Benigno Papelo

Diante da atitude de não “confrontação” do regulador os bancos comerciais, que estão a ganhar biliões de meticais com as elevadas taxas de juro que praticam desde que a crise começou em Moçambique, continuam a manter-se indiferentes a descida da Prime Rate do Sistema Financeiro moçambicano, que em Maio reduziu mais um por cento, e às restantes reduções das taxas directoras do banco central. A taxa única de referência para as operações de crédito de taxa de juro variável do sistema financeiro moçambicano, a Prime Rate, reduziu no mês de Maio para 23,50 por cento, menos um por cento do que em Abril e menos quatro por cento do que em Novembro de 2017 quando iniciou a sua trajectória descendente. Antes, em Abril, o Banco de Moçambique também havia cortado, pela terceira vez desde Dezembro último, a taxa de juro de política monetária (taxa MIMO) e a taxa de juro da Facilidade Permanente de Cedência de Liquidez (FPC). Apesar destas decisões, que se juntam ao discurso encorajador do Presidente da República e do Governador do BM, de que a crise económica e financeira é coisa do passado, os bancos comerciais mantiveram as mesmas margens de risco de crédito, spread, que praticam desde 2016 quando a crise agudizou-se no nosso país. Com esses spreads os dois bancos comerciais que dominam o mercado moçambicano, o Banco Comercial e de Investimentos (BCI) e o Millenium Bim (MBim), continuam a ter taxas de juro acima dos 30 por cento nos seus produtos de crédito. Com esta descida na Prime Rate as taxas de juro no BCI passam a oscilar entre os 30 por cento, no crédito à habitação, até os 36 por cento, no crédito ao consumo. No crédito para correntes, até 1 anos ou acima de 1 anos, as taxas de juro podem chegar até aos 35 por cento. Já no MBim o crédito ao consumo das famílias moçambicanas é o que tem a taxa de juro mais alta, passando a ser taxado até os 35,50 por cento. A taxa de juro para à habitação é a mais acessível entre os produtos de crédito oscilando até 31,5 por cento. O crédito para o sector produtivo até 1 ano custa até 33,5 por cento e para mais do que 1 ano é taxado até 34,5 por cento. Assinaláveis os reflexos da descida da Prime Rate no Standard Bank e no Barclays que caíram para menos de 30 por cento em alguns produtos. A taxa de juro para o crédito à habitação no Standard Bank reduziu para um máximo de 26,75 por cento enquanto no Barclays o mesmo produto chega aos 26,25 por cento. Recorde-se que o Rogério Zandamela, o Governador do BM, quando questionado pelo @Verdade sobre a razão dos bancos comerciais não acompanharem as reduções realizadas pelo banco central afirmou que: “Nós como autoridade monetária temos um controle sobre certos componentes da taxa de juro activa que os bancos praticam com os seus clientes” porém “a nossa postura tem sido de trabalharmos no sentido de colaboração, procuramos não entrar em confrontação”. O @Verdade tem revelado que uma das razões dos bancos comerciais não reduzirem os seus spreads é para justamente para garantirem altas taxas de juro que lhe têm proporcionado lucros bilionários particularmente no investimento que têm nos Títulos do Tesouro do Estado que são indexados a essas taxas “agiotas”.
A Confederação Empresarial da CPLP, CE-CPLP, dirigida por Salimo Abdula, diz estar empenhada na criação de um Mercado onde seja mais Livre a Circulação de Pessoas, Bens, Capitais e Serviços entre os países da CPLP, daí ter agendando, para os dias 9 e 10 de Maio, a 1ª Conferência Económica do Mercado CPLP, em Maputo, diz a organização, em comunicado enviado à nossa redacção. Num mercado que abrange quatro continentes, nove países membros e 10 países Observadores, a CE CPLP diz ainda acreditar que uma melhor circulação dentro do espaço CPLP irá contribuir, não só para um maior desenvolvimento dos seus países, como também para o despoletar de novas oportunidades de investimento e negócios. Daí ter definido um programa, há três anos, para apoiar este novo e ambicioso projeto dos países de Língua Portuguesa. Reuniu grupos de trabalho, compostos pelas maiores Sociedades de Advogados destes países, responsáveis pela pesquisa e produção de conteúdos, assim como pela definição e priorização das etapas necessárias para a concretização deste grande objetivo. Os resultados e conclusões deste importante trabalho serão apresentados na 1ª Conferência Económica do Mercado CPLP. O evento, que vai contar com a presença de cerca de 4900 conferencistas, é organizado em parceria entre a CE CPLP e a CTA - Confederação das Associações Económicas de Moçambique. Serão debatidos temas com foco na Mobilidade de Pessoas (vistos), na Mobilidade e Reciprocidade Profissional, na criação de um Tribunal de Arbitragem e Mediação da CPLP, das Convenções de Dupla Tributação e Proteção de Investimentos nos nove países, na Constituição de Empresas de Capital Estrangeiro nos países da CPLP, do Manual de Ética e Compliance das Empresas da CPLP.
