Benigno Papelo

O Banco de Moçambique (BM) decidiu sancionar e já tem o seu veredicto para os antigos dirigentes do Moza, embora tenha concedido aos visados 15 dias para recorrer das sanções. As sanções surgem na sequência de uma investigação sobre a falência do Moza Banco e, segundo a edição do SAVANA, as medidas vão desde a aplicação de multas até à inibição do exercício de funções em órgãos sociais e de funções de gestão em instituições de crédito e sociedades financeiras no país. O BM parece não ter dúvidas de que a antiga direcção cometeu “várias irregularidades passíveis de punição”, que terão provocado a deterioração insustentável dos indicadores prudenciais do Moza, que culminou com o seu descalabro. No entanto, segundo o SAVANA, reina no seio de fontes envolvidas nos processos dos antigos gestores o entendimento de que o regulador, obcecado na procura de “bodes expiatórios”, ignorou todas as defesas apresentadas pelos visados. Os processos sancionatórios em causa, datados de 13 de Abril corrente, visam todos os administradores do Moza até 30 de Setembro de 2016, quando o banco central, sob auspícios do governador Rogério Zandamela, um quadro moçambicano talhado durante 28 anos no Fundo Monetário Internacional (FMI), intervencionou o Moza. Na altura, o BM suspendeu todos os dirigentes daquele banco, impondo aquilo que considerou de “medidas extraordinárias de saneamento para salvaguardar as condições normais de funcionamento do sistema bancário”. Em sua substituição, o BM nomeou um Conselho de Administração provisório chefiado por João Figueiredo. São no total oito administradores (o nono renunciou do mandato antes da intervenção do BM), quatro dos quais eram executivos. O SAVANA apurou que, depois de na fase inicial, os membros da Assembleia Geral e do Conselho Fiscal terem sido notificados, desta feita e até à data, não receberam qualquer expediente sancionatório. O engenheiro Castigo Langa era o presidente da mesa da Assembleia Geral e o Conselho Fiscal era presidido pelo Novo Banco (accionista minoritário do Moza). A lista dos membros do antigo Conselho de Administração (CA) sancionados inclui Prakash Ratilal, na altura presidente do Conselho de Administração (PCA) e Ibrahimo Ibrahimo, então presidente da Comissão Executiva (PCA). Outra figura do antigo elenco é Tiago Valença, que desempenhava as funções de administrador executivo, em representação do português Novo Banco. Depois da suspensão, Valença foi trabalhar para o Banco Único. A lista integra ainda Luís Magaço e João Jorge, ambos administradores executivos. Os administradores não executivos atingidos pela medida são Victor Guerra, Almeida Matos e Paulo Ratilal. Morais Pires (Novo Banco) era o Vice-Presidente, mas tinha renunciado ao mandato em data anterior a Setembro de 2016. A acção do Banco de Moçambique resultou de uma inspecção realizada entre 17 de Outubro de 2014 e 27 de Fevereiro de 2015, que detectou irregularidades como a não aprovação de políticas e procedimentos no âmbito da actividade de gestão de risco operacional. O BM acusa os gestores de não aprovação de políticas que norteassem e orientassem a gestão de risco operacional e de violação do Regulamento da Lei Cambial, nomeadamente, em ordens de pagamento externo executadas por conta empresa NBC Representações e da Okanga Representações- Amazon Marketing, Lda. Depois de notificados, em finais do ano passado, os visados interpuseram recurso, rejeitando as acusações. Mas o BM reafirmou, nos despachos de 13 de Abril, que os antigos membros do Conselho de Administração (CA) e não apenas da Comissão Executiva, são responsáveis directos pelo alegado incumprimento de normas que terá empurrado o Moza para o descalabro. O Banco de Moçambique decidiu aplicar aos visados multas que variam de 200 a 500 mil Meticais (um dólar equivale a cerca de 59.400 meticais ao câmbio corrente) e inibição do exercício de cargos sociais e de funções de gestão em instituições de crédito e sociedades financeiras no país, por períodos que variam de dois a três anos. Como parte das sanções, o Banco de Moçambique refere que vai publicar as penas em órgãos de comunicação social, com os custos de publicidade a recaírem sobre os visados. As multas devem ser pagas numa conta do BM, 15 dias depois de os visados receberam as notificações. Os sancionados têm também 15 dias para recorrer para o Tribunal Judicial da Cidade de Maputo, mas só mediante o pagamento da multa correspondente que, no entanto, ficará sob caução.
