em jeito de balanço, Daniel Clemente considerou terem sido alcançados os objectivos preconizados, uma vez terem sido partilhadas questões relativas ao risco que se tem registado em casos de fraude. “Os funcionários beneficiários da formação mostraram-se satisfeitos por estarem agora munidos de ferramentas que lhes vão auxiliar em processos de auditoria interna e detecção de fraudes, que antes não tinham”, indicou, ajuntando que “preparamos, deste modo, quadros para lidarem com os desafios da instituição nos próximos tempos”.
A economia do Botsuana deverá acelerar durante o ano e crescer 4,1% este ano, quase o dobro dos 2,4% de 2017, sobretudo graças à produção de diamantes, indica um relatório mensal da FocusEconomics. No relatório de julho, os analistas referem que "o desempenho económico moderado do ano passado, em grande parte atribuível a declínios significativos na produção de cobre e níquel, continuou no início deste ano, refletidos pela fraca atividade do setor externo". Por outro lado, a redução das exportações e o aumento acentuado das importações no primeiro trimestre do ano resultou numa redução do excedente comercial, comparando com o primeiro trimestre de 2017. Mesmo assim, a indústria de diamantes, considerada a base da economia do Botsuana, manteve-se resiliente e as exportações de diamantes permaneceram estáveis em relação ao mesmo período do ano passado, prevendo-se um aumento das vendas ao longo do ano. O Fundo Monetário Internacional (FMI) realizou uma visita a 08 de junho e elogiou as medidas macro económicas e financeiras do país, mas também instou as autoridades a realizar reformas de forma a melhorar o ambiente de negócios e diversificar a economia. Um aumento da despesa pública este ano também deverá dar um impulso à economia do Botsuana, cujo Produto Interno Bruno (PIB) deverá continuar a crescer 4,3 em 2019, de acordo com as estimativas da FocusEconomics A inflação, que subiu de 2,8% em março para 3,4% em abril, deverá terminar o ano nos 3,7% em 2018 e continuará a subir para 4,0% em 2019. O saldo orçamental deverá disparar, de -0,3% do PIB em 2017, para -2% em do PIB em 2018 e -1,1% em 2019, mas a balança de transações correntes mantém um saldo positivo, embora decrescente, de 12,3% do PIB em 2017 para 8,9% em 2018 e 8,1% em 2019. O Botsuana tem atualmente uma população de 2,3 milhões de habitantes e um PIB de 20 mil milhões de dólares (17 mil milhões de euros), mas a FocusEconomics estima que o crescimento seja sustentado e que em 2022 chegue aos 24,9 mil milhões de dólares (21,34 mil milhões de euros). O PIB per capita também deverá continuar a progredir, de 8.051 dólares (6899 euros) para 8.857 dólares (7.589 euros) em 2018, chegando aos 10.780 dólares (9.237 euros) em 2022. No conjunto, as economias da África subsaariana, que incluem países de língua portuguesa como Angola e Moçambique, deverão crescer 3,5% este ano, acelerando ligeiramente para 3,7% em 2019, com Etiópia, Costa do Marfim, Gana e Tanzânia a liderarem o crescimento. "As previsões para as economias da África subsaariana mantiveram-se este mês e o PIB regional deve crescer 3,5% em 2018", lê-se no relatório desta consultora britânica, que alerta para os desafios que a região enfrenta. Entre os riscos apontados, os analistas sublinham "os grandes volumes de dívida, que tornam os países especialmente vulneráveis às flutuações nos mercados financeiros internacionais, e o forte abrandamento no crescimento da China, que pode manietar a atividade na região e a procura.
O preço da gasolina subiu dos 66,03 para 66,55 meticais por litro, enquanto o gasóleo e o petróleo de iluminação mantêm-se nos 66,92 meticais e 50,33 meticais, respectivamente. Segundo o anúncio feito hoje em conferência de imprensa, em Maputo, o gás de cozinha registou uma queda de 60,94 para 60,33 meticais o quilograma. Para a Associação Moçambicana das Petrolíferas, o preço do barril no mercado internacional e as taxas de câmbio é que ditam o actual nível de preços dos combustíveis no país. Na conferência de imprensa conjunta, a Electricidade de Moçambique deu também a conhecer as acções que estão a ser levadas a cabo para melhorar a qualidade no fornecimento de energia eléctrica no país. A EDM diz ainda que o crescimento do número de clientes faz com que repense nas fontes de fornecimento de energia eléctrica.
