Benigno Papelo

Com o negócio, a norte-americana quer assaltar a liderança do mercado de fragrâncias para cosmética liderado pela suíça Givaudan. A IFF – International Flavors & Fragrances Inc quer comprar a empresa israelita de aromas, fragrâncias e ingredientes naturais Frutarom, o que lhe permitirá colocar-se lado a lado na liderança do mercado de ingredientes para cosmética com a suíça Givaudan. Para isso, a norte-americana está disposta a desembolsar 7.100 milhões de dólares, o equivalente a 5,94 mil milhões de euros. A concretizar-se, o negócio, que carece ainda de aprovação pela administração das duas empresas, será o segundo maior envolvendo uma empresa norte-americana e uma israelita depois da compra, por 15 mil milhões de dólares (12,5 mil milhões de euros), da Mobileye pela Intel. A Frutarom comercializa os seus produtos – um portefólio de cerca de 70.000 produtos, como corantes naturais, ingredientes para produtos de beleza, enzimas e essências alimentares – em cerca de 150 países, tendo como clientes sobretudo empresas de média dimensão.
A fabricante chinesa viu o caminho para o mercado dos Estados Unidos barrado. Vista pelos norte-americanos como sendo controlada por Pequim e acusada de espionagem, a empresa está focada no mercado europeu. A inteligência artificial e as câmaras são os pontos fortes. O aço e o alumínio, pesados símbolos da Revolução Industrial que começou no século XVIII, foram os materiais recentemente escolhidos por Donald Trump para dar o primeiro tiro numa guerra comercial com a China, já em pleno século XXI. As tarifas impostas às importações destes materiais não são, no entanto, as únicas armas usadas pelo presidente norte-americano no conflito comercial com a segunda maior economia do mundo. Em segundo plano, decorre uma batalha ligada a uma revolução contemporânea – a digital, que envolve chips, inteligência artificial, smartphones, aplicações, apps, dados – muito do que nos liga diariamente à tecnologia. As armas usadas nessa luta são a inovação, a investigação e o desenvolvimento, mas também a espionagem, a contra-espionagem, o roubo de informação e a influência externa. No centro desta batalha está a ambiciosa tecnológica chinesa Huawei. Em janeiro, a operadora norte-americana AT&T rompeu um acordo, que estaria prestes a ser anunciado, para distribuir os smartphones da empresa chinesa. Num mercado onde os fabricantes de equipamento dependem principalmente dos operadores para chegar aos consumidores, foi um duro golpe para a Huawei. A ambição de conquistar um mercado dominado pelo segmento premium, precisamente aquele que a empresa visa através de smartphones que já incluem a inteligência artificial, tornava-se mais difícil, senão impossível. A AT&T não explicou as razões para quebrar o acordo, mas a imprensa norte-americana apontou para razões políticas. Em dezembro, um grupo de congressistas escreveu uma carta à poderosa Federal Communications Commission a criticar um eventual acordo entre uma empresa de telecomunicações norte-americana (cujo nome não mencionou) e a Huawei. O aviso foi claro: “o Congresso há muito que têm preocupações sobre a espionagem chinesa em geral e, em especial, do papel da Huawei nessa espionagem”. O CEO da Huawei, Richard Yu, reagiu de forma expressiva, numa entrevista à CNBC em março. “Os nossos concorrentes estão a tentar de uma certa forma política para nos tentar expulsar do mercado norte-americano, mas não conseguem concorrer na tecnologia, na inovação, portanto concorrem usando a política”. A Huawei tentou depois distanciar-se dos comentários de Yu, adoptando uma posição oficial mais conciliatória, mas já foi tarde para disfarçar a reação inicial. Na sede da Huawei em Shenzhen, no sul da China, os gestores da empresa evitam responder diretamente às perguntas dos jornalistas sobre os problemas nos Estados Unidos. Finalmente, um dos responsáveis admite que “poderá ser um problema”. No entanto, é só uma curta frase, até eventualmente um deslize, que contrasta com o coro de respostas dadas pelos outros gestores. As mensagens centrais são sobre as rígidas regras de segurança que a empresa segue para garantir a