A Vale vai produzir este ano 15 milhões de toneladas contra a meta de 16 milhões que havia planificado, anunciou a companhia brasileira no país, numa redução com impacto nas previsões de crescimento da economia. O presidente da Vale Moçambique, Márcio Godoy, disse em conferência de imprensa que as cheias que assolaram o centro e o norte de Moçambique condicionaram a capacidade de produção das duas minas da Vale. "Logo no início do ano tínhamos uma previsão de 16 milhões de toneladas. Entretanto, tivemos intensas chuvas, tanto na região de Nampula e Nacala, como em Tete, que prejudicaram bastante a nossa actividade", declarou Godoy. Fevereiro e Março, prosseguiu, são os meses em que se registaram maiores prejuízos, levando a Vale a fixar em 15 milhões de toneladas a meta para este ano. O ministro da Economia e Finanças já havia admitido esta queda na produção da Vale durante uma entrevista à Lusa, em Abril. Na altura, referiu que a mesma deve levar a uma revisão em baixa da taxa de crescimento da economia prevista para este ano, de 5,3% para um valor não explicitado, mas que ficará acima dos 3% previstos pelo Fundo Monetário Internacional (FMI), disse Adriano Maleiane. Em 2017, a Vale produziu 11,2 milhões de toneladas de carvão, face a 5,6 milhões de toneladas em 2016, como resultado do aumento de produção na mina de Moatize II, a segunda da companhia na província de Tete, centro de Moçambique. Márcio Godoy assinalou que a Vale ainda terá de consolidar o processo de produção de carvão em Moçambique para aproveitar na plenitude a capacidade de exportação de 18 milhões de toneladas de carvão do Corredor Logístico de Nacala - que compreende uma linha férrea de 912 quilómetros e o porto de águas profundas de Nacala, apto a receber navios de grande calado. "A produção está a aumentar à medida que treinamos as pessoas e aperfeiçoamos os processos de produção", acrescentou Godoy. A Vale registou em 2017 um resultado líquido de 66,3 mil milhões de meticais (928 milhões de euros) em Moçambique, um crescimento de 31% em comparação com 2016, anunciou hoje a companhia mineira brasileira. O director-financeiro da Vale Moçambique, Marcelo Tertuliano, afirmou que, apesar dos ganhos, a empresa ainda está longe de recuperar o investimento e os recursos que aplicou no país.
O banco moçambicano Millennium Bim é a única entidade financeira lusófona nomeada para os prémios “African Banker Awards”, que vão ser entregues no âmbito dos Encontros Anuais do Banco Africano de Desenvolvimento, em Busan, Coreia do Sul. De acordo com a lista divulgada, o banco moçambicano concorre na categoria de Melhor Banco de Retalho, juntamente com o Barclays, da Zâmbia, o Ecobank, do Togo, a SBM Holdings, das Ilhas Maurícias e o KCB, do Quénia. Os prémios são organizados anualmente pela revista African Banker e este ano destacam-se os bancos Ecobank, Standard Bank e Standard Chartered, que figuram em várias categorias. A entrega dos galardões decorre em 22 de maio. "O mercado bancário africano está entre os mais excitantes a nível mundial", comentou o presidente do Comité dos Prémios, Omar Ben Yedder, que é também o 'publisher' e diretor do Grupo de Publicações IC. "Os mercados bolsistas foram um pouco mais lentos em 2017, mas vimos algumas transações interessantes do lado da dívida e também o financiamento de infraestruturas transformadoras", acrescentou o responsável. Os prémios são atribuídos com o Alto Patrocínio do Banco de Desenvolvimento Africano e são patrocinados pelo Fundo de Garantia Africano, o Banco Nacional de Investimento, o grupo Crédito Agrícola de Marrocos e o Banco da Indústria. O banco moçambicano Millennium Bim, um dos principais do país, registou um resultado líquido positivo de 5,5 mil milhões de meticais (74 milhões de euros) em 2017, um crescimento anual de 23,6%, de acordo com o relatório da instituição sobre o ano passado. O BCI e o Millennium Bim, ambos controlados por capital português, dominam o sistema bancário moçambicano, segundo a análise de ativos, empréstimos, depósitos e lucros que consta da “Pesquisa sobre o setor bancário” elaborada pela firma KPMG para a Associação Moçambicana de Bancos. Os dois concentram mais de metade dos ativos de 16 bancos comerciais incluídos no documento: o BCI tem 29%, enquanto o Millennium Bim tem 27%.