O ministro dos Recursos Minerais e Energia (MIREME), Max Tonela e a Presidente da Autoridade Tributária (AT), Amélia Nakhare presidem amanhã, 02 de Maio, na cidade da Matola, província de Maputo, a cerimónia de lançamento do sistema de marcação de combustíveis. Trata-se de uma tecnologia adoptada em vários países a nível mundial, com o objectivo de combater e prevenir o fenómeno de adulteração de combustíveis, bem como minimizar as perdas de receitas fiscais decorrentes de contrabando de combustíveis. Em comunicado de imprensa, o MIREME refere que neste programa a ser implementado no país, o processo consistirá na adição de um marcador (substância química) invisível em todo combustível destinado ao mercado doméstico (gasolina, gasóleo e petróleo de iluminação)apartir de Cinco (5) terminais de distribuição, nomeadamente: Matola, Beira, Nacala, Pemba e Quelimane. “No processo de marcação de combustíveis, serão usados 5 marcadores, designadamente para gasolina, para petróleo de iluminação e para gasóleo correspondente aos segmentos de retalho, megaprojectos, obras públicas, construção e dragagem e agricultura e testes”, refere a fonte. O comunicado acrescenta que a adulteração ou evasão fiscal será detectada pela fiscalização através da realização dos testes com recurso a laboratórios móveis, nos postos de abastecimento e camiões cisternas ou outro meio de transporte Em 2016, foi criada uma equipa intersectorial constituída por técnicos do MIREME e AT para preparação dos cadernos de encargo com vista ao lançamento do concurso. Paralelamente, o MIREME através da DNHC harmonizou a legislação sobre a matéria que, culminou com a aprovação e publicação do Diploma Ministerial no51/2017, de 11 de Julho que aprova os procedimentos para marcação e testes para o controlo de adulteração de produtos petrolíferos. Em Junho de 2017, o MIREME em parceria com a AT procedeu ao lançamento do concurso público internacional para prestação dos serviços de marcação de combustíveis onde três empresas apresentaram propostas, tendo sido aprovada a SICPA sediada na Suíça
A perspetiva económica em Angola melhorou devido à subida do preço do petróleo e o apoio do FMI, segundo a agência Fitch. Mas o povo ainda espera mudanças no país, diz um economista ouvido pela DW África. A perspetiva económica de Angola passou de "negativa" para "estável". Quem diz isso é a agência de notação financeira Fitch, que, entretanto, manteve o rating da dívida angolana no nível "B", abaixo da escala de investimento. Entre os motivos para a nova perspetiva do país, apontou a Fitch, está o aumento do preço do petróleo no mercado internacional. Para o economista angolano Yuri Quixina, professor de Macroeconomia do Instituto Superior Politécnico de Angola, a perspetiva "estável" de Angola poderá atrair mais investimentos externos. Mas isto dependerá, também, de outros fatores, como a sustentabilidade da dívida pública e a transparência das contas do Estado, afirmou o economista. Em entrevista à DW África, Quixina também falou do Plano de Reforma Estrutaral implementado pelo Governo, que terá o apoio do Fundo Monetário Internacional (FMI), e ressaltou que o povo angolano está à espera de melhorias concretas no país. DW África: O que significa, de facto, essa mudança na perspetiva económica de Angola? Yuri Quixina (YQ): Esta notação de perspetiva "estável", no meu entender, deriva mais da recuperação do barril de petróleo no mercado internacional. Se os preços continuarem a subir nessa trajetória de aumento, significa que futuramente as receitas do Estado podem aumentar e, naturalmente, Angola poderá honrar com os seus compromissos a nível internacional e pagar o endividamento externo atarvés de divisas. Em segundo lugar, outro elemento que eu acho que a Fitch levou muito em consideração é a tentativa de implementação do Plano de Reforma Estrutural, que seguramente as autoridades estão a implementar. A equipa económica apresentou algumas derrapagens do ponto de vista da aplicação e só foram concluídas 37 das 144 medidas. E, com certeza, o Presidente da República achou melhor recorrer ao FMI para redesenhar