proteção dos dados dos consumidores e, com mais veemência, sobre como o resto do mundo oferece suficiente potencial de mercado. Kevin Ho, presidente da divisão de telemóveis, explica o raciocínio da empresa: “O mundo tem 7 mil milhões de pessoas, e nos Estados Unidos estão somente 300 milhões”. A Huawei quer ultrapassar a norte-americana Apple e a sul-coreana Samsung para se tornar na líder na venda de smartphones a nível mundial. Segundo Ho, a meta serve para encorajar a equipa, mas também é um objetivo real, embora a empresa não divulgue o ano em que espera atingi-lo. Foco na Europa Apesar dessa relutância em estabelecer um calendário, o histórico demonstra que a Huawei avança a alta velocidade. A_empresa foi fundada há 30 anos por Ren Zhengfei, um perito em tecnologia que passou vários anos a trabalhar para o exército chinês, alegadamente com um investimento inicial de 3.500 dólares. Nos primeiros anos o principal negócio foi a revenda de componentes para centrais telefónicas, mas progrediu rapidamente para a construção de redes de telefonia fixa e depois móvel nos anos 90, década na qual a Huawei iniciou a expansão internacional. A expansão exponencial deste negócio, o carrier network group, permite afirmar que um terço da população mundial comunica através das 1.500 redes que a empresa construiu. Em 2004, deu o passo seguinte e começou a produzir telemóveis, lançando em 2009 o seu primeiro smartphone. Os resultados ilustram a ambição da tecnológica chinesa. As receitas avançaram 15,7% para 92 mil milhões de dólares no ano passado, permitindo um disparo de 28% no lucro líquido para 7.300 milhões de dólares. O carrier network business continua a representar a maior fatia das receitas (49,3%), mas o consumer business aproxima-se e já está nos 39,4%, com o negócio de serviços a grandes empresas a completar o total. No ano passado, a empresa vendeu 153 milhões smartphones, mais 31,9% do que em 2016. A quota de mercado global é de 10,5%, mas no segmento premium, de equipamento acima preços acima dos 500 dólares, afirma ter atingido 32,7%. Em termos de geografias, a China, onde a Huawei lidera, é o principal mercado. Com os problemas que a empresa enfrenta para vingar nos Estados Unidos, Kevin Ho afirma que o “foco número um” este ano está na Europa, enquanto a empresa também vê potencial na região da Ásia-Pacífico. Em Itália e Espanha a fabricante já tem quotas de mercado acima dos 20%, ajudada pelo crescente reconhecimento da marca, enquanto em Portugal o desempenho também tem sido positivo. Tiago Flores, diretor de vendas do consumer business no país, refere que a marca foi a que mais cresceu em 2017 neste segmento de indústria. “A Huawei atingiu ainda a liderança de mercado em alguns segmentos e acredito que, em geral, ocupa atualmente a segunda posição no mercado nacional de forma destacada”. A melhoria da reputação de uma marca que há alguns anos era vista com alguma desconfiança por ser made in China, é fruto também de parcerias com nomes conhecidos. Além da Google, que fornece o sistema operativo Android, a Huawei juntou-se a empresas como a Audi, a Dolby (para o som dos equipamentos), a Pantone Colour Institute, a Porsche Design e a fabricante de lentes e câmaras Leica. Num mundo de selfies e Instagram, a fotografia é uma das grandes apostas nos telefones da empresa desde 2013, quando lançou o modelo P6. Na campanha de lançamento, em março, da nova série P20, o slogan escolhido foi ‘o renascimento’ da fotografia. “O Huawei P20 Pro tem o sistema de câmara mais avançado do mundo – o primeiro smartphone com tripla câmara co-desenvolvida com a Leica e powered by AI (inteligência artificial)”, afirma Tiago Flores. O diretor de vendas em Portugal realça que a introdução da inteligência artificial em smartphones foi possível devido à aposta da empresa em Investigação e Desenvolvimento. Realça que nos últimos 10 anos a firma investiu 45 milhões de dólares em investigação e em 2016 entrou para o top 10 das marcas que mais investem em I&D no mundo. Com 15 centros dedicados a I&D e 36 centros de inovação, investe 10% das receitas neste campo anualmente. Dos 180 mil funcionários espalhados