As bolsas europeias estão a negociar em terreno negativo, depois de terem atingido máximos de três meses na sessão de ontem. O petróleo segue em alta ligeira e o euro ganha face ao dólar. Os mercados em números PSI-20 sobe 0,03% para 5.499,86 pontos Stoxx600 perde 0,21% para 386,64 pontos Juros da dívida portuguesa a dez anos sobem 1,2 pontos para 1,705% Euro ganha 0,39% para 1,1998 dólares Petróleo em Londres valoriza 0,01% para 73,37 dólares o barril Bolsas europeias aliviam de máximos de Fevereiro As bolsas europeias estão a negociar em queda ligeira esta quinta-feira, 3 de Maio, depois de o índice de referência para a região, o Stoxx600, ter atingido ontem o valor mais alto desde o início de Fevereiro. As acções estão hoje a prolongar as descidas registadas em Wall Street, depois de a Fed ter mantido os juros inalterados e ter sinalizado que a inflação está próxima da metade 2%. O comunicado da Fed, que refere por duas vezes a expressão "meta simétrica" de 2%, levou o mercado a acreditar que o banco central ficará confortável mesmo que a inflação supere o objectivo, e que isso não o fará desviar-se do seu plano de continuar a subir os juros de forma gradual. O Stoxx600 recua 0,21% para 386,64 pontos, numa altura em que apenas o português PSI-20 contraria a tendência com uma subida ligeira de 0,03% para 5.499,86 pontos. A contribuir para os ganhos está sobretudo o BCP, que valoriza 0,79% para 28,2 cêntimos. Juros sobem na Europa Os juros da dívida pública portuguesa estão a subir em todas as maturidades, acompanhando a tendência que se estende à generalidade dos países do euro. A ‘yield’ associada às obrigações portuguesas a dez anos sobe 1,2 pontos para 1,705%, enquanto em Espanha, no mesmo prazo, o avanço é de 0,8 pontos para 1,319%. Em Itália, os juros a dez anos crescem 1,7 pontos para 1,807% e na Alemanha sobem 0,9 pontos para 0,590%. Dólar desce de mínimos de Dezembro O índice que mede o desempenho do dólar face às principais congéneres mundiais está a descer esta quinta-feira, depois de ter tocado em máximos do final de Dezembro na sessão de ontem. A penalizar a moeda dos Estados Unidos está o facto de a Fed não ter demonstrado uma postura mais agressiva na subida dos juros, mantendo-se fiel ao plano de subir gradualmente a taxa directora, mesmo que a inflação supere o objectivo de 2%. Depois de três sessões consecutivas de perdas, o euro ganha 0,39% para 1,1998 dólares. Petróleo em alta ligeira O petróleo segue em alta ligeira nos mercados internacionais, com os receios em torno de potenciais disrupções no fornecimento a serem compensados pelos dados que mostram que as reservas de crude dos Estados Unidos aumentaram na semana passada, o que habitualmente penaliza as cotações. A Administração de Informação de Energia dos Estados Unidos revelou ontem que as reservas de crude subiram em 6,22 milhões de barris na semana passada, muito acima do aumento estimado de 1,23 milhões de barris. Nesta altura, o West Texas Intermediate (WTI), negociado em Nova Iorque, ganha 0,07% para 67,98 dólares, enquanto o Brent, transaccionado em Londres, sobe 0,01% para 73,37 dólares. Ouro valoriza pela segunda sessão O metal amarelo está a subir pela segunda sessão consecutiva, animado pela convicção de que a Fed não será mais agressiva na subida dos juros. O ouro valoriza 0,36% para 1.309,71 dólares, enquanto a prata ganha 0,43% para 16,4453 dólares.