o Plano de Reforma Estrutural. Entretanto, o facto de o FMI vir para Angola, isso também desperta segurança dos investidores a nível internacional. Portanto, esses três elementos são fundamentais para a que Fitch atribuísse uma perspetiva "estável". DW África: Essa nova avaliação da economia seria um reflexo das políticas económicas que vem sendo aplicadas pelo Governo de João Lourenço. O cidadão comum já sente no dia a dia os resultados dessas novas políticas? YQ: Seguramente os cidadãos sentem essas expetativas, se bem que, efetivamente, o povo quer mais, quer na prática, do ponto de vista do "pão na mesa". O primeiro trimestre já foi. Os indicadores, provavelmente, vão mostrar uma estagnação, a inflação ainda é considerável, o desemprego também é considerável, a pobreza continua extrema, a saúde... Já nem podemos mais falar sobre a saúde. Mas ainda é muito cedo. É uma economia que está muito bagunçada, mas a expetativa é alta. DW África: Uma das justificativas para evolução do rating de Angola é a subida do preço do petróleo no mercado internacional, já que a matéria-prima ainda é responsáveis por mais de 90% das exportações angolanas. Mas essa dependência não será, na verdade, um risco? YQ: Com certeza foi e continua a ser um risco. O petróleo fez ruir muito as equipas económicas que passaram na governação de Angola. Eu tenho dito que quem faz um país não é o Presidente da República, mas toda uma equipa. E as equipas criaram uma matriz económica virada para o consumo. Importávamos muitos produtos no mercado internacional, e quem importa muito, naturalmente, depois vai sofrer um revés quando não aumenta a base de exportação. DW África: A elevada carga da dívida angolana é um dos fatores citados pela agência, que manteve o país na categoria de "lixo”, embora tenha passado para uma perspetiva "estável". Como avalia a sustentabilidade da dívida de Angola? YQ: A dívida angolana continua a aumentar, então vai gerar o aumento do imposto amanhã. E o imposto é também custo de produção, isso não atrai investimento estrangeiro, que procura um país cujo o pacto fiscal é mínimo. Então a dívida pública, no meu entender, é muito preocupante e pode contrair a atividade económica de Angola. DW África: A oposição angolana já cobrou no Parlamento a criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito para analisar a dívida pública, mas sem sucesso. Acha que o Governo tem interesse em tornar as contas mais transparentes? YQ: Se efetivamente queremos mudar de modelo económico, portanto, "abrir o livro", "abrir as portas", pode influenciar [positivamente] nos investimentos estrangeiros em Angola. Eu acho que este Presidente tem vontade em fazer com que Angola seja mais transparente.
Entre Janeiro e Março, a economia britânica cresceu 1,2% face ao primeiro trimestre de 2017, o ritmo mais moderado desde 2012. O produto interno bruto (PIB) do Reino Unido cresceu 1,2% no primeiro trimestre, quando comparado com o mesmo período do ano passado, revelou esta sexta-feira, 27 de Abril, o instituto de estatísticas do país. Este é o ritmo mais lento desde 2012, adianta a Bloomberg. Em cadeia, o crescimento do PIB britânico abrandou para 0,1% nos primeiros três meses deste ano, o pior desempenho desde o final de 2012. Esta leitura ficou aquém do esperado pelos economistas consultados pela Bloomberg, que apontavam para um crescimento de 0,3%. Os dados revelados adiantam ainda que o sector dos serviços abrandou, a produção na construção caiu e a produção industrial cresceu menos de 1%. O Banco de Inglaterra previa que o PIB britânico crescesse 0,3% no primeiro trimestre do ano.
França está a crescer ao ritmo mais brando desde o Outono de 2016, revelam os dados divulgados esta sexta-feira. O produto interno bruto (PIB) de França cresceu 0,3% no primeiro trimestre do ano, quando comparado com os últimos três meses de 2017, revelou esta sexta-feira, 27 de Abril, o instituto de estatística de França, o Insee. Este crescimento compara com os 0,7% registados no último trimestre de 2017 e corresponde, de acordo com o Les Echos, ao ritmo mais moderado desde o Outono de 2016.