pelo mundo, 45% trabalham em I&D. “Inteligência Artificial, redes 5G e Cloud são os exemplos mais visíveis deste investimento”, explica Tiago Flores. De aldeia piscatória a tech centre Localizada na província de Guangdong, 17 kilómetros a norte de Hong Kong, a cidade de Shenzhen foi transformada pelo crescimento da Huawei. Em apenas 30 anos, passou de vila piscatória com 30 mil habitantes a metrópole onde residem mais de 12 milhões de pessoas. A batalha tecnológica entre as duas maiores economias do mundo trava-se também no campo das tech hubs. Silicon Valley, na Califórnia, é a ainda visto como o principal centro mundial de inovação tecnológica. A resposta da China está em Shenzhen. Além da Huawei, cuja sede com 60 mil trabalhadores domina a cidade, também a concorrente ZTE, a Tencent (dona do maior portal de internet chinês) e a Foxconn (ironicamente, a empresa que fabrica a maioria dos iPhones da Apple) fazem da cidade a sua base. Num sinal da crescente atrativadade, Shenzhen foi no final do ano passado escolhida pela fabricante aeronáutica europeia Airbus para acolher um novo centro de inovação. Com a corrida tecnológica entre a China e os Estados Unidos ao rubro, o peso da Huawei esteve novamente à vista em março num contexto de uma operação entre duas outras gigantes. Donald Trump vetou a compra da Qualcomm, um produtora norte-americana de processadores, pela Broadcom, uma concorrente baseada na China. O presidente declarou que a operação poderia pôr em causa a segurança nacional dos Estados Unidos. Trump não mencionou a Huawei, que de facto não esteve diretamente envolvida na operação. A decisão foi baseada numa recomendação da Comité de Investimento Externo, que alertava para o risco de a Broadcom reduzir cortar o financiamento para I&D da Qualcomm. O principal impacto poderia ser o fortalecimento da posição da Huawei na inovação , especialmente quando concorrentes na área das redes móveis como a Ericsson e a Nokia enfrentam dificuldades. A Casa Branca vê a Huawei com enorme desconfiança, pois acredita que tem ligações diretas com o governo chinês. A empresa afirma que é detida em 99% pelos empregados, com o fundador a controlar 1%. Questionados sobre a influência estatal na empresa, os gestores da Huawei respondem de forma vaga, explicando que tem de existir uma boa relação, pois o governo apoia todos os esforços para a China avançar no campo tecnológico. No meio de uma guerra tecnológica e económica, qualquer resposta mais concreta seria improvável.
Segunda-Feira, 14 May 2018 08:30

Xerox rasga acordo de 6 milhões com Fujifilm

Carl Icahn e Darwin Deason. Carl Icahn e Darwin Deason, que detêm 15% da Xerox, opuseram-se à operação de cerca de 5 mil milhões de euros por considerarem que iria subestimar a empresa norte-americana. A tecnológica Xerox anunciou que pôs fim à venda à japonesa Fujifilm após ter fechado um acordo com os investidores Carl Icahn e Darwin Deason. Carl Icahn e Darwin Deason, que detêm 15% da Xerox, opuseram-se à operação de 6,1 mil milhões de dólares (cerca de 5 mil milhões de euros), por considerarem que iria subestimar a empresa. A Fujifilm já contestou a decisão “unilateral” da Xerox e sublinhou que não acredita que “a Xerox tenha o direito legal de rescindir o contrato”. “Estamos a rever todas as nossas opções disponíveis, inclusive uma ação”, explicou a firma japonesa. A 31 de janeiro, a Fujifilm celebrou um contrato de 6 mil milhões de dólares com a norte-americana Xerox para incluir esta última na empresa que têm em conjunto: a Fuji Xerox, sediada no Japão. As empresas previam que a transação tivesse um impacto positivo a médio a longo prazo no lucro consolidado da Fujifilm assim que a nova Fuji Xerox se tornasse numa subsidiária consolidada. Os acionistas da Xerox iriam receber um dividendo de 2.500 milhões de dólares, aproximadamente 9,80 dólares por ação (cerca de 8 euros). A Xerox e a Fujifilm esperavam que esta sinergia gerasse, pelo menos, 1,7 mil milhões de dólares de poupanças de custos anuais totais até 2022, com aproximadamente 1,2 mil milhões de dólares (aproximadamente 1,4 mi milhões de euros) em poupança de custos totais até 2020.
