Benigno Papelo

A petrolífera Anadarko anunciou mais um "passo importante" para a exploração de gás natural na bacia do Rovuma, norte de Moçambique, ao seleccionar as empresas que vão construir o sistema submarino de extracção. “A Anadarko escolheu as empresas TechnipFMC e VanOord para os trabalhos de engenharia, aquisição, construção e instalação do sistema submarino ‘offshore’ do seu projecto de gás natural liquefeito em Moçambique”, lê-se numa informação da Anadarko consultada hoje pela Lusa. “Seleccionar o proponente preferido é outro passo importante para o projecto de LNG liderado pela Anadarko em direcção a uma FID (sigla inglesa de decisão final de investimento) esperada para o primeiro semestre de 2019″, disse Mitch Ingram, vice-presidente executivo da Anadarko, para as áreas de negócios internacionais, águas profundas e exploração. De acordo com aquele responsável, a TechnipFMC e a VanOord trazem "uma experiência adicional comprovada para o projecto" e demonstram o compromisso da Anadarko "em levar adiante este importante projeto" A companhia lidera o consórcio de desenvolvimento da Área 1 da bacia do Rovuma que nos últimos meses tem anunciado estar a fechar contratos de venda, já com preço estabelecido, para o gás que vai produzir em Moçambique. Ao mesmo tempo, está a avançar com diversas obras de construção civil de modo a ter infraestruturas prontas quando a decisão final for tomada. Uma das maiores jazidas de gás natural do mundo foi encontrada nas profundezas da crosta terrestre, sob o fundo do mar, 40 quilómetros ao largo da província de Cabo Delgado, extremo norte de Moçambique - na fronteira com a Tanzânia. Depois de extraído, através de perfurações, o gás será encaminhado por tubagens para a zona industrial a construir em terra, na península de Afungi, onde será transformado em líquido e conduzido para navios cargueiros com contentores especiais para exportação. O plano prevê duas linhas de liquefação, instaladas em terra, e com capacidade de produção total de 12 milhões de toneladas por ano de LNG. O investimento deve implicar, nesta fase, uma operação de financiamento num valor global de 12 mil milhões de dólares. O consórcio que explora a Área 1 é constituído pela norte-americana Anadarko (26,5%), a japonesa Mitsui (20%), a indiana ONGC (16%), a petrolífera estatal ENH (15%), cabendo participações menores a outras duas companhias indianas, Oil India Limited (4%) e Bharat Petro Resources (10%), e à tailandesa PTTEP (8,5%).
O Governo vai financiar mais de 50% do défice do Orçamento do Estado de 2019 com o recurso ao crédito interno e externo, de acordo com os documentos sobre a despesa pública hoje apresentados pelo executivo no parlamento. O Plano Económico e Social (PES) e o Orçamento do Estado (OE) de 2019 incluem um défice de 90.912 milhões de meticais, correspondentes a 8,9% do Produto Interno Bruto (PIB), um incremento de 0,8% do PIB previsto para este ano. Na conta que apresentou hoje na Assembleia da República, o executivo diz que vai contrair empréstimos externos no valor de 43.724 milhões de meticais e empréstimos internos no valor de 19.447 milhões de meticais. O OE de 2019 será ainda financiado com 27.740 milhões de meticais de donativos, um aumento de 0,9 pontos percentuais relativamente a 2018. Na despesa inscrita para o próximo ano, o Governo moçambicano prevê a emissão de garantias e avales no montante de 151.250 milhões de meticais para o sector empresarial do Estado. Desse montante, 136.125 milhões de meticais, correspondentes a 90%, serão destinados ao sector empresarial do Estado na indústria extractiva. Pronunciando-se sobre o financiamento do défice orçamental, durante a apresentação do Plano Económico e Social e do OE de 2019, o primeiro-ministro moçambicano declarou que o Governo vai privilegiar o recurso a empréstimos concessionais e donativos para suportar parte da despesa. "Esta forma de financiamento do défice orçamental mostra o esforço do Governo em recorrer menos ao endividamento interno e a créditos comerciais, o que permitirá a redução da pressão sobre o sistema bancário, libertando assim recursos para o sector privado financiar as suas actividades", afirmou Carlos Agostinho do Rosário.