Com objetivo focado no mercado norte-americano, a Cambridge Analytica tem vindo a intervir em diversas campanhas eleitorais, incluindo a do atual presidente norte-americano Donald Trump. Agora, deverá fechar portas nos EUA. A Cambridge Analytica, empresa privada norte-americana, participada do grupo inglês SCL Group e criada em 2013, vai fechar portas, noticia o “The Wall Street Journal”. De acordo com este jornal, a Cambridge Analytica vai encerrar operações e declarar bancarrota. O escândalo no qual se viu envolvida a empresa levou a mesma a perder clientes. Este caso ditou uma reviravolta decisiva numa empresa que chegou a ser considerada pioneira ao nível do modelo de contornos tecnológicos com que chegava ao público-alvo das campanhas políticas. Prospeção e análise de dados Tal como a casa-mãe, opera nas áreas de prospeção e análise de dados, comunicação estratégica e avaliação, com enfoque na análise comportamental. Com objetivo focado no mercado norte-americano, a Cambridge Analytica tem vindo a intervir em diversas campanhas eleitorais, incluindo a do atual presidente norte-americano Donald Trump. Um dos seus acionistas é o milionário Robert Mercer, proprietário de um dos maiores ‘hedge funds’ do Mundo e financiador da campanha de Trump, sabendo-se que investiu, pelo menos, 15 milhões de dólares na consultora. A Cambrige Analytica empregava cerca de 150 funcionários. Acentuando as suas ligações à ala conservadora do Partido Republicano, o ex-assessor do presidente dos Estados Unidos, Steve Bannon, foi vice-presidente da empresa entre 2014 e 2016. No Reino Unido, a Cambridge Analytica apresenta como administrador executivo (CEO) Alexander Nix, embora esteja suspenso das suas funções na sequência do escândalo em curso. Desconhecida do grande público antes de rebentar esta polémica, a Cambridge Analytica já merece uma ficha de três parágrafos na Wikipedia. A origem da Cambrige Analytica radica, contudo, na sua ‘holding’, o SCL Group, com 25 anos de existência. Neste caso, SCL significa Strategic Communication Laboratories, ou seja, Laboratórios de Comunicação Estratégica. No ‘site’ oficial, o Grupo SCL apresenta quatro áreas de atuação: dados, análise, comunicação e avaliação. “Veja onde a sua campanha está a funcionar e onde não está. Analisamos os resultados de missões específicas criando relatórios aprofundados que podem ser apresentados aos seus ‘stakeholders'”, garante o SCL Group na área dedicada à avaliação. Uma das campanhas em que o SCL Group parece ter estado envolvido foi no referendo sobre a saída do Reino Unido da União Europeia, do lado dos promotores do ‘Brexit’, que veio a sair vencedor. A atuação nos ramos da análise comportamental e mudança social são objetivos assumidos do SCL Group, com especial destaque para “influenciar grupos-alvos”. O SCL Group reclama ter procedido à recolha e análise de dados e definido estratégias para governos e organizações militares em todo o Mundo, sublinhando que conduziu programas de mudança comportamental em mais de 60 países. No ‘site’ oficial não é possível aceder a dados sobre os órgãos sociais da empresa, o seu desempenho económico-financeiro ou a respetiva estrutura acionista. Sobre a sua presença geográfica, além do Reino Unido e dos Estados Unidos, o SCL Group tem escritórios em países como Espanha, Brasil, Argentina, Índia ou Dubai, mas também na Turquia, Roménia, Macedónia, Guiana, Gana e Malásia, por exemplo.