Na Zambézia, estão identificados mil hectares para plantação de coqueiros, visando a produção de óleo alimentar O projecto, que contempla uma fábrica de processamento, será implantado no povoado de Lua-lua, distrito de Mopeia, onde se acredita haver condições climáticas adequadas.
Empresa Nacional de Hidrocarbonetos (ENH) prevê construção de uma refinaria de gás no país. Sem avançar com datas o Presidente do Conselho de Administração daquela instituição, Omar Mitá, diz que neste momento está em análise a viabilidade económica do projecto. Segundo Omar Mitá o concurso público referente à construção de uma refinaria de gás no país foi lançado no mês passado. Mitá não tem dúvidas que o projecto irá melhorar o poder de compra dos moçambicanos. O PCA da ENH revelou ainda que enquanto se espera pelo gás do Rovuma vai se conceber um projecto de importação da matéria-prima para ser refinada no país e consequentemente escoar o produto para os países do interland. Para Mitá, Moçambique tem condições para beneficiar-se dos recursos naturais existentes no seu território acrescentando valor e cobrando preços de prémio.
A China desembolsou cerca de 10 milhões de dólares americanos para apoiar a actual campanha agrícola em Moçambique. O facto foi revelado no último sábado no distrito de Boane, pelo embaixador da China em Moçambique, Su Jian, durante a visita que o Presidente do Comité Permanente da 13ª Assembleia Popular Nacional da China, Li Zhanshu, efectuou ao Centro de Investigação e Transferência de Tecnologia Agrícola Moçambique - China, localizado naquele ponto do país, segundo avança a AIM. Su Jian apontou a agricultura e segurança alimentar como sectores prioritários do investimento chinês no país. “A China escolheu a agricultura como o sector em que deve investir mais nos próximos tempos em Moçambique”, disse, acrescentando que cinco maiores empresas chinesas estão a operar em Moçambique, sobretudo nos sectores de agricultura e segurança alimentar, infra-estruturas, e vias de acesso. Para o embaixador, as firmas chinesas têm dado o seu contributo no país, alavancando a economia, com o objectivo de a tornar sustentável. Por isso, segundo o diplomata chinês, como forma de encorajar mais investimentos, a cooperação entre Moçambique e a potência asiática deve ser vantajosa e ser cada vez mais eficiente. Quanto à visita do Presidente do Comité Permanente da 13ª Assembleia Popular Nacional da China, Su Jian acredita ser de capital importância, numa altura em que a cooperação com a contraparte moçambicana tem sido cimentada ao mais alto nível. Por seu turno, o primeiro vice-presidente da Assembleia da República, António Amélia, destacou que a Liga de Amizade e Cooperação entre Moçambique e China favorece uma cooperação parlamentar eficaz. António Amélia disse que mais de 50 funcionários da Assembleia foram capacitados na China em áreas como gestão parlamentar, e tecnologias de informação e comunicação. A visita do Li Zhanshu a Moçambique termina segunda-feira. Acompanham a delegação 60 pessoas, incluindo membros da Assembleia Nacional Popular da China.