A NYSE fechou em alta, mas o grande destaque vai para a subida do Nasdaq puxado pelas ações do Facebook que escalaram 9,1% depois de apresentar os seus resultados do primeiro trimestre de 2018. O mercado está agora alerta para a publicação das contas de gigantes como a Amazon ou a Microsoft. Wall Street encerrou a sessão com fortes ganhos, principalmente no caso da Nasdaq (+ 1,64% para 7.118,7 pontos), estimulado pela forte recuperação no Facebook (+ 9,06%). O Dow Jones fechou em alta de 0,99% para os 24.322,3 pontos, enquanto o S&P 500 subiu 1,05% para 2.666,9 pontos. O Facebook escala 9,1% depois de apresentar os seus resultados do primeiro trimestre de 2018. O gigante da tecnologia na noite passada reportou que o lucro líquido disparou 63%, para 4.988 milhões de dólares. A rede social registou um lucro por ação no primeiro trimestre de 1,69 dólares e um aumento de 49% nas receitas, até aos 11.970 milhões de dólares. Ambas superaram estimativas de consenso de analistas. O mercado está agora alerta para a publicação das contas de gigantes como a Amazon ou a Microsoft. Nesta quinta-feira, é a vez da Amazon (+ 3,96%). A gigante do e-commerce apresentará as suas contas após o fecho da bolsa. O consenso do mercado prevê um lucro por ação (EPS) de 1,25 dólares, abaixo dos 1,48 dólares do primeiro trimestre de 2017 e a receita será de quase 50 mil milhões de dólares, bem acima dos 35.710 milhões de dólares do primeiro trimestre de 2017. Outras empresas que registaram fortes ganhos são as empresa de chips Advanced Micro Devices (AMD), que subiu 13,7%, e a cadeia de restaurantes Chipotle Mexican Grill, que cresceu 24,4%. No Dow Jones, a Visa liderou ao registar um aumento de 4,93%, seguido pela Home Depot (+ 4,7%), Intel (+ 3,25%), General Electric (+ 2,35%) e Microsoft (+ 2,1%). No nível económico, os pedidos de seguro de desemprego no nível mais baixo desde 1969. Estas reivindicações iniciais de desemprego caíram de 233.000 para 209.000, abaixo das 230.000 esperadas. E os pedidos contínuos de compensação de desemprego foram colocadas abaixo de 1,85 milhões de dólares, o que indica a força atual do mercado de trabalho dos EUA. Além disso, as encomendas de bens duráveis em março recuperaram 2,6%, acima dos 1,6% esperados. No entanto, excluindo o item de transporte, as encomendas permaneceram estáveis, abaixo do aumento esperado de 0,5%. Hoje ainda, e de acordo com a informação preliminar divulgada pelo Gabinete de Análise da Política Económica dos Países Baixos (CPB), em fevereiro de 2018, ficou a saber-se que o comércio mundial terá tido uma diminuição estimada de 0,4% face ao mês anterior. Em janeiro de 2018, o comércio mundial terá aumentado 1,2% face ao mês anterior (a estimativa inicial foi de 0,9%). No mercado de commodities, o preço do petróleo do West Texas subiu 0,24%, para 68,21 dólares, e o petróleo Brent subiu 1,03% para 74,76 dólares. No mercado de dívida, depois de marcar máximos desde dezembro de 2013 acima dos 3%, a yield do título americano a 10 anos caiu para 2,982%.
A direcção da Associação Moçambicana de Panificadores, AMOPAO, viu-se obrigada a reunir-se de emergência com os seus membros, devido a uma preocupação que antes era da minoria dos panificadores mas que ultimamente tornou-se de todos. Algumas padarias da cidade e província de Maputo queixam-se da redução acentuada de receitas que já levou ao despedimento de trabalhadores, provavelmente provocada pela pressão exercida por um novo concorrente. “Estamos a passar mal desde que a Espiga D'ouro começou a funcionar, ela instala os seus depósitos de pão a pouco menos de 50 metros das nossas entradas. Antes era possível produzir pão equivalente a 10 sacos de 50 quilogramas de farinha de trigo, mas, actualmente, reduzimos para dois sacos por dia”, disse Arlindo Afonso, gerente de uma padaria do bairro de 1º de Maio, autarquia da Matola. Outra fonte assegurou-nos que devido a esta situação já despediu parte dos seus trabalhadores e pondera encerrar as portas caso a situação prevaleça. “Já despedi 12 trabalhadores porque as receitas baixaram e os custos de produção aumentaram. Hoje em dia o pão leva dias para acabar o que dantes não acontecia. Se esta situação continuar assim, sinceramente vou encerrar as padarias”, afirmou Amélia Mutisse, panificadora no mesmo bairro. No encontro de ontem, a Associação Moçambicana de Panificadores apontou como uma das medidas pontuais, um encontro com a panificadora em causa, no qual irá lançar um apelo no sentido de a mesma rever o acordo celebrado entre as partes sobre os mecanismos de actuação no mercado. Foi também acordado pelos membros da associação que caso não haja entendimento com o novo concorrente, outro recurso a aplicar seria levar o caso ao Governo, concretamente o Ministério da Indústria e Comércio.