Bolsa em alta e petróleo também. O petróleo registou ganhos depois de alguns países exportadores de petróleo terem anunciado cortarem a produção diária de barris de petróleo para ajustar a oferta à procura. O Dow Jones subiu 1,13% para 25.826,4 pontos; o S&P 500 cresceu 0,90% para 2.785,08 pontos; e o Nasdaq valorizou 1,51% para 7.441,5 pontos. A primeira sessão da semana fechou em alta depois dos presidentes norte-americano e chinês, Donald Trump e Xi Jinping, terem acordado um período de 90 dias de tréguas comerciais durante a cimeira do G20, que se realizou em Buenos Aires, na capital da Argentina. As negociações entre as duas maiores potências económicas mundiais vão continuar durante o período de tréguas. O presidente dos Estados Unidos acordou não aumentar as tarifas aduaneiras de 10% para 25% às importações chinesas no valor de 200 mil milhões de dólares em produtos daquele país. Por seu turno, Xi Jinping comprometeu-se em comprar mais bens produzidos nos EUA, incluindo produtos agrícolas. No nível das empresas, a Amazon recuperou 4,86% e conseguiu tornar-se a empresa mais valiosa do mundo em capitalização de mercado, à frente da Apple e da Microsoft. Por seu turno, o fabricante do iPhone recupera 3,49% e lidera as subidas do Dow Jones com a Boeing (3,82%), Nike (3,75%). Não surpreende a repercussão desses três títulos, porque todos eles têm grandes interesses na China. O barril de petróleo Brent para entrega em fevereiro fechou hoje em forte alta, a cotar-se a 61,96 dólares no Intercontinental Exchange Futures (ICE) de Londres, mais 4,2% que no fim da sessão anterior. Já o barril do crude WTI valorizou 4,24% para 53,09 dólares. O petróleo registou ganhos depois de alguns países exportadores de petróleo terem anunciado cortarem a produção diária de barris de petróleo para ajustar a oferta à procura. O Canadá, o quinto maior produtor de petróleo do mundo anunciou uma redução de 8,7% na produção do “ouro negro” a partir de janeiro de 2019. O presidente russo, Vladmir Putin, anunciou, no fim-de-semana, à margem da cimeira do G20, um possível acordo entre a Rússia e a Arábia Saudita para cortarem a produção de petróleo. A Arábia Saudita, o maior produtor mundial de petróleo, é o líder de facto da OPEP – Organização dos Países Exportadores de Petróleo.
Numa nota, em que define o montante e calendário indicativos dos leilões de moeda estrangeira, o banco central angolano refere também que a verba se destina a “plafonds” para cartas de crédito para todas as finalidades, com os leilões a realizarem-se com uma frequência diária. Obna Banco Nacional de Angola (BNA) anunciou esta terça-feira que vai disponibilizar 1.200 milhões de dólares (1.054 milhões de euros) aos bancos comerciais através de leilões de preço na venda de divisas, o maior valor dos últimos três meses. Numa nota, em que define o montante e calendário indicativos dos leilões de moeda estrangeira, o banco central angolano refere também que a verba se destina a “plafonds” para cartas de crédito para todas as finalidades, com os leilões a realizarem-se com uma frequência diária. Após cada sessão, o BNA divulgará, no seu portal institucional, o montante disponibilizado, o número de participantes, a taxa de câmbio mais alta e a mais baixa admitidas, bem como a taxa de câmbio média resultante da sessão. Acabadas as sessões de venda trissemanais de divisas em leilão aos bancos comerciais, iniciadas a 09 de janeiro último, o BNA está desde 01 de novembro a proceder a operações diárias. Em setembro, o BNA colocou no mercado 598 milhões de euros, tendo aumentado a disponibilidade em outubro e novembro, para 650 milhões de euros e 850 milhões de euros, respetivamente.