O pagamento da dívida que a companhia zambiana de electricidade (ZESCO) acumulou com a Electricidade de Moçambique (EDM) está a ser discutido a nível dos governos dos dois países. Segundo o porta-voz da EDM, Luís Amado, a ZESCO deve mais de 70 milhões de dólares norte-americanos à empresa moçambicana de electricidade, na sequência do que esta acabou por suspender o fornecimento de energia eléctrica à sua congénere da Zâmbia. Em finais do ano passado, o presidente do Conselho de Administração da EDM, Mateus Magala, manifestou preocupação com a forma como alguns países da região estavam a lidar com os compromissos assumidos com a sua empresa. No global, Magala disse que os clientes deviam perto de 100 milhões de dólares norte-americanos à EDM, sendo a ZESCO a maior devedora, com pagamentos atrasados há mais de dois anos. Em 2016, Moçambique e Zâmbia inauguraram a Central Termoeléctrica Flutuante de Nacala, com o objectivo de alimentar não só a região norte de Moçambique como também a República da Zâmbia. A energia fornecida à Zâmbia era uma combinação dos 111 Megawatts (MW) gerados pela Central Termoeléctrica Flutuante de Nacala e o excedente das centrais de produção independentes (Central Térmica de Ressano Garcia e da Gigawatt Moçambique), que a EDM compra e revende no quadro dos mecanismos existentes na região. Outro país que vinha manifestando indisponibilidade para o pagamento dos seus consumos é o Zimbabwe que, no entanto, se comprometeu a fornecer transformadores eléctricos à EDM como forma de amortizar o valor em dívida.
O índice do Stoxx600 para a banca caiu para o nível mais baixo desde Dezembro de 2016, penalizado pelo Deutsche Bank e pelos bancos italianos. As acções do Deutsche Bank atingiram esta quarta-feira, 27 de Junho, um novo mínimo histórico, arrastando consigo todo o sector da banca europeia. Os títulos do maior banco alemão estão a cair 3,73% para 8,865 euros, depois de terem chegado a desvalorizar 4,92% para 8,755 euros, o valor mais baixo de sempre. Esta evolução contagiou o desempenho do sector, levando o índice do Stoxx600 para a banca a deslizar mais de 1,5% para o patamar mais baixo desde Dezembro de 2016. Além da instituição alemã destacam-se as descidas dos italianos UBI Banca, Intesa Sanpaolo, Banco BPM e Unicredit, todas elas superiores a 2,5%. A banca está, assim, entre os sectores que mais contribuem para a queda das bolsas europeias, num dia em que o índice de referência, o Stoxx600, já caiu para o nível mais baixo em mais de dois meses. As acções do Deutsche Bank têm estado sob pressão – acumulam uma desvalorização de 44% desde o início do ano, o pior desempenho dos membros do Stoxx600 Bank Index – devido a uma série de factores que incluem queda das receitas, aumento dos custos e uma descida recente do rating por parte da S&P. O banco está a sofrer de "um círculo vicioso de queda das receitas, aumento das despesas, descida do rating e aumento dos custos de financiamento", afirmou o CFO do banco, James von Moltke, citado pela Bloomberg. A agência noticiosa acrescente que a instituição tentou várias vezes retomar o crescimento, sem sucesso, devido a problemas que incluem tecnologia da informação desactualizada, fraca liderança e multas pesadas - 17 mil milhões de dólares na última década - por má conduta.
Hong Kong superou Luanda na classificação das cidades mais caras do mundo, revela um estudo anual com mais de 375 cidades, comparadas em mais de 200 itens, incluindo alojamento, transporte, alimentação, vestuário e entretenimento. A capital angolana foi a cidade mais cara do mundo no Estudo Global da Mercer em 2017, mas Hong Kong, região administrativa especial da China, assumiu o primeiro lugar do ‘ranking’ na avaliação deste ano, realizado em março, com Luanda a ser relegada para a sexta posição. Hong Kong, a segunda cidade com o segundo maior custo de vida no mundo no estudo de 2017, precede na classificação deste ano Tóquio, capital do Japão, Zurique, na Suíça, Singapura, no país com a mesma designação, Seul, na Coreia do Sul, Luanda, Xangai, na China, Ndjamena, no Chade, e Pequim, centro político chinês. A cidade de Hong Kong tornou-se na mais dispendiosa não só pela descida de Luanda no ranking “devido em parte à tendência de queda do mercado imobiliário”, mas também por “uma regulamentação monetária chinesa mais forte, uma economia florescente e uma pressão para ter o yuan chinês como moeda internacional”, referiu Tiago Borges, da Mercer. Este responsável salientou que esses fatores “impulsionaram as cidades chinesas no ‘ranking'”. Zurique continua a ser a cidade europeia mais cara, enquanto a capital suíça, Berna (10.ª no ‘ranking’), a segunda e Genebra (11.ª) a terceira. Esta última cidade “caiu quatro lugares relativamente ao ano passado, sobretudo devido à tendência de queda do mercado imobiliário da cidade”. Quatro das cinco cidades mais caras do mundo encontram-se na Ásia: Hong Kong, Tóquio, Singapura (4.ª na classificação do estudo de 2018) e Seul (5.ª). Na América do Sul, São Paulo (58.ª no ‘ranking’) classificou-se como a cidade mais cara, seguindo-se Santiago (69.º), no Chile. Apesar do aumento de preços em bens e serviços em países como Brasil, Argentina e Uruguai, a maioria das cidades sul-americanas saiu na classificação. Lisboa subiu 44 posições, registando a maior subida de sempre. A capital portuguesa é a atual 93.ª na classificação relativa a 2018. O Estudo Global da Mercer, que utiliza Nova Iorque (13.ª, a mais cara nos Estados Unidos) como cidade base e a referência na avaliação o dólar norte-americano, é um dos mais abrangentes do mundo e foi desenvolvido para ajudar as empresas multinacionais e os Governos a definirem estratégias.