O Presidente da República, Filipe Nyusi, defende que a localidade turística da Ponta do Ouro deve desenvolver um turismo organizado por forma a maximizar os múltiplos ganhos que a actividade pode proporcionar. Discursando esta quinta-feira, no comício que orientou na Ponta do Ouro, posto administrativo de Zitundo, distrito de Matutuíne, que marcou o início de uma visita de quatro dias a província de Maputo, Nyusi deplorou, por exemplo, a construção de barracas sem observância de regras básicas de ordenamento territorial, entre outras situações repulsivas ao turismo. “Não devemos construir barracas em todo o lado e de qualquer maneira. Há uma ideia de que Ponta do Ouro é um local bem ordenado e próprio para lazer de alta qualidade. Não estamos a dizer que as barracas devem ser destruídas mas sim construídas de forma ordenada”, disse Nyusi, que ainda hoje orientou a sessão extraordinária do governo provincial e visitou um projecto de criação de frango. O Chefe do Estado explicou a população os benefícios do turismo desenvolvido de forma ordenada, referindo que o sector emprega muita gente, mas, em contra partida, é uma actividade muito exigente. “O turista precisa de segurança e boas práticas de saneamento do meio. É um sector que emprega muita gente quando bem organizado. Se houver crime, lixo, proliferação de barracas, exploração desordenada de recursos marinhos, entre outros males, os turistas não afluirão a Ponta do Ouro. Temos que acarinhar esta actividade para que os turistas não demandem outras zonas em detrimento da Ponta do Ouro,” afirmou. Nyusi destacou as potencialidades turísticas que a localidade da Ponta do Ouro possui, caso do mar, reservas de fauna e flora, relevo, entre outras, referindo que o contacto com a população centrou-se no turismo por se tratar de uma actividade “que faz circular muito dinheiro na Ponta do Ouro”. A região também desenvolve agricultura, pesca e a criação de gado. Nyusi falou dos malefícios do uso de redes mosquiteiras para a captura do peixe, sublinhando, por outro lado, a necessidade de se observar o período de defeso. Exemplificou que no Parque Nacional das Quirimbas, província de Cabo Delgado, norte do país, onde o cumprimento do período de veda tem feito com que a população de polvo crescesse e se multiplicasse o suficiente para comercializar e até exportar. Sobre os vinte por cento de receitas provenientes da exploração turística, especificamente na reserva marinha da Ponta do Ouro, que passarão a ser canalizadas a população a partir de Junho do ano em curso, Nyusi pediu para que saiba tirar proveito dessas receitas que, algumas vezes, tem sido foco de desentendimentos. Quanto a queixas de venda de terrenos; situações conflituosas entre empresas de exploração turística e trabalhadores; entre outras reclamações, Nyusi disse que são problemas que precisam de ser averiguados para a sua devida solução. A população pediu, na ocasião, a conclusão da vedação da Reserva Especial de Maputo, já que vezes sem conta os animais que escapam da reserva destroem culturas alimentares.