Numa iniciativa denominada “bolsa de madeira sustentável”, os operadores de madeira tiveram a oportunidade de vender este recurso de forma pública aos compradores moçambicanos. Com esta modalidade, foi preciso que se definisse preços de referência de cada tipo de madeira, o que ajudou a alguns exploradores a valorizar o recurso, visto que antes podiam vender a preços muito baixos. Para o ministro da Terra, Ambiente e Desenvolvimento Rural, a iniciativa não só ajuda na valorização da madeira, como também vai implicar a arrecadação de mais receitas para o Estado. Aliás, Celso Correia diz que as medidas que veem sendo implementadas no sector fizeram com que as receitas ao Estado aumentassem dez vezes mais. O governante espera que com esta iniciativa, os operadores de madeira possam sempre vender o recurso, seja para compradores nacionais como estrangeiros, tendo preços de referência.
O actual estágio operacional e financeiro da empresa Hidroeléctrica de Cahora Bassa, sedeada na vila do Songo, província de Tete, é considerado estável não obstante os reajustamentos pontuais efectuados na produção, devido a fraca queda pluviométrica que provocou a seca no vale do Zambeze. O facto foi revelado, há dias no Songo, por Pedro Couto, presidente do Conselho de Administração daquele maior empreendimento de produção de energia hidroeléctrica ao nível da região austral da África. Couto acrescentou que, apesar da situação hidrológica originada pela seca resultante do fenómeno El Nino, que originou uma ligeira queda dos níveis do caudal exigido para os padrões de produção da empresa, o Conselho de Produção foi a tempo de reformular o seu programa o que possibilitou o alcance de níveis desejáveis de geração de energia desde o ano passado até ao último trimestre do ano em curso. “HCB continua saudável e acabamos de fechar o relatório de contas que vai à assembleia geral dos accionistas da empresa. Tivemos resultados positivos o que indica que a saúde operacional e financeira é boa e estável’, disse Pedro Couto. Referiu, entretanto, que após os reajustamentos do plano de produção realizados desde o ano passado, a direcção da HCB irá este ano, continuar a trabalhar com quatro dos cinco grupos geradores, uma produção que permite gerar uma funcionalidade eficiente e com resultados económicos e financeiros positivos como se reflecte até agora. “Infelizmente a falta de chuva continua a prevalecer na região e este ano a queda foi abaixa das expectativas e terminada a época ficamos com uma quota de 320 metros, o que é ainda insuficiente”, disse. O Conselho de Administração da empresa HCB espera que com a gestão de recursos hidrológicos, a tendência da queda pluviométrica se normalize entre 2018 e 2019 o que poderá melhorar o nível de água armazenada na albufeira para que a produção de energia eléctrica seja a desejada. “Esperamos que não haja uma deterioração da situação hidrológica, para ganharmos uma estabilidade e melhorar a nossa produção a partir deste ponto onde ainda estamos’’, afirmou. De referir que durante o primeiro trimestre deste ano, a Hidroeléctrica de Cahora Bassa atingiu uma meta de produção de 3.433.504 MWh o que representa uma superação em 1.61 por cento do planificado.
