Estímulo legislativo, tabus e tradições constituem barreiras da mulher na indústria extractiva em Moçambique

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A falta de um estímulo legislativo, tabus e tradições continuam a afastar a mulher moçambicana da indústria extractiva em Moçambique, conclui a organização não-governamental Sekelekani, num estudo hoje divulgado.

A indústria mineira é uma das mais importantes do país, responsável pelas maiores receitas de exportação, segundo dados do Banco de Moçambique. 

No entanto, o acesso a este mundo laboral está bloqueado para as mulheres devido a "tradições discriminatórias [de género]" e porque "a legislação pertinente também não oferece estímulos a uma participação mais activa da mulher na actividade extractiva", refere a pesquisa.

O estudo foi realizado entre Julho e Agosto e abrangeu as províncias de Cabo Delgado e Tete, no norte e centro do país, respectivamente.

A organização debruçou-se sobre empreendimentos de extracção mineira de pequena e de grande escala.

Além dos altos níveis de analfabetismo, o trabalho revela que a excessiva burocracia na legalização de associações de mulheres tem também contribuído para o afastamento da mão-de-obra feminina da indústria extractiva.

Outro motivo avançado nas conclusões da pesquisa diz respeito à sobrecarga doméstica de que a mulher sofre, consequência da condição de subserviência na maior parte das culturas moçambicanas das zonas rurais.

O estudo concluiu também que a mineração artesanal e a venda de alimentos têm sido áreas que, ainda assim, congregam mais mulheres na indústria extractiva em Moçambique.

São "negócios de rendimento baixo, comparativamente à extracção de ouro e de pedras preciosas, onde os homens predominam", conclui.

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