O Estado moçambicano poderá perder três mil milhões de meticais de impostos (o equivalente a 49 milhões de dólares), pagos pelos produtores e importadores de cervejas, caso inicie com a selagem das cervejas em território nacional. O alerta foi feito ontem, em Maputo, pela Associação de Produtores e Importadores de Bebidas Alcoólicas (APIBA) durante uma conferência de imprensa que visava apresentar o balanço da fiscalização das bebidas alcoólicas nos últimos seis meses. Actualmente, os produtores e importadores contribuem com 8.000 milhões de meticais, podendo se registar um decréscimo para 5.000 milhões de meticais, segundo Neyde Pires, presidente para o sector de cervejas a nível da APIB. “Os produtores e importadores de cervejas e outras bebidas de pronto consumo contribuem em cerca de 8 mil milhões em impostos”, disse Pires, sublinhando que os importadores são contra a selagem de cervejas visto que o acto não é viável para as empresas. “São aspectos técnicos que nos fazem estar contra esta selagem. Tecnicamente, essa decisão vai criar uma carga pesada para uma indústria que não tem a prática de ter altos níveis de fraude e evasão fiscal.” “Não temos muitos casos, no mundo, de selagem de cerveja. Esta atitude pode não só contribuir para o decréscimo da nossa contribuição em impostos, assim como para a redução de postos de emprego no país”, afirmou. Por outro lado, a associação sublinha que a concessionária indicada para fazer a selagem não tem nenhum exemplo de trabalho global que possa demonstrar sua capacidade técnica para realização desta actividade. “Não poderemos continuar a trazer novos produtos que não gerem volume de venda para o sector formal”, disse. Efectivamente, a associação esclarece que o selo será mais uma matéria-prima mais um custo para a produção de cerveja e, por força disso, os operadores podem aumentar o custo do preço da cerveja. O decreto que obriga a selagem de bebidas alcoólicas com vista a garantir um controlo fiscal foi publicado no ano passado. Embora já tenha iniciado para as bebidas espirituosas e vinhos, ainda não iniciou para as cervejas. Caso inicie, a associação acredita que o país seria um dos poucos a nível mundial a fazer selagem em cervejas, considerando uma actividade prejudicial aos produtores. O dia 17 do mês em curso estava marcado para o arranque da fiscalização, contudo, mais uma vez este processo foi adiado. A Opsec Consortium Moçambique, de origem britânica, foi concessionada para fazer o selo de controlo de bebidas alcoólicas com vista a reforçar as medidas de combate à fraude e evasão fiscal.
O Fundo de Desenvolvimento Agrário (FDA), uma instituição tutelada pelo Ministério da Agricultura e Segurança Alimentar, projecta redimensionar a distribuição dos seus Centros de Serviços Agrários, espalhados pelo país, para que estes sejam mais prestativos aos produtores. A ideia foi manifestada ontem, em Namialo, distrito de Meconta, província de Nampula, pelo presidente do conselho de administração do FDA, Eusébio Tumuiquitile, em resposta às preocupações apresentadas por gestores desses centros e produtores, na primeira reunião regional de mecanização agrária. A formação de operadores e mecânicos para prestarem assistência ao equipamento foi outra questão colocada pelos utentes destes centros que o FDA pretende que seja resolvida no mais breve espaço de tempo possível. “Queremos maximizar a presença dos equipamentos em todos os distritos e organizar melhor a manutenção das máquinas porque estamos a ter muitos problemas na sua operacionalização, a ideia é convidar jovens do serviço cívico das forças armadas”, afirmou o presidente do FDA. Os utilizadores e gestores dos centros de serviços agrários criados pelo governo para assegurar o provimento de insumos, preparação de solos, sementeira, irrigação e colheitas apontaram ainda como principais problemas, entre outros, a concentração de equipamentos em alguns distritos em detrimento de outros. “Há avarias constantes, acessórios são difíceis de encontrar, a assistência técnica é fraca e por isso gostaríamos de ter mais e melhor monitoria das actividades desenvolvidas pelos centros de serviços agrários”, apontaram. Em resposta a estas inquietações, Tumuitiquile avançou algumas ideias, como por exemplo a identificação, pelos gestores e produtores, dos produtos com penetração mais eficaz nos mercados. "É também nossa responsabilidade envolver o maior número de extensionistas para que possam prestar assistência técnica necessária e uso de sementes melhoradas”, referiu. O presidente do FDA desafiou os gestores a mapearem o seu território para conhecerem melhor o terreno que os seus clientes pretendem lavrar evitando encontrar obstáculos que acabam por danificar o equipamento. “Sugiro que tenham uma visão empresarial porque a nível mundial o maior negócio é a agricultura que intervém em todos os aspectos da nossa vida, deixar o improviso e optar pela organização”, defendeu. “A nossa missão é promover o desenvolvimento, o importante é o diálogo para que todas as situações sejam resolvidas, os que têm pendências de reembolso de equipamento que levaram devem entender que soluções que satisfaçam todas as partes podem ser encontradas e é o que nós queremos”, explicou. Segundo disse, neste momento o FDA desembolsou 32 milhões de dólares norte-americanos na compra de 513 tractores para o actual Programa de Mecanização Agrária no país.