A China tem projetos de apoio externo um pouco por todo o mundo. Analistas e estudos questionam o que esta ajuda externa realmente traz aos países beneficiários. Foi apenas em 2007 que a China começou a contribuir para a Associação de Desenvolvimento Internacional, o ramo financiador do Banco Mundial, e, a partir daí, veio a aumentar o seu contributo para ajudar países em desenvolvimento, especialmente os do leste Asiático. Depois de uma reforma económica fenomenal na era pós Mao Zedong, Pequim criou fortes relações com países com economias em desenvolvimento, continuando a garantir ajuda como forma de promover a cooperação "sul-sul". De acordo com o livro branco emitido pelo Conselho de Estado Chinês no final de 2016, a China dispensou cerca de 400 biliões de yuan (cerca de 47.4 milhões de euros) em ajuda ao desenvolvimento a 166 países e organizações internacionais nas últimas seis décadas. Mas, à medida que a riqueza e a influência da China crescem, a sua política de desenvolvimento é cada vez mais motivada pela possibilidade de obter acesso a novos mercados e obter retorno económico. Ajuda externa ou empréstimos? Um estudo de 2017 realizado pela AidData falava do universo conhecido de ajuda chinesa, entre 2000 e 2014, com 4373 registos que totalizavam 289.6 biliões de euros. Os registos incluem tipos de ajuda tradicional (cerca de 61.3 biliões) e empréstimos de juros reduzidos (cerca de 224 biliões). Uma das principais descobertas do estudo é que a maioria da ajuda externa chinesa não foi a ajuda tradicional – ajuda direta – mais sim a relacionada com projetos comerciais e empréstimos que tinham de ser reembolsados com juros. "Se olharmos para as relações China-África, a ajuda é apenas uma pequena parte do que eles consideram ser o compromisso com o desenvolvimento, que inclui comércio, investimentos e financiamento", explica Matt Ferchen, académico do Centro Carnegie-Tsinghua para as políticas globais, na China. "Sem segundas intenções” Pequim sempre disse que a assistência chinesa nos países em desenvolvimento funciona na premissa de "igualdade entre parceiros e benefícios mútuos", sem intenções políticas. Líderes chineses já disseram repetidamente que a China não coloca o mesmo tipo de condições dos países do Ocidente quando dá ou empresta dinheiro a países que precisam. Por exemplo, não requerem que o país beneficiário apresente certos padrões de governação, como é o caso dos Estados Unidos. Para países com Estado de direito fraco, o investimento chinês "tem vantagens", diz Ferchen. "Se um país está a ter dificuldades em encontrar financiamento externo, muitas vezes o investimento chinês parece, pelo menos inicialmente, a melhor opção com mais vantagens porque não impõe certas condições", explicou à DW. uitos líderes de países beneficiários elogiam a segunda maior economia do mundo e consideram a China um amigo de confiança. Em 2015, o então Presidente do Zimbabué, Robert Mugabe, comparou a China com o Ocidente, depois de assinar acordos económicos com a China. Referindo-se a Xi Jinping disse: "Aqui está um homem a representar um país que já foi chamado de pobre, um país que nunca foi nosso colonizador. Ele está a fazer aquilo que nós esperávamos que aqueles que nos colonizaram fizessem". Se esta relação é sustentável a longo prazo, é altamente questionável, disse Ferchen à DW. "As consequências que bancos e empresas chinesas podem ter, se ignorarem os padrões mínimos de governação, é que, a longo prazo, pode ser mais difícil para os beneficiários de ajuda em África, América Latina ou Ásia manterem a relação, pagarem as dívidas e continuar a fazer negócios com a China". Ajuda económica: porta de entrada para o mercado Desde a reforma económica, a China tornou-se um dos maiores investidores internacionais e dos maiores financiadores de grandes infraestruturas. Portos no Sri Lanka e caminhos de ferros no Quénia são exemplos de inúmeros projetos financiados pela China por todo o mundo. Países tradicionalmente mais associados a dadores de apoio externo mantêm-se céticos em relação à ajuda chinesa, pondo em causa o verdadeiro objetivo e implicações. Alguns analistas, especialmente em África, também defendem que muitos dos projetos financiados pela China não são particularmente benéficos para os locais e são apenas uma forma de a China aceder ao mercado e recursos dos países. Patrick Bond, professor de Economia Política na Universidade de