O programa de intraempreendedorismo da sede portuguesa da Nestlé, criado em parceria com a Nova SBE, resultou na criação de empresas pelos pelos próprios colaboradores. Já a proGrow venceu o concurso de startups externas, recebeu 10.000 euros e está a trabalhar com a multinacional num projeto-piloto. E se dentro de um grande empresa fossem criadas outras mais pequenas, pelas mãos dos trabalhadores? Na sede da Nestlé Portugal, seis colaboradores tornaram-se patrões. A gigante do setor alimentar permitiu que os seus funcionários internos mais inovadores montassem o seu próprio negócio com as ideias geradas no programa de intraempreendedorismo e aceleração da empresa e daí nasceram duas empresas. “Descobrimos que havia pessoas daqui que queriam abrir as suas próprias empresas, colocara-nos esse desafio e aceitámos que mantivessem o vínculo laboral com a Nestlé. Mais tarde, a Nestlé tem opção de compra preferencial dessas empresas”, disse Luís Ferreira Pinto, Business Executive Officer da Nestlé Portugal, ao Jornal Económico. O culminar do espírito empreendedor destes profissionais surgiu depois da participação no “Fora da Casca”, o programa criado em parceria com a Nova School of Business and Economics (Nova SBE). Composto por duas vertentes – a do Nestlé Startup Challenge, concurso destinado a microempresas externas, e a do intraempreendedorismo, com 50 funcionários da sede da Nestlé que se inscreveram no programa –, o “Fora da Casca” já escolheu o seu pódio de vencedores. Inicialmente estava prevista a eleição de três ideias internas mas foram quatro os projetos internos vencedores – Janta Comigo, Dog Spot, Tru e Casa da Nutrição –, criados por nove colaboradores. “O estágio inicial dos projetos ainda não permite ter KPI específicos, mas permite identificar áreas de melhoria. A grande surpresa é que temos gente mais empreendedora dentro da empresa do que imaginávamos. As 42 pessoas que não ganharam contaminam positivamente a empresa e espalham novas formas de trabalhar”, explica, por sua vez, Luís Ferreira Pinto, coordenador do programa. “Obviamente que a Nestlé tem benefícios claros nestas colaborações, com inovações na sua operação, quer em eficiência quer em contacto com o cliente, mas também tem sido uma vantagem para as startups poderem contar com a Nestlé como primeiro cliente, desenvolverem variações ou melhoramentos dos seus produtos iniciais e fazerem negócio win-win”, conta ao jornal Miguel Muñoz Duarte, professor da Nova SBE. Como qualquer outro fenómeno “tipicamente explosivo”, o docente considera que a “moda das startups e das summits” traz consigo programas de empreendedorismo com densidade, mas lembra que existe ainda um lado corporate que se mantém “a surfar a onda”, implementando iniciativas com benefícios pouco claros para as empresas. Segundo Miguel Muñoz Duarte, o “Fora da Casca” permitiu quebrar o statuos quo interno da Nestlé, através dos seus modelos de colaboração entre trabalhadores e startups externas (neste momento existem 10 trabalhar com diversos departamentos da empresa). “Estas startups estão realmente a trabalhar com as equipas internas. A Nestlé é uma gigante e, teoricamente, iria complicar tudo e mais alguma coisa, mas o que vejo é um esforço enorme para tornar obrigações e paradigmas próprios para fazer acontecer mais rápido. O próximo ano vai ser ainda mais diferente, estamos a trabalhar na segunda edição”, refere o porta-voz dos empreendedores participantes. A grande vencedora do desafio lançado a startups já estabelecidas no mercado foi a proGrow, especialista na melhoria de processos operacionais. Teve como prémio um financiamento de 10.000 euros para aplicar no desenvolvimento de testes piloto e respetiva implementação e integração. O segundo prémio, de 5.000 euros, foi entregue à Team8 – wearable com conteúdos didáticos para crianças – e o terceiro, de 2.500 euros, foi parar à conta da YouBeep – plataforma para melhorar a experiência dos consumidor/shoppers. Conheça os quatro projetos vencedores do pitch interno: Janta Comigo Plataforma para juntar anfitriões que queiram receber pessoas novas em sua casa e os seus convidados, proporcionando-lhes uma refeição agradável. Um projeto para pessoas que procuram divertir-se e fazer novos amigos à roda da mesa. Dog Spot Áreas de conveniência nos shoppings para que os donos de animais de estimação os possam deixar enquanto fazem as suas compras. Estes espaços consideram também outros cuidados prestados aos animais, como banhos, tosquias, refeições e até cuidados veterinários. Tru Tru Energy Balls é um snack produzido com ingredientes que saciam, sem adição de açúcar, enquanto acrescentam benefícios para a saúde. Dirigido àqueles que procuram um alimento completo, saudável e de conveniência para comer entre refeições. Casa da Nutrição Desenvolve atividades que promovem estilos de vida mais saudáveis para as crianças e respetivas famílias, quer através do exercício físico, quer através da alimentação. Na prática, é um projeto que ajuda a materializar o propósito da Nestlé, de melhorar a qualidade de vida e contribuir para um futuro mais saudável.