O Governo de Angola colocou esta quarta-feira no mercado cerca de 3 mil milhões de dólares, em duas emissões de dívida a 10 e 30 anos, ambas com juros acima de 8,2%, mais do que o Governo esperava. De acordo com fontes do mercado contactadas pela Agência Lusa, o Governo angolano fez duas emissões de dívida pública, uma a 10 anos e outra a 30 anos, num total que ronda os 3 mil milhões de dólares, mais do que os 2 mil milhões anunciados, e com uma taxa de juro acima da que o ministro das Finanças disse que esperava. Na emissão a 10 anos, as taxas de juro ficaram entre os 8,25% e os 8,37%, pagos anualmente, enquanto que na emissão de dívida a 30 anos, a taxa ficou entre os 9,3% e os 9,5%. O valor mínimo de investimento, de acordo com a agência de informação financeira Bloomberg, foi de 200 mil dólares, numa emissão de dívida pública em moeda estrangeira (eurobond), coordenada pelo Goldman Sachs. Em entrevista à Lusa em Washington, à margem dos Encontros da Primavera do Fundo Monetário Internacional, há menos de duas semanas, o ministro das Finanças tinha dito que esperava que as taxas de juro destas emissões ficassem ao nível do valor da dívida pública emitida em 2015, que foi lançada com uma taxa de juro de 9,5%, mas que está atualmente a ser transacionada à volta dos 7%. “O mínimo é dois mil milhões de dólares, mas pode ser mais”, disse o governante, salientando que a expectativa é que as taxas de juro exigidas pelos investidores fiquem em linha com as praticadas atualmente na emissão de dívida que Angola lançou em 2015. “A expectativa que temos é que [a taxa de juro] ficará abaixo da dos títulos emitidos em 2015, que já estão a ser comercializados a menos de 7%; foram lançados a 9,5% e estão a ser comercializados a 7%, portanto a nossa expectativa é que fiquem a esse nível”, disse o ministro das Finanças de Angola à Lusa. De acordo com o Plano Anual de Endividamento, Angola prevê captar 6,721 biliões de kwanzas (23.800 milhões de euros) de dívida pública, em 2018, totalizando 54.500 milhões de euros de endividamento. De acordo com o documento, elaborado pelo Ministério das Finanças em meados de fevereiro, estas necessidades repartidas por 4,762 biliões de kwanzas (18.100 milhões de euros) a captar em dívida emitida internamente e 1,959 biliões de kwanzas (7.400 milhões de euros) em desembolsos externos, visam “colmatar as necessidades de financiamento” do Orçamento de 2018. O aumento do endividamento foi uma das razões que levou a Moody’s a baixar o ‘rating’ de Angola, na semana passada, a par das dificuldades económicas do país. A agência de notação financeira Moody’s desceu na sexta-feira, 27 de abril, o ‘rating’ de Angola, de B2 para B3, mudando a Perspetiva de Evolução de ‘Negativa’ para ‘Estável’, concluindo o processo de revisão em baixa iniciado em fevereiro passado. As principais razões para a descida do ‘rating’, que se afunda ainda mais em território de ‘Não Investimento’, ou ‘Junk’ (lixo), como é normalmente conhecido, são “os riscos de refinanciamento interno e externo, que se manterão altos pelo menos nos próximos dois anos, e as métricas orçamentais e o peso da dívida, que já não estão em linha com os pares avaliados em B2”.
A Comissão Europeia atualizou esta quinta-feira a projeção para a expansão do produto interno bruto português em 2018, para 2,3%, ou seja, 0,1 pontos acima da anterior estimativa e alinhada com o Governo. A Comissão Europeia reviu em alta de uma décima a estimativa de crescimento da economia portuguesa para este ano e a previsão para o próximo, para 2,3% e 2%, respetivamente. Com esta estimativa, Bruxelas prevê que a economia portuguesa cresça ao mesmo ritmo da zona euro. “O PIB e o emprego [em Portugal] aumentaram significativamente em 2017, impulsionados pela procura interna e pelas exportações. Espera-se que o crescimento desacelere ligeiramente, mas deve permanecer forte em 2018 e 2019, à medida que as exportações e o emprego continuam a se expandir”, refere a Comissão Europeia, em comunicado. A estimativa atual de crescimento económico para este ano compara com os 2,2% apontados nas previsões de inverno por Bruxelas e corresponde ao mesmo valor calculado pelo Governo. “Os riscos para o outlook estão ligeiramente direcionados para baixo, principalmente devido a incertezas no ambiente externo”, explica. Bruxelas estima que tanto as exportações como as importações crescem a um ritmo semelhante em 2018 e 2019, mantendo a conta corrente “relativamente estável” num intervalo entre 0,5% e 0,6% do PIB. “Apesar de algum abrandamento, o turismo deverá continuar a ser um grande impulsionador de apoio à balança externa do país”, sublinha a Comissão.