Witwatersrand Wits, na África do Sul, é muito crítico em relação ao investimento externo e ajuda vinda da China. Disse à DW que "as condições dos empréstimos e investimentos chineses se tornam muito claras quando os países beneficiários enfrentam uma crise de dívida". O professor conta que a China está a impor a propriedade como condição, caso o país beneficiário não consiga pagar as dívidas. Dá o exemplo do Sri Lanka, onde o porto marítimo de Hambantota, construído por chineses, foi cedido à China por um período de 99 anos porque o Governo do Sri Lanka não tinha dinheiro para a sua manutenção. Críticos do Governo queixam-se que ter a China como proprietária do porto põe em causa a soberania do país. Bond também refere a multibilionária linha férrea entre Mombaça e Nairobi, financiada igualmente pela China, que o Banco Mundial já previu que dificilmente gerará dinheiro suficiente para pagar as dívidas. Outro exemplo são projetos de mineração apoiados pela China na Zâmbia, onde ocorreram disputas laborais violentas entre trabalhadores locais e empregadores chineses. Ligações preocupantes Outros estudos por investigadores do AidData demonstram que a política têm um papel importante na forma como a China decide gastar o seu dinheiro, indicando que os projetos de desenvolvimento chineses tendem a concentrar-se em áreas onde vivem os líderes e políticos africanos, em oposição a zonas mais marginalizadas. Um estudo de um thinktank americano, o Brookings Institution, descobriu que a China tendia a gastar mais dinheiro em países corruptos, havendo uma correlação negativa entre investimento direto do Governo chinês e o índice do Estado de Direito do Banco Mundial. De acordo com Bond, por causa disto, o investimento chinês é muitas vezes associado com "exploração extrema, corrupção extrema e leva a interferências em assuntos políticos". "Sabemos que em novembro houve um golpe de Estado contra Robert Mugabe. O novo Presidente é Emmerson Mnangagwa, e nós sabemos que o homem que ajudou Mnangagwa a tornar-se Presidente é o agora vice-Presidente, Constantino Chiwenga, que foi à China na semana anterior, basicamente, pedir permissão para o golpe". "Sabemos que Emmerson Mnangagwa assinou contratos com as forças armadas chinesas e empresas chinesas para exploração de diamantes e sabemos que cerca de 10.6 milhões de euros em diamantes desapareceram", acrescentou Bond.
As principais bolsas norte-americanas encerraram em alta, e a Apple marcou um máximo histórico, num dia em que todos os sectores do S&P 500 ganharam terreno. A sustentar Wall Street esteve o facto de a inflação não ter subido tanto como se antecipava. Os menores receios em torno da inflação impulsionaram esta quinta-feira os principais índices bolsistas dos EUA, que se fixaram em máximos de sete semanas. O Dow Jones encerrou a somar 0,80% para 24.739,01 pontos, ao passo que o Standard & Poor’s 500 valorizou 0,94% para 2.723,05 pontos. Por seu lado, o Nasdaq Composite terminou o dia a ganhar 0,89%, a valer 7.404,98 pontos. As bolsas do outro lado do Atlântico foram sobretudo sustentadas pelos dados da inflação dos EUA em Abril – com a subida mensal abaixo do esperado do índice de preços no consumidor a afastar os receios em torno das pressões inflacionistas [que podem levar a que a Fed acelere o ritmo de aumento dos juros directores]. Os dados da inflação revelaram que os custos de itens-chave, como os automóveis e as tarifas aéreas, desceram em Abril, reduzindo assim as probabilidades de o índice de preços no consumidor subir para níveis muito acima da meta de 2% da Reserva Federal norte-americana. Os 11 sectores que compõem o índice S&P 500 negociaram todos em terreno positivo. Em destaque esteve a Apple, que fechou a subir 1,43% para 190,04 dólares, depois de atingir um máximo histórico nos 190,37 dólares durante a sessão, com uma capitalização bolsista de 933,92 mil milhões de dólares. A empresa da maçã foi sustentada pelo programa de recompra de acções no valor de 100 mil milhões de dólares, anunciado na semana passada. Depois de esta semana a tecnológica liderada por Tim Cook ter chegado a valer 920,8 mil milhões de dólares, os investidores voltaram a ficar na expectativa de a ver chegar à marca do bilião de dólares. As telecomunicações estiveram entre os sectores com melhor desempenho, muito à conta da CenturyLink, que disparou 8% depois de apresentar resultados trimestrais acima do esperado.