O primeiro-ministro francês vai anunciar esta terça-feira uma moratória relativa ao aumento do imposto sobre combustíveis previsto para 01 de janeiro, de forma a apaziguar as manifestações dos “coletes amarelos”. O primeiro-ministro francês vai anunciar esta terça-feira uma moratória relativa ao aumento do imposto sobre combustíveis previsto para 01 de janeiro, de forma a apaziguar as manifestações dos “coletes amarelos”, disseram fontes do governo à AFP. Este adiamento, ou mesmo suspensão, deve ser acompanhada de outras medidas de apaziguamento, segundo as mesmas fontes. A decisão foi tomada na segunda-feira à noite, no Palácio do Eliseu, e deve ser apresentada durante esta manhã aos deputados do partido do Presidente francês, Emmanuel Macron. O movimento de “coletes amarelos” nasceu espontaneamente num sinal de protesto contra a taxação de combustíveis em França. As ações de contestação estão a causar grande embaraço ao Governo francês, tendo corrido mundo as imagens dos violentos confrontos entre manifestantes vestindo coletes amarelos e a polícia, no sábado, na emblemática avenida dos Campos Elíseos, em Paris. As reivindicações dos coletes amarelos não mudaram, mesmo depois do Presidente Emmanuel Macron se ter dirigido à nação há uma semana. A grande carga de impostos, perda do poder de compra e desilusão geral com o Governo são as queixas mais comuns entre quem está a manifestar nas ruas do país. O fim de semana ficou marcado em França por violentos protestos do movimento dos “coletes amarelos”, sobretudo por desacatos em Paris e por atos de vandalismo no Arco do Triunfo. O monumento, que é símbolo emblemático de Paris e da própria França, foi pintado, o seu museu saqueado e uma estátua partida, à margem dos protestos. Os últimos dados sobre sábado indicam que 136 mil pessoas se juntaram à mobilização
Inspecção Nacional de Actividade Económica (INAE) chama à atenção aos cidadãos a ter muita cautela sobre as promoções de produtos no mercado, sobretudos os alimentos. Segundo Virginia Muianga, porta-voz da INAE, este momento é de procura generalizada de produtos alimentares, cosméticos e vestuário, para que as pessoas passem, condignamente, as festas de Natal e do fim do ano. Muianga aconselha a população no geral para que observe bem a validade do produto antes de pagar, porque nem toda promoção é bem-vinda. “Existem comerciantes de má-fé, que ao notar que o produto está quase a expirar o prazo, colocam em promoção e sem informar ao cliente sobre a validade do mesmo. O cliente compra com um orgulho inocente, pensando que se trata de uma sorte, enquanto é um perigo e atentado á saúde, até mesmo à vida”- explicou. Alertou que todo o produto em promoção deve ter a data de validade nítida para que o cidadão o adquira e o consuma dentro da validade. A porta-voz disse que todos os bens e serviços à venda devem possuir preço total, já incluso o Imposto do Valor Acrescentado (IVA). “A INAE está desde o mês de Novembro a trabalhar no âmbito da quadra festiva”, disse, tendo acrescentado que estão no terreno cerca de 250 inspectores, divididos em 60 brigadas a nível nacional, cada brigada tem quatro inspectores. “Temos 11 piquetes, correspondente a igual número de províncias, totalizando 12, contando com a INAE da Sede. Cada piquete é constituído por quatro inspectores”- garantiu. Indicou que a INAE está no terreno a fazer a fiscalização como sempre, mas com intensidade na verificação da qualidade de serviços e produtos, na qual se observa a validade do produto e o sistema de armazenamento recomendado. De Novembro até cá, já foram fiscalizados cerca de 1.600 estabelecimentos comerciais, em todo o país, com maior incidência no ramo de retalho, que atingiu 840 casos, seguido de venda a grosso com 100 fiscalizados. Destacou as províncias de Manica, Sofala e Maputo-cidade como sendo as mais fiscalizadas com 500, 300 e 100 inspeccionados, respectivamente. Informou também que ao longo da semana finda, a INAE encerrou três unidades económicas do ramo da restauração, dois deles devido ao exercício de actividades sem observância das regras recomendadas e um por falta de licença.
Para o próximo ano, Moçambique poderá receber cinco biliões de dólares de investimento directo estrangeiro na indústria extractiva. O Governo acredita que a previsão de retoma da economia nacional pode acelerar o desenvolvimento da Zona Económica Especial de Nacala. Depois da recessão económica registada nos últimos três anos, o futuro parece mais promissor, com a indústria extrativa a jogar um papel muito importante. Um desafio e várias oportunidades para desenvolver mais rápido a Zona Económica Especial de Nacala que nos últimos nove anos recebeu 178 projectos de investimento. Durante a primeira conferência internacional de investimento que terminou ontem em Nacala, foi feita uma apresentação comparativa entre as zonas económicas especiais da África do Sul, Quénia, Etiópia e Tanzânia, e ficaram ilações importantes para Moçambique.