Cerca de quatro centenas de trabalhadores da empresa Electricidade de Moçambique (EDM) poderão ser dispensados no âmbito das reformas em curso desde 2015. Fátima Arthur, Administradora do Pessoal e dos Serviços Corporativos, disse que o processo de mapeamento e selecção já foi concluído e os visados notificados. É uma medida justificada pelas reformas em curso na empresa, visando torna-la mais sustentável e moderna, e que começou com a criação do novo Conselho de Administração, em 2015. Fátima Artur, Administradora do Pessoal e dos Serviços Corporativos, disse, hoje, durante uma mesa redonda com jornalistas na capital do país, que a empresa pretende entre outras coisas reduzir os custos com o pessoal, e começou mesmo pelos próprios executivos da empresa, tendo sido reduzidos de 75 para 35. Uma medida justificada pela necessidade de centralizar as actividades e flexibilizar os processos de tomada de decisão, melhorando, consequentemente, a prestação de serviços da EDM. O mesmo aconteceu a nível de gestores de base como chefes de departamentos, que passaram de 620 para 85. A nível dos trabalhadores, a empresa conta actualmente com 3.545 e pretende reduzir para 3.148. A Administradora do Pessoal e Serviços Corporativos disse que das reformas feitas consta a reintegração de trabalhadores noutros sectores, a extinção de algumas unidades e a criação de novas o que vai exigir novas habilidades aos funcionários. Artur disse que tudo começou com um convite aos trabalhadores para que cada um indicasse em que sector gostaria de trabalhar ou sentia que tinha as capacidades necessárias para serem enquadrados. Artur disse ainda que o processo de selecção foi demorado e feito em várias fases, por vários gestores e sempre com os pareceres do sindicato, até se chegar à conclusão sobre quem era realmente necessário na empresa e em que sector. Existem porém os que devido a sua idade, reencaminha-los para novas formações não seria um investimento bom para a empresa e por isso seriam reformados. Aos que tiverem mais de 25 anos de serviço, a empresa decidiu atribuir uma reforma completa, ou seja como se tivessem completado os 35 anos de serviço exigidos por lei. “Identificamos um grupo de trabalhadores que neste momento não tem lugar na estrutura ou porque estão próximos da reforma, portanto não faz sentido investir em termos de formação ou porque não tem capacidade para fazer os trabalhos necessários na nova estrutura” clarificou. A administradora disse também que para os que não têm enquadramento na empresa e nem podem ter direito a reforma por estarem há pouco tempo na empresa, o Conselho de Administração ainda está à procura de formas de não deixá-los prejudicados. Fátima Artur diz que neste momento vai se implementar o mapeamento feito que não irá afectar apenas os que ficarão fora da empresa como os que vão ficar, pois casos há, de pessoas que vão ter de mudar de actividades ou passar a trabalhar em unidades que não serão aquelas a que estão habituadas.
O Ministro da Indústria e Comércio (MIC), Ragendra de Sousa, afirmou que a decisão da recente suspensão da “Kulaya”, que vinha sendo liderada pela Inspecção Nacional de Actividades Económicas (INAE), teve como origem a não observância de regras vigentes na instituição que dirige. O ministro falava ontem na cidade da Matola, província de Maputo, em resposta a perguntas de jornalistas sobre os motivos da suspensão daquela operação multissectorial destinada a chamar atenção aos operadores económicos para a observância da legalidade. Segundo de Sousa, a “Kulaya” foi suspensa “para que volte ao mercado de uma forma interventiva diferente e de a ajudar os agentes económicos a cumprirem”. “Não devemos levar a imprensa nas nossas acções fiscalizadoras e inspectivas. É um trabalho rotineiro do Governo que não precisa da presença dos ‘media’ e, neste sentido, mandei suspender devido à maneira como a operação estava a ser conduzida”, afirmou. Ragendra explicou também que o seu ministério é que aprovou a certificação de produtos, pelo que é uma decisão irrevogável, “só que, o que aconteceu, o processo estava a ser conduzido sem a observância das normas”, questionando, por exemplo, o porquê do envolvimento de equipas de bombeiros na “Kulaya”. “A operação foi planeada ao nível do ministério, onde foram traçadas orientações muito concretas e tudo o que se viu na televisão, por exemplo, não foi aqui decidido”, frisou. O ministro da Indústria e Comércio falava durante a cerimónia de entrega de um donativo de mil toneladas de arroz, avaliado em 40 milhões de meticais, para apoiar as vítimas da seca que fustigou as zonas Centro e Sul, desde 2015 a 2017. De recordar que a Operação “Kulaya”, que visava fiscalizar as embalagens dos produtos e o selo de fortificação dos alimentos, também contava com o envolvimento do Ministério da Saúde (MISAU), conselho municipal, Instituto Nacional de Normalização e Qualidade, entre outras instituições que regulam a actividade económica.