O Aeroporto Internacional de Nacala vai continuar sem tráfego nos próximos tempos e a empresa Aeroportos de Moçambique reconhece o peso financeiro para a manutenção daquela infra-estrutura para além da divida de pouco mais de 200 milhões de dólares por pagar. A empresa Aeroportos de Moçambique foi uma das parceiras da primeira conferência internacional de investimento na Zona Económica Especial de Nacala havida entre os dias 28 e 30 de Novembro, tendo cedido sua sala de conferências pra acolher os cerca de 300 participantes. “O Aeroporto de Nacala desde que abriu em 2014 ainda não conhece o que estava previsto na sua materialização. Devia haver uma companhia aérea baseada aqui em Nacala”, disse Emanuel Chaves. PCA do Aeroportos de Moçambique. Receando cair no erro, a própria Ethiopian Airlines não terá as suas operações baseadas em Nacala como se especulava e mais uma vez, o resultado da equação dos que projectaram este gigante para aqui dá um resultado negativo! Neste momento o Aeroporto Internacional de Nacala recebe voos da LAM apenas duas vezes por semana e algumas aeronaves privadas. Sem fazer dinheiro e com uma divida de mais de 200 milhões de dólares por pagar. Enquanto esse dia não chega, o amplo espaço de que dispõe dá para outras actividades. Aliás, os participantes da conferência de investimento almoçaram nesse local, bem aconchegados e sem barulho de aviões!
Uma província quase que “parada no tempo” no que toca ao desenvolvimento, esta é a triste realidade de Gaza, que nos próximos dez anos prevê captar muitos investimentos privados que irão transformar por completo a província. Conhecida pelo seu vasto potencial agrícola e turístico, a província meridional de Gaza parece “esquecida” para os investimentos de vulto, fazendo com que o seu nível de desenvolvimento ande a passo de camaleão. Para mudar este panorama, o Governo Provincial de Gaza tem um plano ambicioso de em dez anos catapultar o desenvolvimento socioeconómico da região. As linhas de orientação já estão definidas e o draft foi apresentado esta segunda-feira, em Bilene, aos potenciais investidores. Trata-se do Plano Estratégico de Desenvolvimento da província de Gaza para a próxima década, que define o turismo, agricultura e pecuária como as linhas de força para colocar região na rota dos grandes investimentos. Os sinais de mudança estão a vista. Na conferência de investimento para Gaza, que decorre em Bilene (um dos principais destinos turísticos da província de Gaza), o governo local e o Ministério da Agricultura e Segurança Alimentar do Botswana, rubricaram memorandos de entendimento para desenvolver a indústria de carne nesta província de Sul de Moçambique. “Gaza tem características similares às do Botswana. O potencial agro-pecuário está presente, pelo que vamos ajudar a província a atingir patamares internacionais. A nossa amizade com Moçambique é antiga”, disse Patrick Pule Ralotsia, ministro da Agricultura e Segurança Alimentar do Botswana. Por sua vez, a governadora de Gaza, Stella da Graça, lembrou o simbolismo histórico da província, situação que torna esta região do país “muito especial e única”. “É chegado o momento de Gaza estar na rota dos grandes investimentos”, sublinhou da Graça, sob olhar atento de quase uma centena de potenciais investidores, antigos governantes e alguns deputados da Assembleia da República (AR). Já o ministro dos Transportes e Comunicações, Carlos Mesquita, destacou no seu discurso de abertura da conferência, os projectos de areias pesadas de Chibuto e construção do Aeroporto de Xai-xai, capital provincial de Gaza. Para o aeroporto, em alusão, sabe-se que o Governo moçambicano conseguiu um donativo chinês, avaliado em cerca de 60 milhões de dólares, que vai financiar a instalação desta infra-estrutura aeroportuária. “Gaza tem vantagens comparativas que podem ser convertidas em vantagens competitivas. Por isso, encorajamos a participação activa do sector empresarial privado e constituição de parcerias públicas e privadas”, apontou Mesquita. Realçando, que neste prisma, para incentivar e atrair o investimento nesta província, o Governo aposta na melhoria do ambiente do negócios com destaque para a reforma legal, concessão de incentivos fiscais e aduaneiros, estabelecimento de zonas económicas e especiais, simplificação de procedimentos burocráticos para abertura de empresas e concessão de licenças.
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